Pensando além dos limites da “caixinha”

O objetivo deste post é tratar do conceito de pensamento estratégico, algo extremamente necessário aos líderes e gestores da organizações nos dias atuais. Porém antes de adentrarmos neste tópico, vamos “navegar” um pouco mais sobre o significado de pensamento e os tipos de pensamento mais conhecidos.

Sobre o pensar e o pensamento

Conforme a Wikipedia, pensar é uma forma de processo mental ou faculdade do sistema mental que permite aos seres modelarem sua percepção do mundo ao redor de si, e com isso lidar com ele de uma forma efetiva e de acordo com suas metas, planos e desejos. Palavras que se referem a conceitos e processos similares incluem cognição, senciência, consciência, ideia, e imaginação. O pensamento é considerado a expressão mais “palpável” do espírito humano, pois através de imagens e ideias revela justamente a vontade deste. Conforme Piaget, o pensamento é fundamental no processo de aprendizagem, ous seja, ele é construtor e construtivo do conhecimento. Além disso, o principal veículo do processo de conscientização é o pensamento. A atividade de pensar confere ao homem “asas” para mover-se no mundo e “raízes” para aprofundar-se na realidade.

Pensamento crítico

O pensamento crítico e o pensamento estratégico envolvem atividades cognitivas intencionais e orientadas para objetivos. 

Enquanto o “pensamento crítico” enfatiza a reflexão sobre o concreto o “pensamento estratégico” chama a atenção para a reflexão sobre o abstrato.

Pensamento Crítico: habilidades para “escrever, falar, compreender, analisar, refletir, sintetizar, avaliar, raciocínio moral e prático e decisão e julgamento”. Ikuenobe, P. (2001)

O pensamento crítico envolve habilidades para avaliar a precisão, autenticidade e relevância da informação. Envolve também a persistência na comparação de crenças, conhecimento ou observações em relação a um padrão normativo, a fim de identificar falhas. Beyer, B. K. (1985).

Um argumento ou declaração que pode passar por esta lista tem mais chances de ser válido:

  • Clareza (é fácil de entender?)
  • Acurácia (é possível verificar, testar ?)
  • Precisão (é específico, exato ?)
  • Relevância (é importante?)
  • Profundidade (é complexo ?)
  • Amplitude (fornece uma perspectiva?)
  • Lógica (faz sentido?)

Pensamento sistêmico

Na análise isolamos alguma coisa a fim de entendê-la. Por outro lado, organismos vivos ou sistemas sociais, inclusive organizações, não podem ser entendidos pela simples análise.

Um sistema é um todo integrado cujas propriedades essenciais surgem das relações entre suas partes, e o Pensamento Sistêmico é a compreensão de um fenômeno dentro do contexto de um todo maior.

Pensamento linear, não linear e o equilíbrio entre eles

Por pensamento linear: segue uma linha ou direção ordenada, lógica, [analítica,] inferida de pensamentos anteriores e baseada em dados tangíveis ou observáveis.

Charles M. Vance e colegas identificaram sete dimensões-chave distintas, mas altamente interativas e inter-relacionadas, do estilo de pensamento não-linear: intuição, percepção, criatividade, flexibilidade, imaginação, emoção, centrado em valores.

O equilíbrio e a versatilidade nestas habilidades de pensamento fornecem uma base essencial no apoio ao pensamento estratégico (para formulação e implementação da estratégia de negócios).

Pensamento estratégico

“O pensamento estratégico é o processo mental aplicado por um indivíduo, no contexto, para alcançar o sucesso em um jogo ou outro empreendimento. Quando aplicado em um processo de gerenciamento estratégico organizacional, o pensamento estratégico envolve a geração e aplicação de ideias e oportunidades de negócios exclusivas, com o objetivo de criar vantagem competitiva para uma empresa ou organização.” – Jeanne Liedtka

Henry Mintzberg (conforme resumido por Lawrence, 1999) argumenta que “planejamento estratégico é a programação sistemática de estratégias pré-identificadas a partir das quais um plano de ação é desenvolvido. O pensamento estratégico, por outro lado, é um processo de síntese que utiliza a intuição e a criatividade cujo resultado é uma perspectiva integrada do empreendimento.

Hamel e Prahalad (1989) referem-se ao pensamento estratégico como elaboração de arquitetura estratégica, enquanto Raimond (1996) se refere a pensamento estratégico como imaginação criativa.

Os dois diagramas abaixo, mostram a relação entre o pensamento estratégico e o planejamento estratégico.

Neste primeiro diagrama, vemos que o pensamento estratégico, divergente por abrir a mente para inúmeras possibilidades, rompe o alinhamento, com questões tipo “Por que?” e “O que?”. Enquanto que o planejamento estratégico, convergente por focar no que precisa ser feito, utiliza questões tipo “Como?” e “Quando?”.

Neste segundo diagrama, vemos não só os objetivos do pensamento estratégico e do planejamento estratégico, mas também algumas das características chave comentadas anteriormente, bem presentes.

Considerações finais

Para pensar “fora da caixinha” e trabalhar a estratégia organizacional, tão necessária para mudanças, transformação e inovação, o ideal é sair da rotina do escritório, buscar novos conhecimentos e depois ir para um lugar tranquilo, relaxante e que permita fazer questionamentos e reflexões sobre novas possibilidades para se manter competitivo, manter a longevidade da empresa de forma sustentável.

Participar de eventos, conversar sobre estratégia, inovação, liderança, gestão e tendências de comportamento, consumo e de tecnologia com profissionais qualificados nestas áreas também ajuda a mudar a mentalidade (mindset), que nos possibilitará imaginar cursos de ação para a empresa e seus negócios.

Compartilhar é um ato de amor, abraço @neigrando

Autor

Nei Grando – diretor executivo da STRATEGIUS, atua como pesquisador e curador de conteúdo, consultor, professor e palestrante sobre estratégia e novos modelos de negócios, inovação, organizações exponenciais, transformação digital e agilidade organizacional. Teve duas empresas de TI especializada no desenvolvimento de software e soluções de conectividade, onde atuou como gestor e conduziu projetos, sistemas, plataformas de negócios, portais e serviços para o Mercado de Capitais, CRM, GED, Internet-banking, Publicidade Digital, GC, e outros sob demanda. É mestre em Ciências pela FEA-USP (ênfase em inovação) com MBA pela FGV, organizador e autor do livro Empreendedorismo Inovador: Como criar Startups de Tecnologia no Brasil, e autor em outros dois.

Referências

  • Beyer, B. K. (1985). Critical thinking: What is it? Social Education, 49(4), 270-276.
  • Bowman, N. A. (2016). 4 Ways to Improve Your Strategic Thinking Skills. Harvard Business Review.
  • Ikuenobe, P. (2001). Teaching and assessing critical thinking abilities as outcomes in an informal logic course. Teaching in Higher Education, 6(1), 19-32.
  • Liedtka, J. (1998). Linking strategic thinking with strategic planning. Strategy and Leadership, October, (1), 120-129.
  • Mintzberg, H., Ahlstrand, B., Lampel, J. (2000). Safári de Estratégia. Bookman.
  • Wolters, H. M., Grome, A. P., & Hinds, R. M. (2013). Exploring Strategic Thinking: Insights to Assess, Develop, and Retain Strategic Thinkers.

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