O Processo Criativo individual e coletivo

Introdução

No artigo anterior “falei” sobre “A Criatividade e a sua relação com a Inovação”, e aqui, dando sequência ao assunto, descrevo algumas etapas que ocorrem no processo criativo pessoal, bem como o uso dos hemisférios esquerdo e direito do nosso cérebro que se destaca em cada etapa. Depois disso, forneço algumas dicas de como podemos levar a vida de forma mais criativa. E ao final comento sobre alguns processos criativos em equipe usados para inovação nas organizações.

O processo criativo individual

O processo criativo é criação e nascimento, e também transformação e renascimento. E a nossa jornada pessoal é um processo criativo guiado por uma dinâmica transformativa.

Quando a pessoa criativa busca algo no fundo de seu ser e disso resulta um produto autêntico, forma-se uma ponte entre pessoas e/ou o indivíduo e o Criador. Os momentos mais significativos e decisivos em nossas vidas exigiram de nós criatividade e assim, podem ser considerados como uma obra de arte, pois em cada uma destas conjunturas somos impelidos para um contexto maior. Mesmo quando tal experiência parece levar-nos de volta a uma realidade menor, acontece com frequência uma expansão interior.

Ao longo dos últimos cem anos, os pesquisadores chegaram a um grau surpreendente de consenso sobre os estágios previsíveis de pensamento criativo.  Em geral, no contexto da criatividade individual, reconhece-se a existência de cinco etapas para a criação de alguma coisa: preparação, frustração, incubação, inspiração e elaboração. E ao final devemos complementar estas etapas com a comunicação:

1. Preparação, onde identificamos um problema, um conjunto de desafios. É a etapa da coleta de dados, quando todas as soluções possíveis se espalham diante de nós, de maneira aparentemente desconexa.

2. Frustração e saturação, que geralmente ocorre o resultado da visão de todas essas alternativas. Às vezes o processo criativo é dolorido, incluindo longos períodos de confusão, caos, tensão e, mais que tudo, ambiguidade – que não só pode ser saudável como absolutamente essencial para o processo criativo. Ocorre uma intensa atividade do hemisfério esquerdo do cérebro absorvendo de si mesmo o que é conhecido.

3. Incubação, aqui o problema é encarado com serena atenção, mesmo que o tempo para resolvê-lo seja longo. Deixamos os dados simplesmente flutuarem ao redor da questão principal, de maneira livre e sem estrutura. Deixamos a questão afundar-se nas camadas mais profundas do inconsciente. Vivemos o mistério da questão, confiantes de que, no momento apropriado, o discernimento brotará. E isso pode levar horas, dias, semanas ou até mesmo meses. Esta atividade normalmente começa quando nos afastamos de um problema, porque o nosso hemisfério esquerdo do cérebro parece não conseguir resolvê-lo. Um exercício físico intenso pode ser uma ótima maneira de mudar para hemisfério direito, a fim de acessar novas idéias e soluções. Um escritor, depois de escrever por cerca de 90 minutos, por exemplo, pode parar e caminhar ou correr, algo que é muito útil ao cérebro.

4. Inspiração ou iluminação, vem quando surge a resposta tão esperada, Heureca!  Ah! Ah! O mistério dá lugar ao discernimento.  A pintura produz efeitos! . Onde você está quando surgem suas melhores ideias?  Suponho que não é quando você está sentado em sua mesa, conscientemente tentando pensar criativamente. Pelo contrário, é quando você deu ao seu hemisfério esquerdo do cérebro um descanso, e geralmente está fazendo outra coisa, se exercitando, tomando banho, dirigindo ou até mesmo dormindo.

5. Elaboração, que consiste de muita transpiração envolve o hemisfério esquerdo do cérebro, com modo de pensar analítico. Aqui está o trabalho árduo do fazer acontecer. Esta etapa é de desafio e teste do avanço criativo que você teve. Cientistas fazem isso em um laboratório. Pintores fazem em uma tela. Escritores fazem, traduzindo uma visão em palavras.

A comunicação complementa o processo criativo acima. O poema que não é lido pela pessoa amada fica incompleto. A pintura vista apenas pelo artista ou a canção ouvida apenas pelo cantor são obras de arte incompletas.

Uma forma de nutrir intencionalmente a nossa criatividade é entender como ela funciona, aprendendo a envolver o cérebro inteiro, alternando intencionalmente as atividades do hemisfério direito e esquerdo do cérebro com esforço e descanso, e deixar fluir. Muitas vezes os estágios de criação se desdobram em sequência imprevisível, e um envolve o outro. Ainda assim, mantê-los em mente nos permite saber onde estamos no processo criativo e como chegar aonde precisamos/queremos.

Devemos lembrar que os introvertidos se sentem confortáveis ​​trabalhando sozinhos e que muitas vezes a solidão é um catalisador para a inovação. Muito inventores e engenheiros são como Steve Wozniak, da Apple, que escreveu o livro iWoz, onde comenta que eles são como artistas, tímidos e que vivem em suas cabeças. E em geral os artistas trabalham melhor sozinhos, preferencialmente fora dos ambientes corporativos, onde podem controlar o projeto de uma invenção sem outras pessoas interferindo.

Como podemos levar uma vida criativa?

“A criatividade é simplesmente conectar coisas.” – Steve Jobs

Veja a seguir algumas dicas que podem ajudar a desenvolver o pensamento criativo pessoal:

  • Aceite a si mesmo e procure se conhecer melhor.
  • Cultive a mentalidade de principiante. Aprenda sempre, em especial no campo no qual se sinta mais competente.
  • Seja um observador perspicaz. Procure semelhanças, diferenças e características peculiares em tudo o que cruzar o seu caminho. Ao fazer isso, exercitará ambos os lados do cérebro, o racional e o intuitivo. Também aceirará sua responsabilidade para ser tudo o que puder ser, ficando o mais alerta possível tanto à sua sabedoria interior quanto ao seu ambiente. Tente muitas combinações diferentes de associação e relacionamento.
  • Seja curioso, não pare de questionar as coisas, faça muitas perguntas.
  • Aonde quer que vá, leve um caderno. Anote nele seus pressentimentos, pensamentos estranhos, perguntas “tolas” e inspirações, antes que sumam da mente.
  • Desenvolva uma disciplina de criatividade meditativa. Fazer coisas com as mãos desenvolve o amor próprio e, fazendo-as com compreensão, aumenta o autoconhecimento e a compaixão, além da criatividade.
  • Encontre meios de ensinar aos outros o que você sabe ou está aprendendo. Ensinar é o melhor meio de aprender.
  • Ria. O humor alivia a tensão, ajuda a colocar os problemas em perspectiva e prepara o terreno para a atitude alegre, na qual a criatividade começa a fluir.
  • Leia muitos assuntos diferentes de seu campo de interesse e procure relacionar o que aprendeu com o que já sabe.
  • Seja valente. O medo é o maior empecilho à criatividade, contudo inerente ao novo desconhecido. Combata seu medo, mas repeite-o.
  • Evite padrões estabelecidos com severidade e maneiras inflexíveis de agir. Esteja disposto a experimentar coisas novas, correr riscos e fracassar. Seja flexível o bastante para abandonar uma idéia em favor de outra.
  • Aprenda a viver com ambiguidade. Ambos os avanços, criativo e espiritual, nascem desse desconforto.
  • Busque o que é simples e óbvio. Enxergar soluções simples que ninguém vê também é importante.

“O óbvio é aquilo que nunca é visto até que alguém o manifeste com simplicidade.” – Kahlil Gibran

À medida que você crescer neste caminho você ficará mais flexível, mais capaz de passar do método analítico para o poético, e de novo para o analítico.

O processo criativo em equipe

“Pensar com um designer pode transformar a forma como você desenvolve produtos, serviços, processos – e mesmo estratégia.” – Tim Brown

Cada vez mais as empresas reconhecem o valor do trabalho em equipe, da colaboração e da necessidade e a importância de se compartilhar o conhecimento.

A criatividade coletiva, surge geralmente da interação de um grupo com o seu exterior ou de interações dentro do próprio grupo e tem como objetivo principal otimizar ou criar de forma mais rápida produtos, serviços, processos e modelos de negócio.

Recentemente escrevi um artigo que descreve resumidamente, como um pequeno guia, a metodologia Design Thinking  – uma abordagem para inovação centrada no ser humano que inclui pessoas, protótipos, histórias e cultura.  No artigo apresento o processo que é utilizado para auxiliar na busca por Inovação nas organizações, onde são descritos os passos: Descoberta, Interpretação, Ideação, Experimentação e Evolução, que incluem técnicas de brainstorming e prototipação.

“O design thinking é uma abordagem para enfrentar problemas baseada em três pilares: empatia, colaboração e experimentação.” – Tennyson Pinheiro

Usar o Design Thinking  é buscar observar o mundo sob o ponto de vista dos outros, ou seja, empregando-se a empatia. Esta metodologia incentiva a criatividade pessoal e a coletiva, a experimentação intelectual e prática e a colaboração interdisciplinar.

Na geração de idéias, por exemplo, são considerados três critérios sobrepostos:

  • Praticabilidade (técnica) – o que é funcionalmente possível num futuro próximo;
  • Viabilidade (econômica / financeira) – o que provavelmente se tornará parte de um modelo de negócio sustentável; e
  • Desejabilidade – o que faz sentido para as pessoas.

Leia o artigo: Usando o Design Thinking para Criar e Inovar nos Negócios para mais informações sobre esta metodologia.

Existem outros processos propostos para trabalhar inovação, entre eles temos o do livro “A Bíblia da Inovação” de Fernando Trías de Bes e Philip Kotler para grandes organizações – que apresenta como etapas do processo: Objetivos > Pesquisa > Idéias > Avaliação > Desenvolvimento > Lançamento. Este processo usa o modelo A-F com uma lista de funções básicas que devem ser atribuídas a indivíduos específicos, que a partir de objetivos, recursos e prazos devem interagir livremente para criar os próprios processos.  Os autores dizem que o processo de inovação não é algo linear, mas algo que avança, porém com muitos recuos e desvios.  Resumindo as funções (A-F) dos colaboradores neste processo temos:

  • Ativadores – pessoas que iniciam o processo de inovação;
  • Buscadores – são os especialistas em encontrar informações;
  • Criadores – são os que produzem idéias, concebendo novos conceitos e possibilidades e buscando por soluções;
  • Desenvolvedores – são os inventores, que transformam idéias em produtos e serviços;
  • Executores – cuidam de tudo relacionado com implementação e execução – são eles que levam a invenção ao mercado;
  • Facilitadores – são os que aprovam os novos itens de despesa e o investimento necessário, a medida que o processo de inovação avança.

Todos trabalhando juntos e interagindo uns com os outros.

Os autores propõe três fases para facilitar a criatividade:

1) Escolha do Foco –  algo em particular para se concentrar. Pode até ser algo concreto e bem definido, como um problema, objetivo ou coisas físicas. Por exemplo: Aumentar a motivação da equipe de vendas; Melhorar a forma com que os produtos são embalados; Atrair novos clientes; Aumentar a presença no mercado de consumidores com mais de 60 anos; Melhorar a qualidade de serviços sem aumentar os custos; Ter tampa e rótulo novos e mais modernos; aprimorar o sistema de freio hidráulico.

2) Deslocamento – provocar ou perturbar a lógica. Propor uma “impossibilidade”, um paradoxo, com o intuito deliberado de estimular novas conexões. Utilizar pensamento lateral e outras técnicas. Alex Osborn concluiu que a maioria das técnicas e jogos criativos se baseiam em sete operações, das quais seis os autores deram o acrônimo de SECRET, a saber: Substitir partes do foco; Eliminar partes do foco; Combinar elementos do foco com alguns outros; Reorganizar os elementos do foco; Exagerar aspectos ou qualidades do foco; e Transpor elementos do foco.

3) Conexão – que significa considerar o deslocamento ou paradoxo e tentar decifrá-lo, encontrar uma explicação.

Concluindo

Quando vejo uma obra de arte que me impressiona, admiro o artista que a criou. Quando vejo a beleza da natureza fico encantado. Quando olho para uma flor, tão simples e tão bela, procuro apenas apreciá-la, mas bem sei que ela é extremamente complexa, e que, cada um com seu próprio conhecimento e experiência pode vê-la com perspectivas muito diferentes. Imagine como um poeta vê e descreve uma flor, e como seria o olhar e descrição da flor por alguém que pinta, fotografa, vende ou ainda é especialista em biologia, física ou química. Agora imagine algo que ainda não existe, é possível? E ai, que tal exercitar a imaginação para criar, seja só ou em equipe.

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A Criatividade e a sua relação com a Inovação

“A aventura da criatividade é uma aventura de alegria e amor. Vivemos pelo simples prazer de existir, e desse prazer se desdobram milhares de formas de arte e todas as ramificações do aprendizado e da solidariedade. A imaginação é nosso verdadeiro ser, é na verdade um deus vivo e criador que existe em nós.” – Stephen Nachmanovitch

O conceito

A imaginação é a fonte da criatividade, e nos permite trazer à mente tudo o que não está diretamente presente no mundo que nos cerca. Com a imaginação podemos reviver o passado, antecipar possibilidades do futuro, colocar a nós mesmos em outro tempo e lugar e participar do cenário. Quase tudo que nos rodeia e é identificado como algo feito pelo homem, surgiu da imaginação. A criatividade é que põe a imaginação para trabalhar.

Uma definição mais formal diz que criatividade é o processo de geração de ideias originais com valor. Você pode ser criativo com matemática, música, arte, gestão, etc. A inovação, por sua vez, consiste em colocar as ideias na prática, gerando novos produtos, melhorando processos ou criando novos modelos de negócio que levam ofertas de valor ao mercado com sucesso.

Muitas empresas estão interessadas em inovação, mas isto não acontece do dia para noite, porque antes é necessário haver um processo de criatividade que requer o uso da imaginação e, além disso, é preciso de um ambiente e uma cultura que incentive a imaginação e as ideias, sem condenar o erro, que faz parte do processo e do aprendizado. A falha das organizações e dos indivíduos está em parar de nutrir a criatividade.

Da criatividade para Inovação

A criatividade pode surgir através de um processo aplicado e pode existir em qualquer área. Empresas diferentes às vezes usam processos diferentes.  Devemos lembrar também que a criatividade não surge só de indivíduos que atuam isoladamente, mas também através de colaboração e combinação de ideias de equipes.

As pessoas precisam de tempo para criar, e às vezes é importante sair do contexto do dia a dia para ter melhores ideias. Equipes cujos membros têm competências distintas e complementares são mais criativas. Em muitos casos, muitas vezes é necessário dar tempo para que as ideias evoluam. Por exemplo, se você estiver tentando lembrar o nome de alguém, a melhor coisa a fazer é não pensar mais sobre isto e em aproximadamente trinta minutos, de repente o nome surge na mente.  Existe o pensamento deliberativo, mas também existem conexões inconscientes, onde muitas ideias criativas são formadas.

A importância do Conhecimento, Atitude, Ambiente e outros elementos ao processo criativo

“Nós todos temos a criatividade dentro de nós e há infinitas oportunidades de usá-la” – Tina Seelig

No livro “inGenius”,  Tina Seelig professora da universidade americana de Stanford e também diretora do Programa de Empreendedorismo em Tecnologia desta instituição, apresenta um curso intensivo sobre criatividade.

A autora nos diz que é terrivelmente frustrante ouvir as pessoas se descrevem como não criativas, pois podemos considerar que cada frase que proferimos é um ato criativo. Nós precisamos olhar para cada problema, cada produto e cada momento em nossas vidas como uma oportunidade para a criatividade. O mundo está cheio de desafios. Com maior criatividade, nós podemos olhar para os problemas como oportunidades.

A abordagem que ela apresenta para desbloquear a criatividade é holística. Seu “Motor da Inovação” tem seis partes: três que vêm de dentro da sua mente e que se sobrepõem (imaginação, conhecimento e atitude) e três que são gerados pelo ambiente em que se vive (recursos, cultura e ambiente). E esses fatores não são isolados. Você tem que olhar para eles em conjunto.

Abordagem holística para desbloquear a Criatividade

Conhecimento, diz ela, é a caixa de ferramentas para a sua imaginação, que é o catalisador para a transformação de seu conhecimento em novas idéias. E sua atitude fornece a unidade necessária para você avançar em problemas difíceis.

Os nossos ambientes tem um impacto enorme sobre esse processo, e estamos profundamente influenciados por espaço, regras, recompensas, recursos e cultura.

Assim, o indivíduo e o ambiente são interdependentes de forma interessante, não óbvia e essencial para a resolução criativa de problemas.

Ambiente, por exemplo, está fora da imaginação e paralela a ele. Por quê? Porque o nosso ambiente é a exteriorização da imaginação. Não podemos construir ambientes que estimulam a imaginação, a menos que os imaginemos primeiro. Por sua vez, o ambiente afeta a forma como pensamos. Ou seja, a forma como pensamos afeta os tipos de ambientes que nós construímos, assim como os espaços e a organização afetam a nossa imaginação. E isso é verdade também para o conhecimento e os recursos.

O conhecimento é paralelo aos recursos no modelo, porque quanto mais você sabe, mais você pode desbloquear recursos. O tipo de recursos em seu ambiente também determina o que você sabe. Alguém no Vale do Silício provavelmente conhece sobre capital de risco, e quanto mais ele ou ela sabe sobre capital de risco, maior a probabilidade de obter financiamento.

As crianças são inovadoras desinibidas, cheias de curiosidade. Elas usam sua criatividade natural durante todo o dia, buscando formas de fazer sentido ao mundo complicado em torno delas. Elas também gastam tempo em ambientes estimulantes, incluindo pré-escolas cheias de brinquedos. Mas à medida que crescemos, nós desistimos de jogar e focamos na produção, e negociamos em nossa imaginação a fim de nos concentrar na implementação. Mudamos nossa atitude e cerceamos nossa criatividade conforme aprendemos a julgar e rejeitar idéias novas.

Tina apresenta um experimento na sala de aula para demonstrar que tudo que nos cerca é propício para a inovação. No primeiro dia de aula, ela pede aos alunos para redesenharem um crachá. Identificadores atuais são difíceis de ler, não têm informação relevante e, muitas vezes ficam sem jeito, para baixo, em torno do cinto de quem usa. Assim, ela pede aos alunos para pensarem sobre o problema de forma diferente. E questiona: Por que usar identificadores de nome em tudo?

Após uma discussão em que os alunos percebem que as etiquetas de nome (crachás) abordam um conjunto de problemas sociais complexos, eles são convidados a conceber um novo “dispositivo de introdução”.

Os alunos entrevistam uns aos outros para saber como eles querem se envolver com novas pessoas e como elas querem que os outros se envolvam com elas. Essas entrevistas fornecem insights que levam a novas soluções. Uma equipe projetou camisetas com um mix de informações sobre o usuário em palavras e imagens. Outra equipe criou pulseiras que comunicam como cada pessoa está se sentindo.

Concluindo

 “Criar é afetar a realidade, é participar na atribuição de significado à existência, e também desfrutar da existência percebendo ou participando de seu significado.” – Paul Tillich

Podemos atuar criativamente participando na mudança e melhorando quase tudo que nos cerca, mesmo em porções muito pequenas. Além disso, criar ajuda a dar sentido às experiências cotidianas junto à família, as amizades e no trabalho.

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Business Model You – Um Método de uma página para reinventar sua Carreira

“As organizações pensam e modificam suas práticas de negócios, mas poucas definem e documentam formalmente seus Modelos de Negócio. E ainda menos indivíduos utilizam o potencial do pensamento sobre modelos de negócios em seus ambientes de trabalho e em suas carreiras.” – do livro Business Model You

No artigo “A Importância da Modelagem de Negócios” descrevi, resumidamente, uma estrutura extremamente útil para pensar a proposição de valor da organização, seus clientes, recursos e oportunidades.  Assim como um arquiteto prepara e utiliza uma planta como modelo para criar suas obras, um empreendedor e/ou inovador de negócios pode utilizar o quadro (canvas) de Geração de Modelos de Negócio antes de implantar o seu novo negócio na prática.

Neste artigo comentarei sobre o livro “Business Model You – one page method for reinventing your carreer” – uma ferramenta excelente para profissionais de coaching e para aqueles que desejam repensar suas carreiras. Foi escrito por Tim Clark com a colaboração de Alexander Osterwalder e Yves Pigneur; design de Alan Smith e Trish Papadakos;  e contribuição de 328 cocriadores de 43 países. Eu tive o prazer de contribuir e fazer parte desta lista.

O “Business Model You” (BMYou) oferece um guia e um quadro de reflexão sobre o que queremos, o que temos, e o que precisamos, incluindo os principais parceiros e recursos que tendemos a ignorar na busca por trabalho significativo. Ele nos ajuda a nos conhecer e perceber melhor quem somos e porque fazemos as coisas. Ao ler o livro e praticar suas recomendações mudaremos, não seremos mais a mesma pessoa.

Se encontrar, comunicar e criar valores atraentes para os clientes em um negócio já é algo bastante complexo para se analisar, imagine analisar uma pessoa – você, sob o ponto de vista profissional, considerando seu perfil, talentos, experiências, propósito pessoal, relações, etc. Este é um trabalho difícil, mas o autor do livro, Tim Clark e os demais colaboradores conseguiram abordar com uma simplicidade surpreendente maneiras de olhar nossas carreiras para o cumprimento de nossos objetivos pessoais.

Trata-se de um guia maravilhoso e inspirador que procura ajudá-lo a mudar o modo de olhar para seus talentos, suas motivações e seu “valor”, bem como as possibilidades de aplicá-las em benefício dos outros e de si mesmo. Ele oferece uma maneira extremamente prática e holística de abordar ambições pessoais e o que você precisa sentir, fazer e ganhar para se realizar como profissional. Ou seja, ele permite a você capturar o seu plano de carreira e fornece um processo para colocá-lo em prática. Seu conteúdo excelente o ajudará a responder várias perguntas e problemas que sempre aparecem em alguns momentos da vida profissional e pessoal. Ele mostra quão bom e simples é o quadro Modelo de Negócios e como pode ser ajustado para pensar a carreira, permitindo identificar seus pontos fortes e fracos em sua abordagem para alcançar seus objetivos.

O livro começa explicando resumidamente sobre o quadro e os nove blocos de Modelo de Negócios das organizações: Segmentos de Clientes; Canais de comunicação, venda e distribuição; Relacionamento com clientes; Fontes de receita;  Atividades-chave; Recursos chave; Parcerias chave; e Custos. Isso já ajuda o profissional entender a organização em que trabalha ou que pretende trabalhar e seu modelo de negócios. Em seguida trabalha o indivíduo como profissional, sua carreira, alinhamento com seu propósito pessoal de vida, e como pode contribuir e obter ganhos e realização. Veja abaixo como o quadro de modelo de negócios foi trabalhado para uso pessoal.

O quadro (canvas) Modelo de Negócios Pessoal (Business Model You) e os blocos de contrução

Segue uma descrição resumida de cada um dos blocos do quadro e o que eles podem conter.

Recursos-chave (Quem você é / O que você tem)

Seus Recursos-chave incluem – Quem você é, com:

  • Interesses – são as coisas que te excitam e podem ser seus recursos mais preciosos. Isso porque são os interesses que conduzem a satisfação em sua carreira.
  • Talentos – são coisas inatas que você faz facilmente ou sem esforço, como por exemplo: raciocínio espacial, facilitação de grupos, ou aptidão mecânica.
  • Habilidades – são qualidades aprendidas ou adquiridas: coisas em que você melhorou com estudo e prática. Por exemplo: enfermagem, finanças, construção civil, ou programação de computadores.
  • Personalidade é seu diferencial com características pessoais tais como: boa inteligência emocional, trabalhador(a), calmo(a), equilibrado(a), atencioso(a), com energia, detalhista, etc.

É claro que, quem você é – abrange mais do que interesses, talentos, habilidades e personalidade.  Pois você tem valores, intelecto, senso de humor, educação, propósito e muito mais.

Por outro lado, seus Recursos-chave também incluem – O que você tem, ou seja, seus ativos tangíveis e intangíveis. Como ativos intangíveis você pode ter conhecimentos, experiências e contatos, como por exemplo: uma extensa rede de contatos profissionais, uma profunda experiência da indústria, uma reputação profissional forte, liderança de pensamento em um campo específico, ou quaisquer publicações ou propriedades intelectuais creditadas a você. Como ativos tangíveis, pense naqueles que são essenciais ou potencialmente úteis para seu trabalho, como um veículo, ferramentas, roupas especiais, dinheiro ou ativos físicos disponíveis para investir em sua carreira, e assim por diante.

Atividades-chave (O que você faz)

O que você faz (suas Principais Atividades) evolui naturalmente de quem você é (seus Principais Recursos).

Ao trabalhar este bloco, pense sobre as tarefas críticas executadas regularmente no trabalho. Lembre-se que estas são simplesmente atividades físicas ou mentais realizadas para os Clientes. Elas não descrevem o valor mais importante criado através da realização de tais atividades.

Clientes (Quem você ajuda)

Neste bloco do quadro (canvas) você menciona os Clientes que ajuda. Lembre-se que os Clientes são aqueles que pagam para receber um benefício (ou que recebem um benefício, sem nenhum custo e são subsidiadas por outros clientes pagantes).

Seus Clientes ou grupos de clientes são as pessoas da sua organização que dependem da sua ajuda para conseguir o trabalho feito. Isso inclui o seu chefe, supervisor, e outros que são diretamente responsáveis pela sua indenização. Eles autorizam a organização a te pagar, portanto, eles formam um conjunto de clientes.  A quem mais você se reporta (nomes e/ou cargo/função)?

Pense ainda sobre: Que papéis você desempenha no trabalho? Você serve a outros dentro de sua organização? Você facilita o trabalho de colegas? Quem depende de você, ou se beneficia de seu trabalho? Essas pessoas não podem pagar-lhe diretamente, mas seu desempenho no trabalho em geral é a razão pela qual você continuar a receber o pagamento – depende de quão bem você “serve” determinados colegas.

Por exemplo, se você faz parte de uma equipe de suporte de TI, você sabe muito bem o que significa clientes internos! Há outros indivíduos ou grupos dentro da organização que você pode considerar clientes? E líderes-chave de projetos ou membros da equipe?

Em seguida, pense em outras partes envolvidas com a sua organização. Clientes ou empresas que compram ou usam os serviços da sua empresa ou produtos? Você lida diretamente com eles? Mesmo que não faça isso, você pode querer considerar os seus clientes.

Você interage com algum dos principais parceiros da sua organização? Talvez eles mereçam um lugar em sua lista.

Finalmente, considere as comunidades maiores servidas por seu trabalho. Tais comunidades podem incluir bairros ou cidades, ou grupos de pessoas vinculadas por interesses comerciais, profissionais ou sociais comuns.

Valor fornecido (Como você ajuda)

Agora é hora de definir o valor que você fornece para os clientes: como você ajuda outras pessoas a conseguirem seus trabalhos realizados. Este é o conceito mais importante para pensar sobre sua carreira.

Uma boa maneira de começar a definir Valor é se questionando: Para qual trabalho o cliente me “contrata” para eu realizar? Que benefícios os Clientes ganham como resultado desse trabalho?

Por exemplo, o valor fornecido aos clientes não reside num ato físico como o de troca de óleo, mas as vantagens obtidas pelas pessoas que recebem tais serviços profissionais. Exemplo: reduzir a possibilidade de problemas com seus carros.

Enfim, compreender como as Atividades-chave resultam em valor fornecido aos clientes é fundamental para definir o seu modelo de negócio pessoal.

Canais (Como eles sabem quem é você / Como você entrega)

Este bloco de construção engloba cinco fases que são conhecidas no jargão comercial como “processo de comercialização” que é mais bem descrito em forma de perguntas:

  1. Como os clientes potenciais descobrem como você pode ajudá-los?
  2. Como eles decidem se compram o seu serviço?
  3. Como eles compram?
  4. Como você entrega o que os clientes compram?
  5. Como é que verifica/acompanha os clientes para obter certeza que estão felizes?

Definir os Canais através do qual entregará o que seus Clientes compram é simples, pois você pode: enviar relatórios escritos; falar com as pessoas; fazer um upload de código em um servidor de desenvolvimento; fazer apresentações pessoalmente ou online, ou usar veículos para entregar a mercadoria fisicamente.

Outra pergunta chave, e mais importante que o processo acima é: Como clientes potenciais ficam sabendo sobre você e o valor que pode proporcionar a eles?

Será que eles vão descobrir sobre você através do boca-a-boca? Através de um site ou blog? Através de artigos ou palestras? Através de chamadas de vendas? Via e-mail ou fóruns on-line? Anúncios? Redes Sociais? LinkedIn?

Aqui está um poderoso lembrete de Por que os canais são cruciais para o seu modelo de negócio pessoal: 1) Você deve definir a forma de comunicar como você ajuda 2) Você deve comunicar como você pode ajudar, e 3) Você tem que vender como pode ajudar, a fim de ser pago para ajudar.

Relacionamento com o Cliente (Como você interage)

Como você descreveria a forma da sua interação com os Clientes? Você fornece o serviço pessoalmente, face a face? Ou os seus relacionamentos são mais “de escritório”, contando principalmente com e-mail ou outras comunicações escritas? Seus relacionamentos são caracterizados por transações individuais ou por serviços contínuos? Você se concentra no crescimento de sua base de clientes (aquisição) ou na satisfação de clientes existentes (retenção)?

Parceiros-chave (Quem te ajuda)

Seus Parceiros-chave são aquelas que o apoiam como um profissional – e ajudam a fazer o seu trabalho com sucesso. Seus Parceiros-chave podem dar conselhos, motivação, ou oportunidades de crescimento. Eles também podem te dar outros recursos necessários para realizar bem determinadas tarefas. Como parceiros você pode incluir: colegas ou mentores no trabalho, membros da sua rede profissional, família ou amigos, ou consultores profissionais.

Receitas e Benefícios (O que você recebe)

Anote fontes de renda, como salário contratado ou honorários profissionais, opções de ações, royalties, e quaisquer outros recebimentos em dinheiro. Adicione benefícios, como: seguro de saúde, pacotes de aposentadoria ou pagamento parcial ou total de escola ou cursos. Mais tarde, quando você a refletir sobre como você deseja modificar o seu modelo de negócio pessoal, poderá levar em conta benefícios “soft”, como aumento da satisfação, reconhecimento e contribuição com a sociedade.

Custos (O que você dá)

Os custos são o que você dá ao seu trabalho: tempo e energia, principalmente.

Liste quaisquer custos não reembolsáveis necessários à realização de seu trabalho. Estes podem incluir:

  • Taxa de treinamento ou assinaturas
  • Despesas com viagens ou socialização
  • Veículos, ferramentas ou vestuário especial
  • Internet, despesas de telefone, transporte, ou outros que você usa para trabalhar em casa ou nas instalações do Cliente

Os custos também incluem o estresse ou insatisfação provocada pelas Atividades-chave ou por trabalhar com Parceiros-chave.

Outras partes do livro

Além da introdução e da descrição do quadro com propósito pessoal/profissional, as outras partes do livro esclarecem o método e fornecem informações adicionas para ajudar revisão de carreira, nos convidando a: Refletir, revisitando a direção de vida e o alinhamento de aspirações pessoais e profissionais usando a roda-da-vida,  linha-do-tempo (dos acontecimentos relevantes da vida) e outras ferramentas de apoio para reflexão;  Revisar, ajustando ou reinventando a carreira usando o quadro preenchido com as informações; e Agir, aprendendo a fazer as coisas acontecerem.

Concluindo

Na correria da vida as vezes é bom parar e refletir, não só sobre nós e nossos relacionamentos, mas também sobre nosso caminhar profissional, nossa carreira, aspirações e realizações. Nessa hora, se  você puder contar com o apoio profissional de um coach, isso é bastante recomendável. Mas independentemente de ter o apoio profissional, este livro com certeza pode ser muito útil, pois nos leva a pensar de uma forma estruturada sobre um assunto tão complexo e pessoal.

Como um dos colaboradores listados no livro, eu me sinto honrado e feliz por fazer parte desta obra e de alguma forma colaborar com seus leitores. Desejo a você equilíbrio de vida e sucesso nas suas realizações.

Att. @neigrando

Veja também:

Referências: