Mentoria: essencial para validar, viabilizar e alavancar o seu negócio

Desde 2010, após a venda de minha segunda empresa de Desenvolvimento de Soluções de TI, tenho me dedicado ao fortalecimento de meus conhecimentos sobre pessoas, negócios e tecnologia, principalmente em inovação e estratégias digitais. Atuei e atuo como consultor, escrevi mais de 80 artigos em meu blog, participei de três livros. Tenho ministrado palestras em empresas, eventos e universidades, mas o que mais gosto de fazer é atuar de mente e coração como mentor de negócios, o que já fiz em diversos programas com foco em startups, além de atender individualmente muitos empreendedores de startups em diversos estágios de evolução e gestores de empresas.

Gosto de mentoria de negócios, porque como o próprio nome diz, foca em negócios. Diferentemente de coaching que tem a nobre função de trabalhar o profissional em seus talentos e competências, de consultoria que providencia soluções às grandes questões empresariais utilizando de melhores práticas além do conhecimento e experiência do consultor, e assessoria onde o profissional põe a mão na massa para ajudar a implementar a solução.

Business-Mentor

O papel do mentor de negócios e as sessões de mentoria

Na minha visão, o foco do(a) mentor(a) durante as sessões deve ser o de entregar valor ao mentorado(a). Isso é feito a partir de questões baseadas em conhecimento e experiência e técnicas do mentor, que causam reflexões ao mentorado(a), ao invés de apenas dar palpites. Ao longo deste trabalho o mentor identifica pontos chave para melhoria do negócio e, em comum acordo com o(a) mentorado(a), fornece cursos de ação específicos a serem executados conforme o contexto, ambiente, condições e modelo de negócios em questão – que devem ser anotados. Mesmo que na primeira sessão o empreendedor(a) obtenha insigths e os primeiros cursos de ação, o ideal é uma continuidade desse trabalho, de modo que o processo gere resultados efetivos ao negócio em questão.

Alguns mentores são especialistas, outros tem grande experiência vivida em negócios, por serem ou terem sido sócios-proprietários – com visão mais ampla mas em seu setor de atuação, ou gestores de uma determinada área – com uma visão mais vertical, como finanças, marketing, vendas, produção, logística, etc.

É importante que antes da primeira sessão, tanto mentor(a) quanto mentorado(a) troquem algumas informações sobre seus perfis profissionais e sobre o negócio em questão.

Compete ao mentor, ser empático, confiável, sigiloso e autêntico. Deve escutar bem primeiro, questionando de forma socrática, e quando questionado, responder de forma direta, com um “olhar” otimista, procurando separar opiniões de fatos. Deve desafiar e provocar, mas sem desmotivar ou destruir, guiar sem controlar, saber dizer “não sei”, quando não sabe. Faz anotações chave durante as sessões.

Outro ponto forte do mentor ou mentora é a sua rede de relacionamento, com outros mentores que tem experiência em determinada função da empresa ou setor de mercado, investidores, fornecedores, possíveis clientes, além de seus conhecimentos de métodos, técnicas e ferramentas apropriadas para uso por startups ou empresas se for o caso.

Quanto a captura de valor pelo(a) mentor(a),  além de aprender com as próprias sessões, a forma de pagamento ou não, deve ser combinada com antecedência junto ao mentorado(a). Alguns mentoram apenas pelo prazer de contribuir com o ecossistema de inovação, outros apenas investigam e não cobram, pois entre seus interesses: desejam fornecer serviços de consultoria, ou tornarem-se investidores de negócios interessantes. Outros buscam sociedade ou apenas gestão, outros desejam fazer parte do conselho e outros ter uma pequena participação (%) nas quotas – com dedicação de parte do seu tempo no apoio contínuo ao negócio.

Considerações finais

O tema é extenso, mas acredito que a essência foi apresentada.

Se gostou, por favor, compartilhe! Abraço, @neigrando

Se precisar de Mentoria ou Consultoria para seu negócio, entre em contatoaqui.

Sobre o autor:

Nei Grando é diretor executivo da STRATEGIUS, teve duas empresas de tecnologia, é mestre em ciências pela FEA-USP com MBA pela FGV, organizador e autor do livro Empreendedorismo Inovador, é mentor de startups e atua como consultor, professor e palestrante sobre estratégia e novos modelos de negócio, inovação, organizações exponenciais, transformação digital e agilidade organizacional.

Detalhes: aqui, Contato: aqui.

Introdução à computação cognitiva

A explosão de dados, principalmente dados não estruturados, nos últimos anos, levou ao desenvolvimento de um novo tipo de sistema de computador conhecido como sistema cognitivo. Ao contrário dos sistemas programáveis ​​que o precederam, o foco dos sistemas cognitivos não é fazer cálculos rápidos em grandes quantidades de dados por meio de programas de computador tradicionais. Sistemas cognitivos são sobre explorar os dados, encontrar novas correlações e novo contexto nesses dados para fornecer novas soluções. Os sistemas cognitivos visam expandir os limites da cognição humana em vez de substituir ou replicar a maneira como o cérebro humano funciona.

A computação cognitiva está se tornando um novo setor. Está chegando uma nova revolução industrial, conectada à automação de trabalhos em transporte, atendimento ao cliente e assistência médica, para citar alguns.

O sustento de tal revolução será uma nova geração de desenvolvedores qualificados que entenderão bem a computação cognitiva para visualizar novos aplicativos de negócios e, finalmente, construir a nova web cognitiva.

Este artigo resume brevemente a história da computação cognitiva e as eras da computação porque, para entender o futuro da computação cognitiva, é importante colocá-lo no contexto histórico.

Este artigo também descreve conceitos básicos que são relevantes para qualquer discussão sobre sistemas cognitivos.

Cognitive Computing

Breve histórico da computação cognitiva

O conceito de máquinas inteligentes existe há muito tempo. Surpreendentemente, no século 19, o livro do matemático George Boole de 1854, The Laws of Thought, mostrou que operadores lógicos (e, ou, não) forneceram a base para as leis do pensamento. Na mesma época, Charles Babbage concebeu a criação do que descreveu como um mecanismo analítico.

Em 1950, Alan Turing, cientista da computação e matemático inglês, abordou o problema da inteligência artificial e propôs um experimento que ficou conhecido como Teste de Turing. É um teste da capacidade de uma máquina de exibir comportamento inteligente semelhante a um humano.

O teste foi uma adaptação de uma competição de estilo vitoriano chamada “jogo de imitação“.

O experimento de Turing foi baseado em um avaliador humano que julgou as conversas em linguagem natural entre um humano e uma máquina projetada para gerar respostas semelhantes a humanos.

O teste estudou se o interrogador pode determinar quais respostas são dadas por um computador e quais são respostas de um humano. A ideia era que, se o interlocutor não pudesse distinguir a diferença entre humano e máquina, o computador seria considerado “pensando”.

O termo Inteligência Artificial foi cunhado pelo professor John McCarthy para uma conferência sobre o assunto, realizada no Dartmouth College em 1956. McCarthy define o assunto como a “ciência e engenharia de fabricação de máquinas inteligentes, especialmente programas de computador inteligentes“.

Em 1960, o pioneiro da computação J.C.R. Licklider escreveu seu artigo seminal “Simbiose Homem-Computador”. O artigo descreve a visão de Licklider de um relacionamento complementar ou simbiótico entre humanos e computadores. A citação a seguir é um exemplo das pesquisas e percepções de Licklider:

“A simbiose homem-computador é um desenvolvimento esperado na interação cooperativa entre homens e computadores eletrônicos. Isso envolverá um acoplamento muito próximo entre os membros humanos e eletrônicos da parceria. Os principais objetivos são:

  1. Permitir que os computadores facilitem o pensamento formulativo, pois agora facilitam a solução dos problemas formulados.
  2. Permitir que homens e computadores cooperem na tomada de decisões e no controle de situações complexas sem dependência inflexível de programas predeterminados …

Análises preliminares indicam que a parceria simbiótica executará operações intelectuais com muito mais eficiência do que o homem sozinho pode realizá-las.

As eras da computação

Para entender o futuro da computação cognitiva, é importante colocá-lo no contexto histórico. Até o momento, duas épocas distintas da computação ocorreram: a era da tabulação e a era da programação. Estamos entrando na terceira e mais transformadora era da evolução da computação, a era da computação cognitiva (era cognitiva).

The three eras of computing

As eras podem ser descritas da seguinte maneira:

_ Era tabulativa (décadas de 1890 a 1940)

A primeira era da computação consistiu em sistemas eletromecânicos de uso único que contavam, usando cartões perfurados para inserir e armazenar dados e, eventualmente, instruir a máquina sobre o que fazer. Essas máquinas de tabulação eram essencialmente calculadoras projetadas para contar e resumir informações, e elas faziam muito bem, mas acabavam limitadas a uma única tarefa.

Essas máquinas suportavam o dimensionamento de negócios e da sociedade e eram usadas em aplicativos governamentais, como dados do censo de população de processos e aplicativos comerciais, como contabilidade e controle de estoque. As máquinas de tabulação evoluíram para uma classe de máquinas, conhecida como equipamento de registro de unidade, e a indústria de processamento de dados.

_ Era da programação (década de 1950 – presente)

Esta era começou com a mudança de tabuladores mecânicos para sistemas eletrônicos e começou durante a Segunda Guerra Mundial, impulsionada por necessidades militares e científicas. Após a guerra, os “computadores” digitais evoluíram rapidamente e se mudaram para empresas e governos. A era da computação programável começa.

A grande mudança é a introdução de sistemas de computação de uso geral programáveis: eles podem ser reprogramados para executar tarefas diferentes e resolver vários problemas nos negócios e na sociedade. Mas, em última análise, eles devem ser programados e ainda estão um pouco limitados na interação com os seres humanos. Tudo o que sabemos agora como um dispositivo de computação, do mainframe ao computador pessoal, ao smartphone e tablet, é um computador programável. Alguns especialistas acreditam que essa era da computação continuará a existir indefinidamente.

_ Era cognitiva (2011 – futuro)

Como Licklider previu, a computação cognitiva é uma evolução necessária e natural da computação programável. Os sistemas de computação cognitiva visam estender os limites da cognição humana. As tecnologias de computação cognitiva não se destinam a substituir ou necessariamente replicar a maneira como o cérebro humano funciona; trata-se de ampliar as capacidades do cérebro humano. Os seres humanos se destacam no raciocínio, no pensamento profundo e na solução de problemas complexos. Mas a capacidade humana de ler, analisar e processar grandes volumes de dados, estruturados e não estruturados, é bastante fraca. Essa, é claro, é a força do sistema de computador. O primeiro papel de um sistema de computação cognitiva é combinar forças de humanos e máquinas em uma situação colaborativa.

Outro elemento-chave dos sistemas cognitivos é uma interação mais natural entre humano e máquina, combinada com a capacidade de aprender e se adaptar ao longo do tempo.

O futuro da computação é cognitivo

Em seu artigo, “Computação, cognição e o futuro do conhecimento: como os seres humanos e as máquinas estão forjando uma nova era de entendimento”, o Dr. John E. Kelly III declara:

Aqueles de nós envolvidos em ciência da informação séria e em sua aplicação no mundo real dos negócios e da sociedade entendem o enorme potencial dos sistemas inteligentes. O futuro dessa tecnologia – que acreditamos ser cognitiva, não “artificial” – tem características muito diferentes daquelas geralmente atribuídas à IA, gerando diferentes tipos de desafios e oportunidades tecnológicos, científicos e sociais, com diferentes requisitos de governança, política e gerenciamento.

No mesmo artigo, o Dr. Kelly define a computação cognitiva:

A computação cognitiva se refere a sistemas que aprendem em escala, argumentam com propósito e interagem com os seres humanos naturalmente. Em vez de serem explicitamente programados, eles aprendem e raciocinam com suas interações conosco e com suas experiências com o ambiente.

As demandas atuais impulsionadas pelo Big Data e a necessidade de decisões baseadas em evidências mais complexas estão indo além da regra rígida anterior e da abordagem lógica da computação.

A computação cognitiva permite que as pessoas criem um novo tipo de valor, encontrando respostas e insights bloqueados em volumes de dados. A computação cognitiva serve para aprimorar a experiência humana com sistemas que raciocinam sobre problemas como um humano.

Quando nós, como seres humanos, tentamos entender algo e tomar uma decisão, passamos por quatro etapas principais:

  1. Observar os fenômenos visíveis e os corpos de evidência.
  2. Interpretar o que vemos recorrendo ao que sabemos para gerar hipóteses sobre isso.
  3. Avaliar quais hipóteses estão certas ou erradas.
  4. Decidir (escolher) a opção que parecer melhor e aja de acordo.

Assim como os humanos se tornam especialistas, passando pelo processo de observação, interpretação, avaliação e tomada de decisão, os sistemas cognitivos usam processos semelhantes para raciocinar sobre as informações que absorvem.

O impacto da computação cognitiva em nossas vidas

Quer você perceba isso ou não, a computação cognitiva já está afetando nossas vidas.

Frequentemente, quando você conversa com um call center, é provável que sua interação seja com um computador. Os artigos que você lê podem ter sido escritos por uma máquina. Em muitos casos, como compras on-line, a computação cognitiva entende seu comportamento e atividades e faz recomendações com base nesse entendimento. Os chatbots equipados com computação cognitiva foram criados para oferecer suporte com êxito aos serviços de resolução de reclamações.

Muitas profissões estão sendo aprimoradas pela computação cognitiva. Por exemplo, um médico que diagnostica um paciente com sintomas incomuns teria que procurar uma vasta quantidade de informações para chegar a um diagnóstico adequado. A computação cognitiva pode ajudar esse médico fazendo muitas pesquisas e análises preliminares para ele e podendo recomendar as próximas etapas.

Considere um gerente de patrimônio que aconselha os clientes em suas carteiras individuais de aposentadoria. Enquanto fatos e regras básicas se aplicam, necessidades, circunstâncias e interesses individuais entram em jogo.

Classificar todas as informações relacionadas e personalizar as recomendações para um cliente específico pode ser uma tarefa impressionante, facilitada pela computação cognitiva.

Em essência, a computação cognitiva pode contextualizar as informações que muitos profissionais lidam diariamente, a fim de gerar valor real a partir delas.

Conceitos básicos

Considere estes conceitos básicos:

_ Cognição

A cognição, o “ato de pensar”, é o processo mental de adquirir entendimento através do pensamento e de experiências pessoais ou compartilhadas. As habilidades baseadas no cérebro fazem parte de toda ação humana e são essenciais para a execução de qualquer tarefa, da mais simples à mais difícil.

As tarefas incluem sentidos humanos (audição, toque, olfato, visão, paladar e até percepção extra-sensorial), aprendizado, lembrança, habilidades motoras, linguagem, empatia, habilidades sociais e capacidade de resolução de problemas.

Como afirmado, a cognição é o processo de aquisição de conhecimento através de pensamentos, experiências e sentidos. O processamento cognitivo nos ajuda a entender e interagir com o mundo ao nosso redor, do básico ao complexo.

_ Inteligência Artificial (IA)

O estudo e desenvolvimento de sistemas de IA visam a construção de sistemas de computador capazes de executar tarefas que normalmente requerem inteligência humana. As máquinas baseadas em IA destinam-se a perceber seu ambiente e executar ações que otimizam seu nível de sucesso. A IA de hoje pode ser considerada fraca, pois foi projetada para executar tarefas restritas e específicas. O objetivo de muitos pesquisadores é criar uma IA forte que aprenda como um humano e possa resolver problemas do tipo humano.

A pesquisa de IA usa técnicas de muitos campos, como ciência da computação, filosofia, linguística, economia, reconhecimento de fala e psicologia, que se manifestam em aplicações como sistemas de controle, processamento de linguagem natural, reconhecimento facial, reconhecimento de fala, analítica, correspondência de padrões , mineração de dados e logística.

_ Computação cognitiva

Os seres humanos são inerentemente capazes de um conjunto de habilidades que nos ajudam a aprender, descobrir e tomar decisões:

  • Podem aplicar bom senso, moral e razão através de dilemas.
  • Podem pensar em novas ideais e fazer generalizações quando faltam pistas e informações essenciais.
  • Mas são restringidos pela quantidade de tempo gasto para aprender, processar e absorver novas informações, e limitados pelos vieses inconscientes que todos possuímos que influenciam as decisões que tomamos.

A computação cognitiva está entre as subdisciplinas que moldam a IA. Trata-se de montar um sistema que combina o melhor dos humanos e da máquina. Considere recursos que os humanos naturalmente possuem, como imaginação e emoções, combinados com recursos em que os computadores se destacam, como processamento de números, identificação de padrões e processamento de grandes quantidades de informações. A computação cognitiva usa os pontos fortes da máquina para “simular” os processos do pensamento humano em um modelo computadorizado.

Os sistemas cognitivos usam técnicas, como aprendizagem de máquina, mineração de dados, processamento de linguagem natural e correspondência de padrões para imitar o funcionamento do cérebro humano. Tais sistemas são ideais para interagir com um mundo cada vez mais complexo.

Human and Cognitive Systems ara Complementary

_ Big data

Geralmente, as características de big data são definidas pelos cinco Vs: variedade, volume, velocidade, veracidade e visibilidade. O big data requer formas inovadoras de processamento de informações para extrair insights, automatizar processos e auxiliar na tomada de decisões. Big data pode ter dados estruturados que correspondem a um padrão formal, como conjuntos de dados e bancos de dados tradicionais. Além disso, o big data inclui formatos semiestruturados e não estruturados, como documentos de processamento de texto, vídeos, imagens, áudio, apresentações, interações em mídias sociais, fluxos, páginas da web e muitos outros tipos de conteúdo. Os dados não estruturados não estão contidos em um banco de dados regular e estão crescendo exponencialmente, constituindo a maioria de todos os dados do mundo.

Structured and Unstructered data

_ Tecnologia de resposta a perguntas (QA – Question-Answering)

Os sistemas cognitivos podem ingerir milhões de páginas de texto e aplicar a tecnologia de resposta a perguntas para responder a perguntas feitas por humanos em linguagem natural. Essa abordagem permite que as pessoas “façam” perguntas e obtenham respostas quase instantâneas a perguntas complexas.

Combinada com outras interfaces de programas aplicativos (APIs) e análises avançadas, a tecnologia de QA se distingue da pesquisa convencional (que é acionada por palavras-chave) ao fornecer uma discussão mais conversacional.

_ Aprendizado de máquina (ML – Machine Learning)

O aprendizado de máquina é um tipo de IA que dá aos computadores a capacidade de aprender e agir sem serem explicitamente programados. Isso significa que o modelo do computador melhora com o tempo, aprendendo com seus erros e novas experiências (exposto a novos dados), aumentando sua inteligência. Se um programa de computador pode melhorar o desempenho de determinadas tarefas baseadas em experiências passadas, ele aprendeu. Isso difere de executar a tarefa sempre da mesma maneira, porque foi programado para isso.

_ Processamento de linguagem natural (NLP – Natural Language Processing)

A NLP é um campo da IA ​​e refere-se ao processamento por computadores da linguagem natural.

Idioma natural é qualquer idioma humano, como inglês, espanhol, árabe ou japonês, que deve ser diferenciado das linguagens de computador, como Java, Fortran ou C++.

NLP é a capacidade do software de computador entender a fala humana. Ao usar os recursos da NLP, os computadores podem analisar o texto escrito em linguagem humana e identificar conceitos, entidades, palavras-chave, relações, emoções, sentimentos e outras características, permitindo que os usuários extraiam informações do conteúdo.

Qualquer sistema que use a linguagem natural como entrada e seja capaz de processá-la é um sistema de processamento de linguagem natural (por exemplo, software de detecção de spam). Um classificador de spam é um sistema que analisa o conteúdo da linha de assunto do e-mail para avaliar se o e-mail recebido é ou não spam.

_ Computação em nuvem

Computação em nuvem é um termo geral que descreve a entrega de serviços sob demanda, geralmente pela Internet, com base no pagamento por uso. Empresas em todo o mundo oferecem seus serviços aos clientes. Os serviços podem ser análise de dados, mídia social, armazenamento de vídeo, comércio eletrônico e computação cognitiva de uma maneira disponível na Internet e suportada pela computação em nuvem.

_ Interfaces de programa aplicativo (APIs – Application Program Interfaces)

Em geral, as APIs expõem recursos e serviços. As APIs permitem que os componentes de software se comuniquem facilmente. O uso de APIs como método de integração injeta um nível de flexibilidade no ciclo de vida do aplicativo, facilitando a tarefa de conexão e interface com outros aplicativos ou serviços. As APIs abstraem o funcionamento subjacente de um serviço, aplicativo ou ferramenta e expõem apenas o que um desenvolvedor precisa, para que a programação se torne mais fácil e rápida.

As APIs cognitivas geralmente são entregues em uma plataforma aberta baseada em nuvem, na qual os desenvolvedores podem infundir cognitivos em aplicativos, produtos e operações digitais usando uma ou mais APIs disponíveis.

No modelo de computação cognitiva, todos esses conceitos são combinados, eliminando a necessidade de os usuários serem especialistas em métodos cognitivos e permite que eles se concentrem na criação de melhores soluções.

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Os sistemas cognitivos permitem que os usuários se concentrem na construção de melhores soluções para os problemas do dia-a-dia

Como esses conceitos e tecnologias se relacionam?

O modelo de computação cognitiva pretende ter alto valor em vários domínios. Ao aplicar esse modelo, os usuários não precisam gastar tempo aprendendo detalhes complexos sobre ferramentas para poder usá-las efetivamente ou interpretar grandes quantidades de informações para tirar conclusões. Em vez disso, os usuários gastam seu tempo identificando padrões úteis, tomando decisões e tomando medidas para melhorar os processos comerciais e operacionais.

Como a computação cognitiva imita o pensamento, a qualidade da saída é tão boa quanto os algoritmos e modelos usados ​​no início. Esses modelos são aprimorados com a aprendizagem de máquina.

Enquanto um especialista humano pode passar semanas analisando volumes de dados, o modelo do computador pode fazer isso em segundos. Por exemplo, uma equipe de médicos pode realizar um estudo que monitora centenas de crianças por muitos meses para prever fatores que causam diabetes em crianças pequenas. Num futuro próximo, o mesmo estudo pode ser previsto com precisão por um modelo de computador que leva segundos para analisar volumes de dados, a um custo muito menor. Para agregar ainda mais valor, outras fontes de dados podem ser incluídas para melhorar os resultados das previsões. Exemplos de dados a serem incluídos são história familiar, estilo de vida, normas culturais e atividades familiares. Esses são os tipos de dados que fazem o equivalente a uma pesquisa conduzida por seres humanos que leva vários anos para ser concluída.

Um grande problema com a maioria das ferramentas analíticas é que elas exigem que um especialista no assunto (por exemplo, piloto, médico, advogado) se torne um especialista em computadores. Um objetivo da computação cognitiva é exigir apenas habilidades de conversação do especialista no assunto para permitir que essa pessoa extraia informações valiosas. A mineração e análise de dados agora significa “simplesmente perguntar“. Com o tempo, as tecnologias de NLP e QA se tornaram melhores na identificação de padrões de fala e na verdadeira compreensão do que o usuário diz no contexto das informações disponíveis.

Com muitos dados para analisar, você precisará de um supercomputador para obter informações?

Aqui é onde o poder da computação em nuvem pode ajudar. Vários fornecedores estabeleceram ambientes de computação em nuvem e oferecem acesso à nuvem pela Internet. Os usuários solicitam os serviços de que precisam e fornecem acesso aos seus dados. Os fornecedores oferecem um modelo de pagamento por uso e fornecem personalização do ambiente para atender às necessidades específicas dos usuários. O modelo de computação em nuvem reduz muito as barreiras de acesso e, com disponibilidade global, qualquer pessoa no mundo com conectividade à Internet tem acesso a esses serviços.

Várias APIs que fornecem acesso a vários serviços permitem acesso rápido, fácil e intuitivo aos sistemas de computação. A maioria das APIs é independente da linguagem de programação, o que significa que seus desenvolvedores podem trabalhar em qualquer linguagem de programação. O uso de APIs para compartilhamento de dados, serviços e funções de negócios entre pontos de extremidade (como aplicativos, dispositivos e sites) cria a oportunidade de reduzir o custo e o tempo para a integração.

Características dos sistemas cognitivos

Muitas pessoas acreditam que a única maneira de lidar com o ataque de dados hoje e no futuro é através do uso de sistemas cognitivos. Os sistemas cognitivos têm várias características principais:

_ O primeiro elemento-chave dos sistemas cognitivos é expandir os limites da cognição humana em vez de substituir ou replicar a maneira como o cérebro humano funciona. Os seres humanos são excelentes em pensar profundamente e resolver problemas complexos, no entanto, nossa capacidade de ler, analisar e processar grandes volumes de dados é baixa. Ler, analisar e alavancar grandes volumes de dados é a força dos sistemas de computador. Um elemento-chave de um sistema cognitivo é combinar esses dois pontos fortes (humano e computador) em uma solução colaborativa. Mais do que pesquisar grandes quantidades de dados, o sistema cognitivo deve combinar diferentes partes de informações e, possivelmente, raciocinar para estabelecer conexões e relacionamentos.

O sistema precisa fazer análises suficientes para extrair elementos-chave, entender o problema que o ser humano está tentando resolver e, com base nesse contexto, trazer informações para o problema. O objetivo é que um ser humano aproveite facilmente as informações fornecidas pelo sistema cognitivo e permita que o ser humano explore as evidências e use esse insight para resolver seu problema ou tomar decisões.

_ O segundo elemento chave é ter uma interação mais natural entre computadores e seres humanos. Até recentemente, para interagir com os computadores, os humanos tinham que se adaptar à maneira como trabalhavam à interface do computador, que costumava ser rígida e inflexível. Os sistemas cognitivos fornecem um envolvimento muito mais natural entre o computador e o humano.

O reconhecimento de fala, por exemplo, permite que o ser humano interaja com o computador usando comandos de voz.

_ Um terceiro elemento-chave dos sistemas cognitivos é o uso da aprendizagem, especificamente a aprendizagem de máquina. O aprendizado de máquina é realizado há muito tempo e os sistemas cognitivos devem ir além dos fundamentos básicos do aprendizado de máquina.

_ A intenção é ampliar o potencial de aprendizagem e a capacidade de adaptar-se ao longo do tempo com o uso, que é o quarto elemento-chave dos sistemas cognitivos. Portanto, ao usar esses aplicativos, um mecanismo de feedback captura os resultados dessa interação e o sistema deve aprender com a interação resultante e evoluir automaticamente ao longo do tempo, melhorando seu desempenho.

Com essa base de entendimento, você pode pensar em sistemas cognitivos como fornecendo em muitos casos esses recursos:

  • Entender: Os sistemas cognitivos entendem imagens, linguagem e outros dados não estruturados, como seres humanos. O sistema cognitivo operacionaliza praticamente todos os dados (estruturados e não estruturados), como os humanos.
  • Raciocinar: Os sistemas cognitivos podem raciocinar, compreender conceitos subjacentes, formar hipóteses e inferir e extrair ideias.
  • Aprender: Com cada ponto de dados, interação e resultado, os sistemas cognitivos desenvolvem e aumentam a experiência e continuam aprendendo, adaptando e melhorando sua experiência.
  • Interagir: Com habilidades para ver, conversar e ouvir, os sistemas cognitivos interagem com os seres humanos de maneira natural.

Resolvendo problemas da vida real com sistemas cognitivos

Os sistemas cognitivos direcionam o uso de big data para dar suporte aos processos de negócios. A maioria dos big data não possui organização ou estrutura formal. Os sistemas cognitivos podem penetrar na complexidade dos dados não estruturados e incorporar o poder do processamento de linguagem natural e do aprendizagem de máquina. Os sistemas cognitivos criam soluções para os problemas do dia-a-dia.

Os sistemas cognitivos criam novas maneiras de gerar valor para os consumidores e aprimoram a experiência ao longo do ciclo de vida da compra. Por exemplo, um planejador cognitivo de viagens pode considerar a identificação de idiomas, análises de conflitos, e insights pessoais para fazer recomendações de viagens que melhor atendam às necessidades do cliente. Outro exemplo é a revisão de um grande número de apólices de seguro para obter regras de apólice. Com essas regras, uma companhia de seguros pode impulsionar a padronização, reduzir os riscos e aprender mais amplamente com o conhecimento e a experiência dos subscritores.

Os fornecedores de sistemas cognitivos fornecem várias ofertas baseadas em comandos de voz e no uso de dados da Internet. Vários fornecedores fornecem sistemas cognitivos direcionados para os setores da saúde, automotivo, financiamento e seguro.

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Referências:

  • Este artigo trata-se de uma tradução literal do primeiro capítulo “Introduction to Cognitive Computing” do e-book “Building Cognitive Applications with IBM Watson Services – Volume 1 Getting Started” da Redbooks em parceria com IBM Skills Academy Program, escrito por diversos autores, em Junho de 2017.
  • What is AI? – (AISB – The society for the study of artificial intelligence and simulation of behavior)
  • Man-Computer Symbiosis – (J. C. R. Licklider – IRE Transactions on Human Factors in Electronics, volume HFE-1, pages 4-11, March 1960)
  • IBM IA Research
  • IBM Watson
  • IBM Watson: How it Works (vídeo)
  • How does IBM Watson work? (vídeo)

Sobre o tradutor:

Nei Grando é diretor executivo da STRATEGIUS, teve duas empresas de tecnologia, é mestre em ciências pela FEA-USP com MBA pela FGV, organizador e autor do livro Empreendedorismo Inovador, é mentor de startups e atua como consultor, professor e palestrante sobre estratégia e novos modelos de negócio, inovação, organizações exponenciais, transformação digital e agilidade organizacional.

Apoio: Núcleo Decide da FEA-USP

Núcleo Decide - FEA-USP

 

Três Horizontes para Mudança, Inovação e Crescimento Organizacional

“Não podemos prever o futuro, mas podemos inventá-lo.”
– Wilbert E. Moore,  sociólogo americano

Pode-se passivamente pensar o futuro como algo misterioso, desconhecido, difícil de prever,  arriscado, assombroso e até mesmo assustador. Por outro lado, pode-se vislumbrá-lo a partir de problemas e necessidades atuais, sinais presentes e tendências tecnológicas, comportamentais e de consumo entre outras, e proativamente cria-lo. E, neste caso, o futuro desejado começa a ser trabalhado no presente.

James Gardner March, em “Exploration and Exploitation” na aprendizagem organizacional, mostra a necessidade de equilíbrio adequado entre:

  • a exploração (exploitation) das velhas certezas – que busca benefícios imediatos e a curto prazo, com o refinamento, produção, eficiência, seleção, implementação, execução; e
  • a exploração (exploration) de possibilidades – a médio e longo prazo, com pesquisa, variação, tomada de risco, experimentação, flexibilidade, descoberta e inovação.

James G. March, explica que este equilíbrio é um fator primordial na sobrevivência e prosperidade das organizações, mas que exploitaton e exploration competem por recursos escassos e que isso costuma gerar alguns conflitos.

Destaca-se também a noção estratégica de “Organização Ambidestra”, de O’Reilly e Tushman. Ela postula que as empresas que querem fazer inovação contínua precisam executar seu modelo de negócios central enquanto inovam em paralelo. Em outras palavras, em uma empresa ambidestra é preciso ser capaz de “assobiar e chupar cana ao mesmo tempo”.

Os três horizontes

Ainda nesse tema estratégico, Baghai, Coley e White, em “A Alquimia do Crescimento”, sugerem que uma empresa aloque suas inovações em três categorias chamadas “Horizontes”. Eles apresentam como gerenciar o desempenho atual enquanto maximiza as futuras oportunidades de crescimento. O modelo de Três Horizontes que eles apresentam, adotado pela consultoria McKinsey, apresenta como resultado um mapa do potencial transformacional que nos permite atuar com mais habilidade, liberdade e criatividade no presente.

A ideia central e maior utilidade dos Três Horizontes, é a de chamar a atenção para os três horizontes como existindo sempre no momento presente, pois evidências sobre o futuro podem ser vistas pelos comportamentos atuais.

Pensar em termos de Três Horizontes é uma maneira de encontrar e moldar as intenções com mais clareza ao se olhar o primeiro horizonte do conhecido para o segundo horizonte da transição e finalmente o terceiro horizonte da transformação. Isso muda a percepção do potencial futuro do momento presente, revelando cada horizonte como uma qualidade diferente já existente no presente, e que pode se desenvolver dependendo das ações escolhidas.

Os Três Horizontes da Mudança, Inovação e Crescimento

H1: O primeiro horizonte (gerentes experientes)

H1 descreve o modo atual de fazer as coisas, e a maneira como pode-se esperar que isso mude se continuarem  se comportando do mesmo modo. Depende-se dos sistemas H1 para se fazer as coisas no dia-a-dia, como a rotina do trabalho ou ao usar transportes, ir a lojas, escolas, bancos, hospitais – e no geral não se quer ou precisamos pensar muito sobre eles; com isso perpetua-se o sistema quando se participa dele.

Fala-se muito sobre o ritmo da mudança, mas muitas coisas, pelos menos por um tempo, devem permanecer as mesmas. A inovação incremental e a mudança nos sistemas H1 estão acontecendo, mas apenas sustenta e amplia o modo como as coisas são feitas agora, de uma maneira planejada e ordenada; incertezas e riscos devem ser eliminados ou preparados para manter as coisas mais ou menos como estão.

Por outro lado, nada dura para sempre, e ao longo do tempo inevitavelmente descobre-se que algumas maneiras de se fazer as coisas estão ficando aquém do esperado – não mais atendendo às expectativas, deixando de se mover em direção a novas oportunidades ou estão fora de sintonia com as condições emergentes. Além disso, percebe-se que nossos métodos de melhoria e inovação H1 não levam aonde precisa-se ir e estão apenas sustentando a velha abordagem com seus fracassos; e essa abordagem estão mais adequados à finalidade, por exemplo carros que poluem e produzem trânsito longo e intenso.

H3: O terceiro horizonte (visionários e inovadores)

H3 é o sistema futuro. São essas novas formas de viver e trabalhar que se encaixam melhor com as necessidades e oportunidades emergentes. A mudança de H3 é transformadora, trazendo um novo padrão à existência que está além do alcance do sistema H1. Pode haver muitas visões concorrentes do futuro, algumas primeiras pioneiras provavelmente parecerão bastante irreais,  e algumas delas são irreais. À medida que se constrói o mapa de Três Horizontes, compara-se a própria visão com a de outros  e as tendências que estão se desenrolando para todos.

H2: O segundo horizonte (empreendedores)

H2 é a zona de transição e transformação das inovações emergentes que estão respondendo às deficiências do primeiro horizonte e antecipando as possibilidades do terceiro horizonte. Novas maneiras de fazer as coisas surgem de maneira desordenada, através de uma combinação de ação deliberada e adaptação oportunista à luz das circunstâncias.

Os empreendedores devem julgar o momento e reunir ideias e recursos para tentar uma nova maneira de fazer as coisas aqui e agora. Vivem em um território ambíguo, onde os modos antigos são dominantes, mas o novo está se tornando possível; pode-se olhar para o passado e se encaixar nos padrões familiares da vida, ou tentar se tornar a semente que cresce no novo. O empreendedorismo é difícil e a maioria das tentativas de fazer coisas novas falha; é muito mais fácil atender aos sistemas antigos e os jogadores de H1 geralmente dominam.

Convocando o futuro

O pesquisador científico Bill Sharpe, destaca que a partir disso pode-se olhar para o futuro de três maneiras:

  • visualizando padrões mais profundos de mudança sistêmica sob os eventos de superfície;
  • tornando o futuro acessível no presente na forma de intenção e ações;
  • trazendo todas as vozes de continuidade e mudança para o jogo como parte da discussão.

Esses Três Horizontes trazem um pensar sobre o futuro que reconhece a incerteza profunda, mas que responde com uma orientação ativa. Isso facilita o entendimento claro de como ações podem moldar o futuro a explorar. Isso é especialmente importante quando se olha para questões de ampla preocupação social, como atores no futuro. Aqui estamos particularmente preocupados em encontrar maneiras para os diversos grupos da sociedade se unirem para liberar o futuro do domínio das velhas formas de fazer as coisas – maneiras que não funcionam mais para nós.

Depoimentos destacam a forma como os Três Horizontes separam as coisas de uma forma útil e melhora o diálogo, porque as pessoas podem ver onde estão e podem evitar confusões e conflitos desnecessários entre os três horizontes. Acontece que é bastante natural, em quase todas as situações em que as pessoas estão trabalhando em alguma questão complexa, mostrarem as três “vozes” dos horizontes:

  • a voz gerencial de H1 preocupada com a responsabilidade de manter as coisas funcionando;
  • a voz empreendedora de H2 que está ansiosa para entrar e experimentar coisas novas;
  • a voz de aspiração e visão de H3 que se sustenta pelo comprometimento com um caminho melhor e a oportunidade que pode ser imaginada.

“Por padrão, muitas pessoas habitam apenas um horizonte em seu trabalho e veem outros horizontes com perplexidade, incompreensão ou hostilidade. No entanto, todos têm uma capacidade natural de trabalhar com os outros horizontes, e o núcleo da prática dos Três Horizontes é a flexibilidade de trabalhar com os três modos de consciência ao mesmo tempo” – Bill Sharpe

Uma vez que diferentes grupos são capazes de ver qual horizonte domina seu pensamento, eles também podem ver como isso se relaciona com os outros. Por exemplo, um apaixonado defensor das energias renováveis, o H3, pode esquecer facilmente como é ter as responsabilidades H1 de manter as luzes acesas e, em troca, o pensador H1, dominado por preocupações atuais, pode considerar o protagonista H3 simplesmente irrelevante. O empreendedor H2 pode estar se inspirando no terceiro horizonte, mas também está tendo que julgar quando é a hora certa de desafiar as organizações H1 para o domínio ou, em vez disso, lidar com elas.

“As pessoas não resistem a mudanças, elas resistem a serem mudadas.” – Richard Beckhard

A ideia é mudar de visão simples e unidimensional do tempo que se estende para o futuro para um ponto de vista tridimensional no qual obtém-se consciência de cada horizonte como uma qualidade distinta de relacionamento entre o futuro e o presente.

Uma versão enxuta dos três horizontes da Inovação

Steve Blank apresentou uma versão enxuta (lean) de uso dos três horizontes para acelerar a inovação de H2 e H3 com ferramentas usadas pelas startups como o canvas para modelagem de negócios, o modelo do desenvolvimento do cliente, os métodos da engenharia ágil, somados aos conceitos e práticas Lean Startup – que podem ser adaptadas para uso corporativo.

Buscando uma forma de as organizações existentes se tornarem ambidestras, construírem e testarem novas ideias em maior velocidade, se tornarem mais competitivas e evitarem a disrupção por terceiros, ele define os três horizontes na versão enxuta da seguinte forma:

  • As atividades de H1 apoiam os modelos de negócios existentes;
  • O H2 está focado em ampliar os negócios existentes com modelos de negócios parcialmente conhecidos;
  • O H3 está focado em modelos de negócios desconhecidos.

Cada horizonte requer foco diferente, gerenciamento diferente, ferramentas diferentes e objetivos diferentes.

O H1 é o principal negócio da empresa. Aqui, a empresa executa um modelo de negócios conhecido em termos de cadeia de suprimentos, características do produto, preços, canal de distribuição, clientes, concorrentes etc. Ele usa os recursos existentes e tem baixo risco de levar o próximo produto para fora da empresa.

O gerenciamento neste H1 funciona criando e melhorando processos, procedimentos, custos, incentivos e KPIs repetíveis e escalonáveis ​​para executar e medir o modelo de negócios. Aqui já cabe às equipes de H1 a operarem com missão e intenção e não apenas com processos e procedimentos. Neste Horizonte, o gerenciamento de produto costuma usar o método StageGate® ou o equivalente.

No H2, a organização amplia seu core business. Aqui, a empresa procura novas oportunidades em seu modelo de negócios existente, experimentando um canal de distribuição diferente, usando a mesma tecnologia com novos clientes ou vendendo a clientes existentes novos produtos, etc. O H2 usa principalmente recursos existentes e tem risco moderado de obter novos recursos para tirar o produto da porta. O gerenciamento no Horizonte 2 funciona por reconhecimento de padrões e experimentação dentro do modelo de negócios atual.

O H3 é onde a empresa coloca seus empreendedores malucos (mavericks), que não se encaixam nos padrões e normas do programa H1, mas que em uma startup, seriam os potenciais CEOs fundadores. Esses inovadores querem criar modelos de negócios novos e potencialmente arriscados. Aqui a empresa está essencialmente incubando uma startup. Eles operam com velocidade e urgência para encontrar um modelo de negócios repetitivo e escalável. As equipes do H3 precisam estar fisicamente separadas das divisões operacionais, em uma incubadora corporativa ou em suas próprias instalações. E precisam de seus próprios planos, procedimentos, políticas, incentivos e KPIs, diferentes dos do H1.

O gerenciamento de produtos para o H2 e H3 usa as ferramentas ágeis e enxutas existentes e comuns ao mundo das startups que trazem velocidade de experimentação, desenvolvimento e validação de produtos mínimos viáveis (MVPs). As equipes são pequenas, pois contam com até 5 pessoas e podem conversar com mais de 100 clientes em 10 semanas e oferecer uma série de MVPs iterativos e incrementais. Este tamanho mínimo de equipes e despesas possibilita às empresas executarem várias iniciativas em paralelo.

As áreas de apoio da corporação que atendem H1 (jurídicas, financeiras, compras e outras) devem apoiar as equipes de H2 e H3.

As inovações bem-sucedidas de H2 e H3 poderão ser adotadas por uma unidade ou divisão H1, as equipes podem crescer para se tornarem um grupo autônomo ou podem ser vendidas ou separadas. Para fazer isso funcionar, os executivos e gerentes do Horizonte 1 precisam de incentivos e descrições de trabalho para apoiar as atividades do Horizonte 2 e 3.

Considerações Finais

“Não basta mudar as estratégias, estruturas e sistemas, a não ser que se mude os pensamentos que as produziu.” – Peter Senge

Os Três Horizontes permitem olhar o presente e o futuro organizacional de uma forma mais ambidestra e coerente, um pensar melhor que parte do conhecido para a transição e finalmente para a transformação. Assim, pode-se trabalhar com os três partindo do momento presente, pois as evidências sobre o futuro podem ser vistas pelos comportamentos atuais.

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Sobre o autor:

Nei Grando é diretor executivo da STRATEGIUS, teve duas empresas de tecnologia, é mestre em ciências pela FEA-USP com MBA pela FGV, organizador e autor do livro Empreendedorismo Inovador, é mentor de startups e atua como consultor, professor e palestrante sobre estratégia e novos modelos de negócio, inovação, organizações exponenciais, transformação digital e agilidade organizacional.

Detalhes: aqui, Contato: aqui.

Artigos referência:

Livros:

  • Baghai, M., Coley, S., White D. (1999). The alchemy of growth: practical insights for building the enduring enterprise. New York: Perseus.

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