Escolhendo os sócios ao empreender

Na jornada de empreender é preciso: um motivo (propósito); uma razão (por que?); uma paixão (ideia); um desejo/vontade (querer fazer); um comportamento (escolha de valores); um jeito próprio de ser (estilo); escolher um caminho (estratégia); escolher os companheiros (sócios e equipe); estabelecer os marcos; tentar prever os obstáculos (dificuldades, riscos); obter os recursos necessários; planejar; saber como executar (desenvolver, produzir, divulgar, vender, entregar); e muito mais.

Segundo  Joseph Schumpeter[1], o empreendedor precisa ser alguém versátil, que possui as habilidades técnicas para saber produzir, e capitalista, que consegue reunir recursos financeiros, organizar as operações internas e realizar as vendas da sua empresa.

Empreender também requer fazer escolhas, como por exemplo: iniciar individualmente (só) ou coletivamente (com sócios)? Atuar como serviços, comércio ou indústria? Ter um negócio próprio ou uma franquia? Atender empresas (B2B) ou usuários finais (B2C); Utilizar um canal de vendas físico ou virtual?

Tendo em vista os desafios e as habilidades necessárias para construir e gerir um negócio, decidir fazê-lo com um ou mais sócios é uma opção atraente. Mas como escolhê-los? E como alinhar as expectativas de cada um, manter bom relacionamento e evitar conflitos?    

            É disso que trata este artigo, questões societárias básicas.

Compartilhando o peso de empreender

Quando se pensa em ter um sócio para dividir o lucro do negócio, a primeiro ponto a se levar em conta é por que ter um sócio? Ou, ainda melhor, para que é que eu preciso ter um sócio?

Percebe-se um ambiente de negócios cada vez mais imprevisível, dinâmico, ininterrupto e acelerado. Empreender nesse ambiente não é uma tarefa fácil, pois conforme BENNETT e LEMOINE (2014) agora a gestão inclui volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade,  exigindo mais flexibilidade e agilidade aos decisores das empresas.

Em maio de 2011, ocorreu na FIAP, em São Paulo, um evento de tecnologia chamado GoaP – Geeks on a Plane, e nele, um dos palestrantes, investidor da região de Silicon Valley dos EUA, disse que a maioria das startups que obteve sucesso por lá, tinha dois ou mais sócios e destacou que carregar todo o peso de uma empresa sozinho não é uma tarefa fácil.

O relatório Startup Genome[2] aponta que fundadores solitários de empresas levam 3,6 vezes o mais tempo para atingir o estágio de crescimento em escala da startup do que as empresas com dois sócios.  Ou seja, sociedades com dois parceiros de negócios em sintonia geram sinergia, “1 + 1 é mais que 2”.

Mesmo sem ter as estatísticas do Brasil nesta área, pode-se imaginar cenários semelhantes nos quais fica mais fácil se conduzir uma empresa compartilhando as responsabilidades do negócio com um bom parceiro, alguém ético, que tenha paixão pelo que faz, muita vontade de trabalhar, e com competências complementares às do cofundador, suportando as pressões do dia-a-dia e transmitindo energia positiva para incentivar as pessoas a sua volta.

Vale lembrar que, por diversas razões, o risco de continuidade em uma empresa dependente de apenas um sócio é maior, podendo inclusive dificultar o acesso a recursos financeiros de investidores.

Sócio é um recurso muito caro

TRIAS DE BES (2008), aponta o sócio como o mais caro dos recursos de uma empresa, pois é com ele que o lucro será dividido. Um sócio é um recurso a mais, porém, às vezes, é possível encontrar outras formas de substituí-lo sem precisar fornecer participação na sociedade.

Um dos motivos que pode levar o empreendedor a se associar é o medo. O medo de empreender, de correr riscos, errar ou de não dar conta do que precisa ser feito; o medo de estar só e, às vezes, até mesmo o medo de tomar decisões. Para empreender sozinho, é necessário ser capaz de suportar as pressões do dia a dia, principalmente as que são causadas por eventos inesperados. Esses eventos podem ser internos, como um colaborador chave pedir demissão de uma hora para outra, ou podem ser externos, como um fornecedor que não entregou a mercadoria no prazo, o aumento repentino de custo de insumos, um novo concorrente que surgiu ou até mesmo alguma mudança radical na economia. É preciso saber tomar decisões, e rápido, mas não apressadamente. (TRIAS DE BES,2008).

Empreender requer uma visão particular das coisas, uma mistura de intuição e visão de negócio, difícil de compartilhar e alinhar com a visão de outras pessoas. Decidir sozinho permite decidir rápido, e isto é uma vantagem.

Em sociedade, algumas decisões requerem a aprovação de todos ou pelo menos da maioria, e isto pode levar algum tempo. Nesse sentido, para as coisas acontecerem rápido, alguém deve ser designado como responsável pelas decisões finais, com poder e autoridade de comando, direção e ordem.

Algumas perguntas para reflexão:

  • É realmente necessário um sócio e dividir parte do capital?
  • O que esse sócio pode fazer pelo negócio que eu não posso?
  • A escolha desse parceiro de negócios está sendo feita pela razão certa? Qual a motivação?
  • Que capital (R$) e quais outros recursos físicos e intangíveis o sócio trará para o negócio? O quanto de valor realmente será acrescentado ao negócio?
  • Os objetivos de curto, médio e longo prazos estão em sintonia?
  • Existem outras maneiras para preencher a falta de conhecimento ou capacidades sem que eu precise ter um sócio?

Alguns recursos que podem substituir a necessidade de um sócio:

  • Se precisar apenas de dinheiro, procure uma linha de crédito, um fundo de capital de risco, um investidor ou um banco.
  • Se precisar de ajuda, contrate um profissional.  Preferencialmente alguém que seja especialista na função ou atividade escolhida: gestor administrativo, gestor financeiro, gestor de vendas, ou outro.
  • Se precisar de alguém para fazer uma parte do negócio, a qual não domina e não faça parte do núcleo do negócio, terceirize para quem tem competência.
  • Se quiser companhia, para não tomar decisões precipitadas, converse com outros empreendedores; participe de feiras e eventos, fóruns de negócio etc.
  • Se precisar de conselhos técnicos, contrate um consultor;
  • Se precisar de conselhos legais, contrate um advogado.

Observações:

  • Se decidir contratar alguém ou terceirizar procure fazer isto com cautela, seja criterioso na seleção dos candidatos e só faça isso no momento que realmente estiver precisando da pessoa ou empresa, preferencialmente depois de ter bons clientes pagantes, ou seja, fluxo de caixa positivo.

Características do Sócio Ideal

Um bom sócio, mais do que um recurso, é alguém integro, de bom caráter, com perfil complementar de personalidade e de competências, que tem muita vontade de trabalhar, sintonizado com os demais sócios e com os objetivos do negócio e que realmente agregue valor à sociedade. É preciso que tal parceiro de negócios tenha paixão, coragem, preparo e determinação para empreender.  Não pode ser apenas alguém legal que parece levar jeito para a coisa. Vale lembrar que a escolha desse novo cotista é bilateral ou multilateral, ou seja, tanto a empresa quanto o candidato estarão decidindo. Para isso, é importante conhecer melhor a si mesmo e o outro, o que pode levar algum tempo. (GERBER, 2012; WELCH, 2005).

WELCH (2005), ao discorrer sobre liderança, apresenta um método que utilizou na General Electric. Nele, apresenta algumas características essenciais a um líder:

  • Integridade (sinceridade) – pois diz a verdade, cumpre as promessas, assume responsabilidades por suas ações passadas, reconhece seus erros e os conserta, conhece as leis do país e as regras da empresa e as cumpre, joga para ganhar de maneira honesta seguindo as regras.
  • Inteligência – pois têm curiosidade intelectual, conhecimentos e capacidade para trabalhar com outras pessoas.
  • Maturidade – pois enfrenta bem as situações de sufoco, sabe lidar com o estresse e retrocessos, nos momentos maravilhosos curte o sucesso, respeita as emoções alheias, é confiante, mas não é arrogante, tem senso de humor, principalmente a respeito de si mesmo.

Se o candidato passou por estas características essenciais, WELCH (2005) então continua em frente, recomendando verificar os 4Es e 1P a saber:

  • Energia positiva – pois avança, prospera na ação e curte a mudança, é geralmente extrovertido e otimista, conversa com naturalidade e faz amizade com facilidade, começa o dia com entusiasmo e geralmente o termina da mesma maneira, raramente parece cansado durante a jornada, não se queixa do excesso de trabalho, gosta de trabalhar mas também gosta de se divertir e ama a vida.
  • Energização – tem a capacidade de energizar os outros, inspirar a equipe a aceitar desafios e/ou o impossível e vibrar com a missão, deve conhecer profundamente o negócio e ter forte capacidade de persuasão.
  • Estofo – ou seja, a coragem de tomar decisões difíceis do tipo sim ou não, sabe quando partir para a ação, mesmo com poucas informações arrisca e usa a intuição.
  • Execução – faz o que é preciso fazer (o trabalho), converte decisões em ações e persiste até a conclusão, supera as resistências, vence o caos e transpõe os obstáculos inesperados, sabe vencer e conseguir resultados.
  • Paixão – tem uma vibração sincera, profunda e genuína em relação ao trabalho, importa-se de verdade com a vitória dos colegas, colaboradores e amigos; ama aprender a crescer e é estimulado/a quando outras pessoas ao redor também aprendem e crescem; não vibra apenas com o trabalho, demonstra paixão por tudo, pois tem a seiva da vida nas veias.

Esses podem parecer adjetivos de super-herói, mas são um ideal a buscar. É raro encontrar um profissional para gestão ou um pretendente a sócio com todas essas qualidades, mas essa lista, pelo menos, serve como guia comparativa, nos ajudando a avaliar as características do possível sócio. Podem também servir para uma avaliação pessoal de qualidades e defeitos, como instrumento de autorreflexão.

Ao longo do convívio e/ou durante uma boa conversa com perguntas apropriadas é possível identificar os comportamentos típicos da pessoa, seus hábitos, seus pontos fortes e seus pontos fracos. Afinal, o objetivo é encontrar alguém competente, leal, ético/a, de confiança e comprometido/a.

Perfis de sócios a serem evitados

Segundo GERBER (2012) Ao analisar um potencial sócio deve-se considerar alguns perfis que, quando são exagerados devem ser evitados:

  • O dono da ideia – a ideia do negócio é importante e tem valor, mas sem a devida execução, esse valor fica próximo de zero. Se o provável sócio é apenas a pessoa que trouxe a ideia do negócio, isso não basta. Para fazê-la tornar-se realidade, é preciso investimento e muito trabalho. O dono da ideia terá de participar de tudo, precisará fazer sua parte.
  • O perfeccionista – perfeccionismo[3] é um defeito e não uma virtude. Muitas vezes, a busca da perfeição em um plano ou uma tomada de decisão pode mascarar uma procrastinação ou o medo de fazer acontecer. O profissional deve buscar a excelência e mitigar riscos, mas deve também ter equilíbrio e iniciativa.
  • O acadêmico – a base acadêmica pode ser muito útil ao negócio, um doutor pesquisador pode ter muito a contribuir, mas é bom certificar-se de que o potencial sócio saiba distinguir a teoria da realidade. Na prática nem tudo acontece como ensinam os livros, sendo necessário considerar a realidade do mercado entre outros fatores.
  • O dono da razão – algumas pessoas pensam que estão sempre certas, são influenciadoras e até mesmo manipuladoras. Têm dificuldade de ouvir e aceitar as ideias e opiniões de outras pessoas. Muitas vezes são verdadeiros ditadores que odeiam ser contrariados. Vale lembrar que a empatia, a colaboração e a boa comunicação são essenciais em uma sociedade.
  • O folgado – a vida pessoal é importante, mas a fase inicial de uma empresa vai exigir sacrifícios. Muitos dizem que haverá alegria, mas que exigirá dos sócios: “sangue, suor e lágrimas”, ou seja, muito trabalho. Algumas pessoas tendem a não dedicar o mesmo tempo ao trabalho do que outras. Elas sempre têm algo pessoal urgente e/ou importante a fazer, estão sempre precisando de uns dias de folga e dificilmente repõem o tempo usado com horas de trabalho adicional em outros dias. É preciso cuidado para não trazer para o negócio alguém que nunca aparece. Antes de escolher um sócio, verifique se o estágio atual de vida dele ou dela é compatível com o seu, exemplo: solteiro/a versus casado/a com filhos pequenos.
  • O gastão – uma empresa iniciante geralmente não tem muitos recursos financeiros. Um sócio “boa vida”, que não tem responsabilidade com o gasto do dinheiro da empresa ou que mistura despesas pessoais com as da sociedade pode destruir o negócio em pouco tempo. O ideal é alguém que valorize cada centavo ganho ou a ser investido no negócio. É fundamental estabelecer claramente de que forma o dinheiro da empresa será usado.

Além desses perfis exagerados, existe um outro tipo de sócio que deve ser considerado com cuidado: o parente. Muitas empresas familiares dão certo, a confiança costuma ser o principal motivo para esse tipo de sociedade, mas vale lembrar que ter o marido ou a esposa como sócios pode prejudicar o relacionamento do casal. Ter o irmão ou irmã como sócios pode ser muito interessante a princípio, mas imagine se não der muito certo trabalhar juntos, como administrar os conflitos? Como seria a separação? Uma coisa é despedir um funcionário, outra é terminar a sociedade com um ex-amigo, por exemplo, já a pior situação de todas é ter que pedir um rompimento societário com um parente e depois ter que encontrá-lo no círculo familiar.

Uma conversa franca

Antes de escolher o sócio ou a sócia é bom ter uma conversa a dois de portas fechadas, e, então dialogar sobre: visão política, religiosa, time que torcem, maus hábitos e estilo de trabalho; dívidas e/ou obrigações financeiras que cada um tem; informações que seriam reveladas ao checar antecedentes de crédito; se há alguma disputa jurídica pessoal ou corporativa em aberto ou do passado, ou potenciais problemas que podem surgir a qualquer momento; obrigações pessoais, empresariais ou de estudo que podem afastá-lo/a das atividades na empresa; desejos de participação de capital e trabalho na sociedade, bem como outros pontos a serem considerados em um acordo formal; informações sobre cônjuge, pais, irmãos e filhos; visão para o negócio e outros pontos que achar relevante para ajudar na tomada de decisão de se associar ou não. Lembre-se de que a confiança mútua será fundamental na caminhada. (GERBER, 2012).

O que deve ser combinado entre os sócios

Ao escolher um ou mais sócios para o empreendimento, algumas coisas precisam ser combinadas e ficar muito claras. Advogados e investidores, recomendam ter tudo documentado num acordo de cotistas[4], um documento que complementa o contrato social[5] exigido por lei. Quando se coloca o que foi combinado num documento, fica difícil alguém falar depois em uma conversa: “eu não disse isso” ou “não foi bem isso que eu quis dizer”. Antes mesmo da sua função legal, esse documento tem o papel de lembrar os envolvidos sobre aquilo que foi combinado e, por isso, deve ser muito bem redigido, lido, e conferido antes de ser assinado pelas partes. Isso separa o relacionamento de amizade do profissional e evitará, ou pelo menos diminuirá, muito os conflitos, discussões e até mesmo as brigas no futuro.  O apoio e as orientações de um advogado experiente são recomendados neste caso, e é claro que o acordo poderá ser alterado no futuro com o consentimento de todos.

O que deve conter o acordo de cotista

O mais importante é saber qual será o papel de cada um na sociedade. Não só o cargo, mas também as funções, ou seja, qual “chapéu” ou quais os “chapéus” que usarão. Quais serão suas responsabilidades e qual será a remuneração por esse trabalho. É importante separar bem a participação no lucro da empresa, que está relacionada com as cotas da sociedade, da remuneração pelas atividades. 

Outro item fundamental é com relação à saída de um dos sócios, a conhecida cláusula de exit. É importante combinar desde o início da sociedade como será a separação, ou seja, o que será feito se um dos sócios quiser deixar a empresa, ou, ainda mais grave, se um dos sócios quiser que o outro deixe a empresa.

Além de estipular o capital inicial, deve ser combinado em que situações poderão ser feitos aportes adicionais de dinheiro e como serão os procedimentos.

O documento deve indicar quem autoriza pagamentos e assina os cheques.

Cuidados adicionais devem ser tomados com relação a sócios investidores, que só entram com o capital no negócio.

Observação:

As sociedades de responsabilidade limitada correspondem a mais de 90% das sociedades (empresas com mais de um sócio) legalmente formalizadas no Brasil. Uma sociedade assim visa à proteção do patrimônio pessoal dos sócios, ou seja, se a sociedade não der certo ou tiver um insucesso comercial, os sócios responderão no limite do capital social pré-estabelecido em contrato. E, assim estará preservado o patrimônio pessoal de cada um dos sócios. No entanto, é preciso tomar cuidado para ter impostos e taxas pagos em dia e estar atento para não misturar dinheiro pessoal com o da pessoa jurídica. Se houver um insucesso e for constatada uma confusão patrimonial ou sonegação fiscal, o juiz poderá considerar que os bens pessoais foram adquiridos com o dinheiro da empresa, então cai por terra a responsabilidade limitada.

Considerações finais

Este artigo descreveu de forma introdutória e resumida informações importantes sobre a relação entre sócios, porém, conforme a introdução, na jornada empreendedora, existem muitas outras áreas do conhecimento a considerar na criação e gestão de uma empresa, assim espera-se que um potencial empreendedor ou sócio – busque pelo menos um mínimo de tais conhecimentos, além do apoio de mentores e advisors, para reduzir os riscos e incertezas que fazem parte de um negócio na prática.


Autor

Nei Grando – diretor executivo da STRATEGIUS, é consultor e palestrante em estratégia, inovação, transformação digital, organizações exponenciais e cidades inteligentes; pesquisador em inteligência artificial; conselheiro de empresas e mentor de startups. Autor do blog neigrando.com – Mestre em ciências pela FEA-USP, graduado em TI pela UEM, com MBA em Administração pela FGV e cursos de extensão em Estratégia e Gestão do Conhecimento (FGV) e Inovação e Redes Sociais (ESPM). Teve duas empresas de software e soluções de TI, onde conduziu o desenvolvimento de portais e plataformas digitais de negócios, internet-banking, home broker, CRM, GED, GC e outros. É o organizador e um dos autores do livro “Empreendedorismo inovador”, e autor em outros três. Como professor, ministrou as disciplinas de “Strategic Thinking” e “Planejamento Estratégico” em curso MBA da FIAP, “Intelligence Driven Decision” e “Fundamentos de Inteligência Artificial” em curso MBA da ESPM e como prof. convidado, no curso “Laboratório de Startups” do CIC-ESPM.

Notas

[1] SHUMPETER (1934)

[2]Veja mais sobre o Startup Genome Report 2011, resultante de pesquisa foi feita com mais de 660 empresas de TI para levantar características de Startups de sucesso, em:

[3] Segundo a Wikipidia: O perfeccionismo é um distúrbio neurótico no qual a pessoa tem um sentimento constante de insatisfação com seu desempenho e dúvidas sobre a qualidade de seu trabalho, o que leva o indivíduo a escrupulosidade, verificações de pormenores, obstinação, prudência e rigidez excessivas prejudicando a sua pontualidade e eficiência.

[4] Esse acordo é similar ao Acordo de Acionistas utilizados pelas sociedades anônimas (S.A.). IBGC (2019), chama este documento de Acordo de Fundadores na fase pré-operacional e Acordo de Sócios após a empresa ser formalizada e operacional.

[5] Orientações para Elaboração de Contrato Social: http://www.dnrc.gov.br/Servicos_dnrc/Orientacoes_e_modelos/elaboracao_contrato.htm

Modelo de Contrato Social: http://www.dnrc.gov.br/Servicos_dnrc/Orientacoes_e_modelos/modelo_basico_contrato.htm

Referências

BENNETT, Nathan; LEMOINE, G. James. What a difference a word makes: Understanding threats to performance in a VUCA world. Business Horizons, v. 57, n. 3, p. 311-317, 2014.

BRASIL. Lei 6.404. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. 15 dez. 1976. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6404consol.htm>. Acesso em: 20 abr. 2019.

FDC – Fundação Dom Cabral. Causa da mortalidade das startups brasileiras: como aumentar as chances de sobrevivência no mercado. 2012. Disponível em: < https://www.fdc.org.br/conhecimento/publicacoes/artigo-29767>. Acesso em: 20 abr. 2019.

GERBER, Scott. Nunca procure um emprego! Dispense o chefe e crie o seu próprio negócio sem ir à falência. São Paulo: Évora, cap.6, p.92-103, 2012.

GRANDO Nei. Só ou acompanhado? A escolha de sócios. In: GRANDO, Nei. (ORG). Empreendedorismo inovador: Como criar Startups de Tecnologia no Brasil. São Paulo: Évora, cap.4, p.54-72, 2012. 

IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. Governança Corporativa para Startups & Scale-ups. São Paulo: IBGC, 2019.

SCHUMPETER, Joseph A. The theory of economic development: An inquiry into profits, capital, credit, interest, and the business cycle. Transaction publishers, v.55, 1934.

STARTUP COMMONS. “Startup Development Phases”. Disponível em: <http://www.startupcommons.org/startup-development-phases.html&gt;. Acesso em: 20 abr. 2019.

TRIAS DE BES, Fernando. O Livro Negro do Empreendedor: Depois não diga que não foi avisado. Rio de Janeiro: Best Seller, cap.6, p.56-61, 2008.

WELCH, Jack.  Paixão por Vencer. São Paulo: Campus, 2005

Artigos relacionados

Novidades em Inteligência Artificial, segundo o Gartner (2022)

As inovações de IA continuam a oferecer grandes benefícios aos negócios e as taxas de adoção vão acelerar nos próximos anos. Veja as perspectivas e o impacto.

Este é um artigo um tanto técnico, voltado para líderes e gestores organizacionais envolvidos com a área de Tecnologia da Informação (TI) e Inteligência Artificial (IA).

O Gartner Hype Cycle™ 2022 for Artificial Intelligence (AI) identifica inovações obrigatórias em tecnologia e técnicas de IA que vão além da IA ​​cotidiana que já está sendo usada para adicionar inteligência a aplicativos de negócios, dispositivos e ferramentas de produtividade anteriormente estáticos.

Notavelmente, o AI Hype Cycle está cheio de inovações que devem gerar benefícios altos ou mesmo transformacionais”, diz Afraz Jaffri, analista diretor do Gartner. “Preste atenção especial às inovações que devem atingir a adoção geral em dois a cinco anos, incluindo IA composta, inteligência de decisão e IA de ponta. A adoção antecipada dessas inovações pode gerar uma vantagem competitiva e valor comercial significativos e aliviar os problemas associados à fragilidade dos modelos de IA”.

As inovações de IA se dividem em quatro categorias

Espera-se que a ampla gama de inovações de IA impacte pessoas e processos dentro e fora de um contexto empresarial, tornando-os importantes para muitas partes interessadas, desde líderes de negócios até equipes de engenharia corporativas encarregadas de implantar e operacionalizar sistemas de IA.

Os líderes de dados e análises (D&A) têm mais a ganhar, no entanto, ao usar a perspectiva do Hype Cycle para elaborar suas estratégias de IA para o futuro e usar tecnologias que oferecem alto impacto no presente.

As inovações de IA no Hype Cycle refletem prioridades complementares e às vezes conflitantes em quatro categorias principais:

  • IA centrada em dados
  • IA centrada em modelos
  • IA centrada em aplicativos
  • IA centrada no ser humano

IA centrada em dados

A comunidade de IA tradicionalmente se concentra em melhorar os resultados das soluções de IA ajustando os próprios modelos de IA, mas a IA centrada em dados muda o foco para aprimorar e enriquecer os dados usados ​​para treinar os algoritmos.

Ao abordar as considerações de dados específicas de IA, a IA centrada em dados interrompe o gerenciamento de dados tradicional, mas as organizações que investem em IA em escala evoluirão para preservar ideias clássicas de gerenciamento de dados e ampliá-las para IA de duas maneiras:

  • Adicione recursos necessários para o desenvolvimento conveniente de IA por um público focado em IA que não está familiarizado com o gerenciamento de dados.
  • Use a IA para melhorar e aumentar os clássicos eternos de governança de dados, persistência, integração e qualidade de dados.

As inovações em IA centrada em dados incluem dados sintéticos, gráficos de conhecimento, rotulagem de dados e anotações.

Dados sintéticos, por exemplo, são uma classe de dados que são gerados artificialmente em vez de obtidos de observações diretas do mundo real. Os dados podem ser gerados usando diferentes métodos, como amostragem estatisticamente rigorosa de dados reais, abordagens semânticas e redes adversárias generativas ou criando cenários de simulação onde modelos e processos interagem para criar conjuntos de dados de eventos completamente novos.

A adoção está aumentando em vários setores, juntamente com o uso em aplicativos de visão computacional e linguagem natural, mas o Gartner prevê um aumento maciço na adoção de dados sintéticos:

  • Evita usar informações de identificação pessoal ao treinar modelos de machine learning (ML) por meio de variações sintéticas de dados originais ou substituição sintética de partes de dados
  • Reduz custos e economiza tempo no desenvolvimento de ML, pois é mais barato e mais rápido de obter
  • Melhora o desempenho de ML à medida que mais dados de treinamento levam a melhores resultados de treinamento

IA centrada em modelos

Apesar da mudança para uma abordagem centrada em dados, os modelos de IA ainda precisam de atenção para garantir que os resultados continuem a nos ajudar a tomar ações melhores. As inovações aqui incluem IA informada por física, IA composta, IA causal, IA generativa, modelos básicos e aprendizado profundo.

A IA composta refere-se à fusão de diferentes técnicas de IA para melhorar a eficiência do aprendizado e ampliar o nível de representações do conhecimento. Como nenhuma técnica de IA é uma solução mágica, a IA composta fornece uma plataforma para resolver uma ampla gama de problemas de negócios de maneira mais eficaz.

Espera-se que alcance a adoção geral em dois a cinco anos, os benefícios comerciais da IA ​​composta provavelmente serão transformacionais, permitindo novas maneiras de fazer negócios em todos os setores que resultarão em grandes mudanças na dinâmica do setor. Por exemplo, a IA composta:

  • Leva o poder da IA ​​a um grupo mais amplo de organizações que não têm acesso a grandes quantidades de dados históricos ou rotulados, mas têm experiência humana significativa
  • Ajuda a expandir o escopo e a qualidade dos aplicativos de IA (ou seja, mais tipos de desafios de raciocínio podem ser incorporados)

AI Causal inclui diferentes técnicas, como gráficos causais e simulação, que ajudam a descobrir relações causais para melhorar a tomada de decisões. Embora leve de 5 a 10 anos para que a IA causal alcance a adoção geral, espera-se que os benefícios de negócios sejam altos – permitindo novas maneiras de realizar processos horizontais ou verticais que resultarão em aumento significativo de receita ou economia de custos para uma empresa. Os benefícios causais da IA ​​incluem:

  • Eficiências ao adicionar conhecimento de domínio a modelos de IA causais de bootstrap com conjuntos de dados menores
  • Maior aumento de decisão e autonomia em sistemas de IA
  • Melhor explicabilidade ao capturar relações de causa e efeito fáceis de interpretar
  • Mais robustez e adaptabilidade ao alavancar relações causais que permanecem válidas em ambientes em mudança
  • Redução do viés nos sistemas de IA, tornando os vínculos causais mais explícitos

IA centrada em aplicativos

As inovações aqui incluem engenharia de IA, inteligência de decisão, sistemas operacionais de IA, ModelOps, serviços de IA em nuvem, robôs inteligentes, processamento de linguagem natural (NLP), veículos autônomos, aplicativos inteligentes e visão computacional.

Espera-se que a inteligência de decisão e a IA de ponta alcancem a adoção geral em dois a cinco anos e tenham benefícios comerciais transformacionais.

A inteligência de decisão é uma disciplina prática usada para melhorar a tomada de decisões ao entender e projetar explicitamente como as decisões são tomadas e como os resultados são avaliados, gerenciados e aprimorados por meio de feedback.

A inteligência de decisão ajuda a:

  • Reduzir a dívida técnica e aumentar a visibilidade e melhorar o impacto dos processos de negócios, aprimorando materialmente a sustentabilidade dos modelos de decisão das organizações com base no poder de sua relevância e na qualidade de sua transparência, tornando as decisões mais transparentes e auditáveis
  • Reduzir a imprevisibilidade dos resultados das decisões capturando e contabilizando adequadamente os fatores de incerteza no contexto de negócios e tornando os modelos de decisão mais resilientes

Edge AI refere-se ao uso de técnicas de IA incorporadas em terminais, gateways e servidores de borda da Internet das Coisas (IoT), em aplicativos que variam de veículos autônomos a análises de streaming. Os benefícios empresariais incluem:

  • Eficiência operacional aprimorada, como sistemas de inspeção visual de fabricação
  • Experiência aprimorada do cliente
  • Redução da latência na tomada de decisões, com o uso de análises locais
  • Redução de custos de conectividade, com menos tráfego de dados entre a borda e a nuvem
  • Disponibilidade de solução persistente, independentemente da conectividade de rede

IA centrada no ser humano

Esse grupo de inovações inclui confiança em IA, gerenciamento de risco e segurança (TRiSM), IA responsável, ética digital e kits de criação e ensino de IA.

Quando a IA substitui as decisões humanas, ela amplifica resultados bons e ruins. A IA responsável permite os resultados certos ao resolver dilemas enraizados na entrega de valor versus tolerar riscos. IA responsável é um termo abrangente para aspectos de fazer escolhas éticas apropriadas aos negócios ao adotar a IA, incluindo valor comercial e social, risco, confiança, transparência, justiça, mitigação de preconceitos, explicabilidade, responsabilidade, segurança, privacidade e conformidade regulatória. A IA responsável levará de 5 a 10 anos para alcançar a adoção geral, mas terá um impacto transformacional nos negócios.

A ética digital é uma tendência de curto prazo (dois a cinco anos) que provavelmente terá um alto impacto nos negócios. A ética digital compreende os sistemas de valores e princípios morais para a condução das interações eletrônicas entre pessoas, organizações e coisas. Essas questões, especialmente no que se refere à privacidade e preconceito, continuam sendo motivo de preocupação para muitos. As pessoas, cada vez mais conscientes de que suas informações são valiosas, ficam frustradas com a falta de transparência, uso indevido e violações. As organizações estão agindo para mitigar os riscos em torno do gerenciamento e da proteção de dados pessoais, enquanto os governos estão implementando uma legislação mais rígida.

Muitas organizações ainda ignoram a ética digital, porque acham que ela não se aplica ao seu setor ou domínio, mas o Gartner prevê que até 2024, 30% das grandes organizações usarão uma nova métrica de “voz da sociedade” para atuar em questões sociais e avaliar o impacto no desempenho de seus negócios. As organizações precisarão integrar a ética digital em suas estratégias de IA para reforçar sua influência e reputação entre clientes, funcionários, parceiros e sociedade.

Resumidamente

  • O Gartner Hype Cycle™ de 2022 para Inteligência Artificial apresenta inovações “imperdíveis” que devem gerar amplos benefícios para qualquer organização.
  • Essas inovações vão além das técnicas cotidianas de IA já usadas para adicionar inteligência a aplicativos de negócios, dispositivos e ferramentas de produtividade anteriormente estáticos.
  • Preste atenção antecipada às inovações que devem atingir a adoção geral em dois a cinco anos, incluindo IA composta, inteligência de decisão e IA de ponta.

Referência

Traduzido e levemente adaptado de What’s New in Artificial Intelligence from the 2022 Gartner Hype Cycle, by Jackie Wiles – Gartner, 2022.

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Inteligência Artificial na Estratégia de Marketing

Sou pesquisador do Núcleo Decide pela FEA-USP / CNPq, onde desde 2020 estamos pesquisando sobre o uso da inteligência artificial na tomada de decisões das organizações, e professor da disciplina Fundamentos da Inteligência Artificial na pós-graduação da ESPM. Nesse sentido, os temas sobre tomada de decisão, estratégia, inovação, marketing e inteligência artificial fazem parte do meu escopo de pesquisa, estudo, ensino e consultoria.

Ao pesquisar sobre estes temas, encontrei o artigo “Artificial Intelligence (AI) in Strategic Marketing Decision-Making: A research agenda”, de Merlin Stone e outros autores, vide referência, o qual traduzi, resumi e adaptei, como segue. Acredito que o texto pode ser útil a todo gestor de marketing que queira ser mais orientado a dados em suas decisões e deseje utilizar a IA como aliada na busca por agilidade e resultados melhores em suas atividades.

Introdução

Este artigo enfoca a evolução da prática de marketing e, em particular, a possível aplicação da inteligência artificial (IA) à tomada de decisões estratégicas de marketing.

A fronteira entre humanos e computadores na tomada de decisões está mudando. Hoje, a IA é cada vez mais implantada em operações de marketing, por exemplo, identificação de riscos, gerenciamento de resposta do centro de contato, bem como em publicidade de marketing, incluindo análise e direcionamento de clientes, design e seleção de publicidade para corresponder aos clientes-alvo, precificação para maximizar o rendimento de clientes individuais. Num futuro próximo, espera-se que a IA seja empregada na tomada de decisões estratégicas, por exemplo, quais modelos de negócios usar, quais estratégias seguir, quais mercados segmentar, quais produtos comercializar, quais canais de comunicação e distribuição usar, quais estratégias de preços e posicionamento competitivo seguir etc. No entanto, o uso da IA ​​na estratégia de marketing não tem sido muito discutido no domínio público. Contatos com a indústria indicam que algumas empresas avançaram muito nessa área, mas esses projetos são mantidos em sigilo e tratados como fonte de vantagem competitiva.

Ressalta-se, neste ponto, que o foco não está na substituição da tomada de decisão humana nas decisões estratégicas, mas na criação de um mecanismo de tomada de decisão de maior qualidade, usando IA, para que os profissionais de marketing tenham acesso a informações mais rápidas, completas e opções mais elaboradas para escolher e a criação do quadro teórico associado.

Hoje a IA é vista principalmente como um suporte às grandes decisões de negócios e não como um tomador de decisão – exceto em alguns casos operacionais, mas atribuem isso ao fato de que a IA atualmente constituída é relativamente fraca, em comparação com o que será a forte IA do futuro.

Este artigo tem como perspectiva negócios business-to-consumer (B2C) e das empresas que vendem aos consumidores através de outros negócios (conhecidos como B2B2C).

Os benefícios

Espera-se que os benefícios da aplicação da IA ​​à tomada de decisões estratégicas de marketing incluam:

  • Maior velocidade de tomada de decisão, especialmente em resposta à disponibilidade de novos dados ou ameaças competitivas emergentes, permitindo que as empresas capturem os benefícios de posições de mercado mais fortes mais cedo.
  • Identificação de dados perdidos.
  • Aumento da racionalidade, particularmente por meio da remoção ou redução do viés cognitivo por parte dos tomadores de decisão.
  • Criação de uma base comum para a tomada de decisões.
  • Incorporação do aprendizado da experiência.
  • Maior qualidade na gestão dos projetos de marketing.

Exemplos de aplicação

Existem maneiras pelas quais a IA pode ser usada em diferentes áreas de tomada de decisão e planejamento de marketing. Nem sempre há uma separação clara entre estratégia de marketing e estratégia de negócios. Tampouco há uma separação clara entre a estratégia geral de marketing e a estratégia para os diferentes elementos do mix de marketing. Por exemplo, as decisões sobre os canais de marketing têm aspectos estratégicos, bem como aspectos táticos, principalmente porque as abordagens digitais alteram o equilíbrio entre os canais e os papéis que os diferentes canais desempenham. Essas decisões podem afetar todos os aspectos do marketing.

Segue uma amostra de possíveis mudanças que o digital fez em diferentes atividades de marketing, pois a digitalização do marketing é uma pré-condição para que os dados sejam disponibilizados para a IA, ​​e exemplos de possíveis implantações da IA. São considerados a IA no Marketing Estratégico, a IA no Mix de Marketing e a IA na Gestão do Marketing, com diversos subtópicos.

IA no Marketing Estratégico

Estratégia geral – mercados-alvo, mix de marketing para cada um, objetivos, KPIs, metas etc.

Permite que as informações para a tomada de decisões sejam reunidas e automatizadas rapidamente, e os resultados de diferentes estratégias sejam analisados mais rapidamente para que a estratégia possa ser revisada em uma abordagem de experimentação com testes e aprendizado.

Exemplos:

  • Avaliando rapidamente diferentes resultados com base em estratégias alternativas.
  • Auxiliando na tomada de decisões rápidas para escolher aquelas com maior probabilidade de produzir melhores resultados.

Modelo de negócio de gestão de clientes

Refere-se a quais clientes a empresa deseja adquirir, reter, desenvolver (up-sell e cross-sell) e alienar, com quais receitas e custos resultantes, para atingir seus objetivos estratégicos, em vez de atender às metas de determinados elementos do mix de marketing isoladamente.

Exemplos:

  • Usando tecnologia como aprendizado de máquina para ajudar a “alcançar” públicos semelhantes.
  • Quantificando e explorando as consequências de diferentes modelos de negócios.

Marca geral e proposta

Dependendo se a empresa está envolvida em muitos tipos diferentes de produtos e mercados, pode se aplicar a toda a empresa ou a partes dela, mas em um nível mais alto do que produtos e serviços individuais – com diferentes abordagens de marca adotadas em diferentes canais.

Exemplo:

  • Identificando resultados de investimentos de marca, recomendando investimentos futuros e estratégia de canal.

Desenvolvimento de novas fontes de receita

Refere-se ao desenvolvimento de receita usando uma forma ou a introdução de um novo produto ou serviço que é, de alguma forma, diferente das formas existentes – pode envolver qualquer ou todos os elementos do mix de marketing e diferentes mercados.

Exemplo:

  • Identificando fluxos de receita para a base de clientes existente e para novos mercados para acelerar o lançamento.

Gestão de ecossistemas, parcerias, terceirização e redefinição da cadeia de valor

Como empresas e parceiros (fornecedores e fabricantes), que trabalham em estreita colaboração, são organizados para garantir que a estratégia geral de marketing (e negócios) da empresa seja desenvolvida e entregue, e como os ganhos de trabalhar juntos são compartilhados.

Exemplo:

  • Identificando as partes mais produtivas do ecossistema e as lacunas no desenvolvimento do ecossistema.

Estratégia competitiva – quem são os principais concorrentes, visando a vitória e a defesa

Como os concorrentes diretos e indiretos são identificados, suas estratégias descobertas e compreendidas e como a empresa cria estratégias para evitar, sempre que possível, os efeitos negativos da concorrência.

Exemplo:

  • Identificando sinais fracos de concorrência iminente.
  • Identificando pontos fracos na estratégia própria e da concorrência.

Gestão de recursos

Permite que os custos e benefícios gerais de diferentes estratégias sejam medidos e analisados mais rapidamente para ajustar os recursos – nos períodos de pico de demanda.

Exemplo:

  • Analisando os dados para identificar riscos, recompensas e resultados/ possíveis cenários de planejamento.

IA no Mix de Marketing

Marca

O lócus das marcas de muitas empresas mudou do mundo real para o virtual, com muitas marcas de muitas outras sendo fortemente afetadas pelo que se fala sobre elas no mundo virtual.

Exemplos:

  • Acompanhando a mudança da imagem da marca usando evidências da web, principalmente das mídias sociais.
  • Encontrando evidências das causas da mudança de marca e perda de participação de mercado.

Produtos

A entrada do cliente no design do produto (design colaborativo) pode ser obtida muito mais rapidamente.

Os clientes podem projetar seus próprios produtos com mais facilidade. Os projetos podem ser testados e revisados mais rapidamente, enquanto os problemas podem ser identificados e corrigidos com mais rapidez e facilidade usando uma variedade de canais digitais e ferramentas de colaboração.

Exemplos:

  • Sintetizando a entrada de clientes.
  • Simulando resultados de novos designs de produtos de formulações.

Proposição

A proposta pode ser mais sintonizada com os mercados-alvo e o envolvimento dos clientes com diferentes propostas podem ser entendidos mais rapidamente, com alterações iterativas feitas e testadas para obter mais feedback.

Exemplo:

  • Identificando quais proposições funcionam melhor por meio de feedback e testes do cliente.

Preço

Os preços podem ser adaptados mais facilmente para diferentes clientes. O gerenciamento de rendimento pode ser aplicado em novas áreas.

Exemplo:

  • Redefinindo as estratégias de preços com base nos resultados de diferentes abordagens de gerenciamento de rendimento.

Publicidade

A publicidade em site/mobile/digital está gradualmente usurpando a publicidade em mídia física convencional, permitindo maior rastreabilidade e melhor avaliação do retorno do investimento. Isso está levando a uma indefinição da distinção entre publicidade digital e outros métodos de comunicação de marketing. A automação aplicada à publicidade por meio de abordagens programáticas e semelhantes está aumentando muito a oportunidade de aplicar abordagens de IA.

Exemplo:

  • Escolha/design de textos, imagens e vídeos para atender segmentos de mercado e indivíduos em diferentes canais e plataformas.

Marketing direto

O marketing direto se expandiu para fora da mídia convencional de correio e telefone para incluir praticamente todas as comunicações de marketing, especialmente digital e CRM, de modo que de alguma forma aparece em todo o marketing, seja iniciado pela empresa ou seus clientes. As indicações, sempre valiosas, se transformaram em recomendações para muitas empresas.

Exemplo:

  • Escolhendo qual forma/combinações de tipos de contato/canais/conteúdo que é apropriado para diferentes mercados-alvo e indivíduos.

Venda pessoal

A venda pessoal agora tem um suporte de informações muito mais forte, enquanto sistemas aprimorados de gerenciamento de vendas, às vezes integrados a sistemas de gerenciamento de resposta, permitem direcionamento, prospecção e gerenciamento de clientes e prospects muito mais eficazes.

Exemplos:

  • Fornecendo resposta personalizada aos indivíduos.
  • Analisando os resultados.
  • Recomendando diferentes maneiras de personalizar.

Relações públicas

O boca a boca eletrônico está substituindo a exposição na mídia convencional, não apenas por meio de redes sociais, mas por todos os aspectos do diálogo na web e em dispositivos móveis – e muitas vezes se desenvolvendo rapidamente e em tempo real. Em alguns setores, as avaliações online tornaram-se críticas para determinar se um produto será vendido, enquanto os influenciadores sociais se tornaram uma parte muito importante do marketing em alguns setores, como viagens, roupas, cosméticos e automotivo.

Exemplo:

  • Identificando padrões de boca a boca, razões para eles, ações sugeridas e sentimento subjacente.

Promoção de vendas

A eficácia das promoções de vendas pode ser avaliada muito mais rapidamente do que nunca, enquanto os canais online facilitam a distribuição de incentivos de compra como cupons, descontos e outros incentivos.

Exemplos:

  • Identificando quais promoções funcionam melhor e mais rapidamente com quais clientes/segmentos de mercado.
  • Identificando quais ofertas devem ser usadas e quando.

Conteúdo

O aumento do número de canais e a importância dos conteúdos (texto, áudio, imagem, vídeo) na persuasão e influência dos clientes tem vindo a destacar-se, sobretudo pela possibilidade de personalizar todo o tipo de conteúdo para segmentos de mercado e agora clientes individuais, suportado pela capacidade de pesquisar, classificar e analisar todos os tipos de conteúdo. O rápido aumento do conteúdo de vídeo, facilitado por melhorias significativas na largura de banda móvel, com mais vindo com o advento do 5G, é um desafio e uma oportunidade, multiplicado pelo uso de mensagens para comunicar conteúdo. A realidade estendida (virtual e aumentada) está mudando a abordagem do conteúdo, permitindo a combinação de experiências reais e digitais. A narrativa de marcas e produtos está sendo muito mais usada, em parte porque suporta o desenvolvimento de conteúdo muito mais rico que pode ser usado em todos os canais de comunicação. No entanto, uma questão que permanece controversa é até que ponto o uso da IA ​​pode apoiar e incentivar a criatividade e aumentar os retornos dela.

Exemplos:

  • Servindo conteúdo para os clientes e prospects certos no momento certo e analisar os resultados de servi-lo.
  • Personalizando o conteúdo para segmentos e clientes-alvo.

Gestão de clientes (aquisição, retenção, desenvolvimento, atendimento ao cliente, experiência do cliente)

Como o estoque do cliente é construído para produtos específicos ou grupos deles, desde as metas estabelecidas até as técnicas usadas para alcançar os resultados desejados e acompanhar o cumprimento do compromisso e das promessas do cliente após a transação.

Exemplos:

  • Otimizando os níveis de estoque em tempo real e ajudando o cliente a reagir à demanda de diferentes segmentos.
  • Automatizando a interação com o cliente (bots)

Distribuição

A web tornou-se um canal de distribuição muito importante para muitos produtos e serviços baseados em informação, bem como alguns produtos físicos e, em muitos mercados, o canal dominante para comunicação de marketing, de modo que as decisões de distribuição e comunicação ficam intimamente ligadas uma à outra, com os clientes que procuram uma resposta imediata às suas solicitações, ou um método simples para comprar quando estiverem prontos.

Exemplos:

  • Otimizando canais.
  • Identificando canais ausentes.
  • Melhorando os tempos de transação e agilize o atendimento.

IA na Gestão do Marketing

Pessoas

Os profissionais de marketing, vendas e serviços podem ser muito mais bem informados sobre o que precisam saber para vender e comercializar melhor, e os resultados de seu trabalho podem ser obtidos e distribuídos com mais facilidade. Eles também podem se beneficiar profissionalmente com mais treinamento em novas ferramentas de marketing digital e como aplicar a tecnologia pessoalmente.

Exemplos:

  • Identificando quais informações devem ser usadas para apoiar diferentes tipos de decisão.
  • Identificando onde os gerentes não estão usando as informações corretas, não têm acesso às informações corretas ou estão interpretando erroneamente as informações que possuem.
  • Fornecendo ferramentas e estruturas para melhor usar as oportunidades criadas pela nova tecnologia de IA.

Análise de marketing

Usar os enormes volumes de dados agora disponíveis para algumas empresas e clientes cada vez mais impacientes por respostas rápidas visando mensagens de saída e resposta rápida a mensagens de entrada pode ser muito mais preciso e oportuno. O tempo tornou-se extremamente importante para capturar a intenção de compra, pois os clientes podem estar no mercado por um período muito curto, pois fazem suas comparações e chegam a suas conclusões usando as montanhas de conteúdo disponíveis das empresas e de seus concorrentes.

Exemplo:

  • Acelerando a análise e sua aplicação – tanto do ponto de vista interno “reativo” quanto do ponto de vista dos clientes que acessam informações relevantes para uma compra.

Pesquisa de mercado

A pesquisa de mercado está cada vez mais on-line, enquanto a obtenção de informações de feedback iniciado pelo cliente e análise de sentimentos (com as permissões apropriadas) estão fornecendo uma nova fonte de informações aos profissionais de marketing sobre como seus clientes atuais e potenciais pensam, sentem e agem.

Exemplos:

  • Obtendo e analisando de conjuntos de dados maiores.
  • Analisando resultados de pesquisas, especialmente quando combinados em diferentes estudos.

Segmentação de mercado

Devido à sua crescente complexidade, a segmentação de mercado está se tornando cada vez mais automatizada. Os resultados de mudanças recentes nas metas e implantação de diferentes elementos do mix de marketing para produzir taxas de resposta e vendas adequadas.

Exemplo:

  • A IA pode ajudar com uma segmentação mais precisa, inclusive permitindo mudanças em tempo real na estratégia.

Dados e sistemas

Os processos de marketing podem ser migrados para os sistemas, cada vez mais rodando na “nuvem” e permitindo que o marketing e a equipe colaborem e melhorem sua eficácia e velocidade de processos como fluxo de trabalho e gerenciamento de projetos. Os sistemas permitem um acesso muito melhor aos dados necessários para a tomada de decisões, desde sobre clientes individuais até decisões estratégicas e, em seguida, para medição, revisão e cálculo do retorno do investimento. A personalização e o marketing baseado em localização deixaram de se tornar palavras de ordem e passaram a ser negócios de rotina para as equipes de marketing mais eficazes. No entanto, eles representam riscos de privacidade significativos, pois os requisitos de proteção de dados se tornaram um foco central para o gerenciamento de marketing. Enquanto isso, os requisitos de integração de dados de diferentes fontes para maximizar a eficácia do marketing, particularmente a integração de suas plataformas de gerenciamento de dados (sistemas centralizados para coletar e analisar grandes conjuntos de dados de fontes diferentes) com suas plataformas de demanda (sistemas que permitem aos compradores de publicidade digital coordenarem suas atividades, incluindo licitações) são essenciais para acompanhar os concorrentes.

Exemplos:

  • Identificando oportunidades para melhorar os retornos da implantação de sistemas.
  • Identificando novas maneiras de acelerar o fluxo de trabalho e uma colaboração para auxiliar no desenvolvimento da velocidade de lançamento no mercado e maior conformidade.

Gerenciamento de recursos de marketing

A automação de marketing permite que os processos de marketing sejam gerenciados de forma mais eficaz, pois o retorno do investimento para diferentes despesas de marketing é calculado e previsto com mais precisão do que os canais tradicionais.

A otimização do gerenciamento de recursos é fundamental com os negócios sendo mais esticados do que nunca por um mercado hipercompetitivo.

Gerenciamento de conteúdo

Gerenciar o crescente volume e variedade de conteúdo requer a manutenção de vários sistemas, e personalizar constantemente o conteúdo para as necessidades e casos de uso de situações específicas é particularmente importante, dada a crescente possibilidade de expor o cliente errado ao conteúdo errado.

A correspondência de conteúdo com o cliente final certo (no momento certo) usa significativamente mais recursos de marketing, portanto, o retorno do custo adicional de melhoria do gerenciamento de conteúdo deve ser medido e aplicado.

Exemplos:

  • Otimizando para clientes individuais.
  • Disponibilizando ferramenta que agiliza a entrega de conteúdos e melhora a sua otimização.

Gerenciando pessoas de marketing

Isso está relacionado a como os profissionais de marketing são recrutados, treinados, desenvolvidos, direcionados e avaliados como profissionais de marketing. Isso é particularmente importante em um cenário de tecnologia digital em rápida mudança, que exige um conjunto de habilidades totalmente novo dos canais e disciplinas tradicionais de marketing.

Exemplo:

  • Identificando os profissionais de marketing mais produtivos e auxiliando na resolução de problemas associados à tomada de decisão de outros.

Modelo operacional de marketing

Com a digitalização, o modelo operacional de marketing está mudando. Um dos melhores exemplos disso é o surgimento da publicidade programática, que está ajudando as empresas que usam a tecnologia a ir além do gerenciamento manual da publicidade para usar a tecnologia para alcançar o nirvana de atribuir o valor correto às diferentes intervenções publicitárias, dada a posse e uso das ferramentas de análise certas para alcançar o público-alvo certo automaticamente.

Exemplo:

  • Otimizando o funcionamento eficiente do modelo, incluindo o uso de aprendizado de máquina para tomar decisões em tempo real sobre públicos e níveis de investimento apropriados.

Finanças de marketing

É essencial identificar de onde vêm a receita e o lucro crucial ao operar em um complexo negócio multicanal e multiproduto/serviço. Dada a redução das barreiras à entrada online, a crescente velocidade de mudança no mercado, para garantir que um negócio está agindo de forma sustentável é preciso apurar muito mais rapidamente. Novas medidas estão sendo usadas, não apenas as financeiras clássicas, que levam em conta, abordagens de portfólio e tração digital.

Exemplo:

  • Identificando os retornos com precisão com mais rapidez e imparcialidade do que a análise humana.

Considerações Finais

O uso da IA em Marketing aos poucos tem evoluído de operacional para tático e estratégico. Gestores de marketing precisam acompanhar esta evolução, assim como a evolução do marketing tradicional com o digital, e a orientação de suas decisões por dados.

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Um abraço, @neigrando

Referência

  • Este post trata-se de uma tradução reduzida e adaptada do artigo acadêmico original (em inglês): “Artificial Intelligence (AI) in Strategic Marketing Decision-Making: A research agenda”, por Merlin Stone, Eleni Aravopoulou, Yuksel Ekinci, e outros autores – de 2020.

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