Tecnologias que transformam Empresas e Negócios

Recentemente foi realizado o Same Control Summit 2023 da GoNew conduzido por Anderson Godz, evento em que tive o prazer de palestrar sobre Tendências Tecnológicas junto com nosso caro amigo Flávio Pripas. Um retorno positivo de amigos sobre o conteúdo da palestra me incentivou a compartilhá-lo neste post, pois diz respeito à tecnologias que estão contribuindo com a transformação de organizações no mundo todo.

Sabemos bem que a transformação digital dos negócios começa pela cultura, com a mudança de modelos mentais de líderes e gestores, passando pela estratégia, seguindo por modelos de negócio, processos e outros elementos organizacionais que visam mudanças significativas e no aperfeiçoamento de produtos e serviços para uma melhor experiência de seus clientes. E só depois vem a tecnologia para a implementação de tais iniciativas.

Ao levantar relatórios de tendências de tecnologia fornecidos por diversas consultorias e artigos da Harvard Business Review entre outros materiais, usando da minha experiência em negócios e tecnologia, escolhi estas 10 tecnologias para usar em minha palestra, como segue, dando uma ênfase na Inteligência Artificial (IA) a qual sou pesquisador pelo Núcleo Decide da FEA-USP/CNPq e professor da disciplina Fundamentos de IA pela ESPM.

Inteligência Artificial

Deixando de lado muitas das definições conhecidas sobre Inteligência Artificial (IA), podemos dizer resumidamente que se trata de sistemas de computador capazes de executar tarefas que normalmente requerem inteligência humana.

IA Generativa

A IA generativa é uma forma de IA que aprende uma representação digital de artefatos a partir de dados de amostra e a utiliza para gerar artefatos novos, originais e realistas que mantêm uma semelhança com os dados de treinamento, mas não os repetem: DALL-E 2MidjourneyStable Diffusion e Imagen se destacaram na área de artes em 2022. Ao final do ano passado o lançamento do incrível ChatGPT  (da OpenAI) conseguiu um milhão de usuários em 5 dias, pela facilidade de uso e habilidade desta aplicação Web para responder questões e até mesmo código em linguagem de computador.

Resumidamente, como funciona? O ChatGPT, por exemplo, é uma aplicação que utiliza um modelo de linguagem grande (Large Language Model – LLM) que inclui técnicas de aprendizado profundo (Deep Learning) para gerar um texto fácil de ler por um ser humano. É baseado na arquitetura GPT (Generative Pré-trained Transformer), que usa uma rede neural transformadora para processar e gerar texto. O modelo é pré-treinado em um conjunto massivo de texto, de livros, artigos, e websites, assim ele pode identificar padrões e estrutura da linguagem natural. Quando feita uma pergunta ou fornecido um texto como ponto inicial (Prompt), o modelo usa seu conhecimento adquirido no treinamento para gerar texto que continua o que foi dado como entrada de forma coerente e natural.

Isto levou a mídia dizer que 2023 será o ano da IA, por ter atingido pessoas e organizações do mundo todo, com um deslumbramento entusiástico, mesmo sabendo-se de algumas limitações, questões éticas, inconsistências e até mesmo erros que tecnologias em maturação podem gerar inicialmente.

IA Aplicada

A IA Aplicada é usada para resolver problemas de classificação, previsão e controle que automatizam, adicionam ou aumentam casos de uso de negócios do mundo real.

Longe de se pensar em uma IA genérica, ou até mesmo Singularidade (tempo em que a IA poderá eventualmente superar a capacidade humana), a IA aplicada é mais focada e restrita a problemas e necessidades organizacionais específicos, e atualmente está presente em praticamente todos os setores da economia e árias funcionais das organizações (operações, marketing, recursos humanos, finanças e outros). Em alguns casos a IA aplicada trata de automação de máquinas (robótica), sistemas e processos operacionais, mas na maioria dos casos atuais ela atua junto aos profissionais humanos, gerando informações para tomada de decisão melhores no dia-a-dia.

A IA aplicada envolve máquinas que exibem inteligência, abrangendo vários campos interconectados da tecnologia:

  • Aprendizado de Máquina (ML): subcampo da IA que usa métodos estatísticos e algoritmos para aprender com os dados;
  • Visão computacional: Subcampo de ML usando dados visuais, como imagens, vídeos e sinais 3-D, extraindo informações complexas e obtendo interpretações ricas;
  • Processamento de Linguagem Natural (NLP): Subcampo de ML que envolve processamento, geração e compreensão de dados baseados em linguagem, como texto escrito e palavra falada;
  • Aprendizado por reforço profundo: combinação de aprendizado profundo e aprendizado por reforço, no qual um agente toma decisões em um ambiente incerto usando algoritmos complexos inspirados em redes neurais cerebrais;
  • Grafo de conhecimento: Coleção de pontos de dados estruturados em uma rede para mostrar relacionamentos complexos entre si.

Muito do que se faz na IA aplicada é produzido via um subcampo da IA, conhecido como Aprendizado de Máquina ou Machine Learning que na sua essência funciona resumidamente da seguinte forma:

Muitos DADOS  >> ALGORITMO >> MODELO  (treinamento)

Novo Dado  >>     MODELO    >> Resultado  (execução)

Ou seja, a partir de muitos dados tratados apropriadamente e de um algoritmo pré-definido e configurado é feito o treinamento de aprendizagem da máquina, que gera um modelo que será posteriormente usado nas aplicações com novos dados para produzir os resultados desejados.

Empresas de grande porte, geralmente possuem infraestrutura tecnológica e profissionais qualificados (cientistas de dados, engenheiros e desenvolvedores) para tratar seus próprios dados e gerar seus próprios modelos, localmente ou via serviços cognitivos disponíveis em plataformas de desenvolvimento em nuvem.

Empresas de menor porte, já usufruem da IA, quando seus vendedores acessam aplicativos como Waze ou Google Maps para visitarem seus clientes, ou quando usam outros aplicativos ou sistemas que se utilizam de algoritmos e modelos prontos de inteligência artificial de forma “invisível”.

Veja alguns Usos da Inteligência Artificial na prática em diversos setores.

Apenas para exemplificar segue abaixo alguns casos de uso que utilizam as tecnologias de IA apresentadas acima.

Segundo a McKinsey, em 2018 foram investidos pelas organizações US$ 66 bilhões, enquanto que em 2021 foram investido US$ 165 bilhões em IA aplicada.

IA Descentralizada

IA descentralizada é a tendência de expandir o acesso a tecnologias avançadas de IA que estavam tradicionalmente disponíveis apenas para empresas com acesso a conjuntos de dados maciços, centralizados e proprietários.

Segundo a McKinsey, para o CIO ou CTO, o foco precisará estar em como retrabalhar suas arquiteturas para incorporar facilmente interfaces de programação de aplicativos (APIs), por exemplo, de OpenAI, Stability.AI – para incorporar “inteligência” em uma faixa mais ampla de aplicativos e processos.

IA Adaptável

A IA adaptável permite a mudança de comportamento do modelo após a implantação usando feedback em tempo real.

Segundo o Gartner, ela é usada para treinar continuamente os modelos e aprender em ambientes de desenvolvimento e em tempo de execução, com base em novos dados e metas ajustadas.

Veja outras novidades sobre a Inteligência Artificial, segundo o Gartner.

Conectividade Avançada

Celular 5G/6G, redes sem fio de baixa potência, satélites de baixa órbita terrestre e outras tecnologias suportam uma série de soluções digitais que podem impulsionar o crescimento e a produtividade em todos os setores.

Isso ajuda as redes a:

  • aumentar a cobertura geográfica,
  • reduzir a latência,
  • reduzir o consumo de energia,
  • aumentar a taxa de transferência de dados, e
  • aumentar a eficiência do espectro.

Segundo a McKinsey, em 2018 foram investidos pelas organizações US$ 212 bilhões, enquanto que em 2021 foram investido US$ 166 bilhões em Conectividade Avançada.

Internet das Coisas (IoT)

Internet das Coisas (IoT) em 2023, com muitos novos dispositivos tendo a capacidade de se comunicar e operar uns com os outros sem a necessidade de intervenção humana.

Isso significa que os ambientes doméstico e de trabalho em um futuro próximo estarão repletos de dispositivos interconectados digitalmente entre si. Com as velocidades alucinantes e a latência aprimorada das redes 5G, mais e mais dispositivos e serviços serão conectados uns aos outros.

Além de alimentar com dados sistemas e aplicações IA/ML na Indústria 4.0 (IIoT), é muito usada na computação de borda e em dispositivos vestíveis (wearables).

Vide mais em Tendências previstas pela IA para 2023

Mobilidade

As tecnologias de mobilidade visam melhorar a eficiência e sustentabilidade do transporte terrestre e aéreo de pessoas e bens.

A mobilidade é definida por várias arenas em 4 dimensões disruptivas de mobilidade (ACES) e tecnologias adjacentes que permitem um transporte mais sustentável e eficiente.

ACES:

  • tecnologias Autônomas
  • tecnologias de veículos Conectados
  • tecnologias de Eletrificação
  • Soluções inteligentes de mobilidade

Tecnologias adjacentes:

  • tecnologias leves (exemplo: fibra de carbono)
  • descarbonização da cadeia de valor

Segundo a McKinsey, em 2018 foram investidos pelas organizações US$ 139 bilhões, enquanto que em 2021 foram investido US$ 236 bilhões em Mobilidade.

Computação em Nuvem e Borda

A computação em nuvem (cloud) e de borda (edge) envolve a distribuição de cargas de trabalho de computação em datacenters remotos e nós locais de rede para melhorar a soberania, autonomia, produtividade de recursos, latência e segurança dos dados.

Segundo a McKinsey, em 2018 foram investidos pelas organizações US$ 88 bilhões, enquanto que em 2021 foram investido US$ 136 bilhões em Computação em Nuvem e Borda.

Web3

A Web3 inclui plataformas e aplicativos que permitem mudanças em direção a uma internet futura e descentralizada com padrões e protocolos abertos, protegendo os direitos de propriedade digital, fornecendo aos usuários maior propriedade de seus dados e catalisando novos modelos de negócios.

Ela é baseada em um conjunto de protocolos mais descentralizados e governados pela comunidade que pode representar uma mudança de paradigma de autoridade e propriedade para indivíduos com implicações potencialmente de longo alcance.

Web3 está relacionada com: Blockchain; Criptomoedas; Tokens; NFTs (tokens não fungíveis) ; Dapps (aplicações descentralizadas); DeFi (finanças descentralizadas); Contratos Inteligentes e DAOs (organizações descentralizadas autônomas), Jogos, …

Segundo a McKinsey, em 2018 foram investidos pelas organizações US$ 20 bilhões, enquanto que em 2021 foram investido US$ 110 bilhões em Web3.

Realidades Imersivas

As tecnologias de realidade imersiva usam tecnologias de detecção e computação espacial para ajudar os usuários a “ver o mundo de maneira diferente” por meio de realidade mista ou aumentada ou “ver um mundo diferente” por meio de realidade virtual.

Segundo a McKinsey, em 2018 foram investidos pelas organizações US$ 10 bilhões, enquanto que em 2021 foram investido US$ 30 bilhões em Realidades Imersivas.

Energia Limpa

As soluções de energia limpa ajudam a atingir emissões líquidas zero de gases de efeito estufa em toda a cadeia de valor de energia, desde a geração de energia até o armazenamento e distribuição de energia.

Entre os campos de atuação de energia limpa temos:

  • Sistemas de armazenamento estacionários
  • Rede Inteligente (Smart Grid)
  • Infraestrutura de carga (doméstica ou distribuída em postos de abastecimento de veículos)

Segundo a McKinsey, em 2018 foram investidos pelas organizações US$ 258 bilhões, enquanto que em 2021 foram investido US$ 257 bilhões em Energia Limpa.

Bioengenharia

A convergência de tecnologias biológicas e de informação melhora a saúde e o desempenho humano, transforma as cadeias de valor alimentar e cria produtos e serviços inovadores.

É definida por 4 arenas: biomoléculas, biossistemas, interfaces de biomáquinas e biocomputação; nos últimos anos, biomoléculas e biossistemas experimentaram desenvolvimentos generalizados.

Segundo a McKinsey, em 2018 foram investidos pelas organizações US$ 37 bilhões, enquanto que em 2021 foram investido US$ 72 bilhões em Energia Limpa.

Tecnologias Combinadas

Segundo a Harvard Business Review, para os executivos em 2023, o desafio não é apenas apostar em tendências individuais ou potencializar o talento da engenharia de software, mas pensar em como todas essas tecnologias podem criar novas possibilidades quando usadas em conjunto ou de forma convergente.

Exemplos:

  • Carro Elétrico Autônomocomputação em nuvem e em borda, IA e ML aplicadas que permitem a tomada de decisão autônoma e a lógica de condução; energia limpa e consumo sustentável que criam o núcleo da eletrificação de veículos por meio de novos compostos leves e avanços na capacidade da bateria, …
  • Vacinas de MRNA – uma combinação de tecnologias de bioengenharia, como genômica, IA aplicada e a industrialização de ML – aplicadas a outras doenças.
  • Metaverso realidades imersivas + Web3 + IA/ML + IoT (wearables) + …
  • … muitas empresas combinam tecnologias diversas em seus projetos

Considerações finais

O conhecimento sobre Novas Tecnologias não é mais um tema apenas para especialistas de tecnologia, cabe a líderes, gestores, conselheiros e consultores acompanharem as tendências, inovações tecnológicas e principalmente os casos de uso de tais tecnologias em suas áreas funcionais e em empresas de seus setores de atuação.

Recomento ainda a leitura de outros artigos que selecionei sobre o uso da  Inteligência Artificial em Negócios

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Não culpe a tecnologia pelos problemas da humanidade

Uma coisa que me deixa um tanto chateado é ver pessoas usando a tecnologia, em grupos que tem em sua linha principal de visão e negócios a tecnologia, onde se fala de tendências tecnológicas, tecnologias emergentes e outras aplicadas à vida pessoal e profissional – apresentar artigos e dar ênfase apenas às criticas negativas relacionadas com o tema, como “a tecnologia tirará empregos”, “a tecnologia tem separado as classes sociais”, ou “a tecnologia tem gerado vício e depressão em redes sociais e jogos”.

O problema não está na tecnologia, que em si mesma é apenas ferramenta para aumentar a capacidade humana na resolução dos problemas mais graves da humanidade, além de facilitar a comunicação, acelerar processos de produção, facilitar a existência de novos modelos de negócio, cura para doenças, entretenimento, …

O problema está sim nas pessoas e seus excessos, na falta de equilíbrio e moderação delas, na falta de controle emocional, por deixarem-se levar simplesmente pelas emoções e seus desejos sem usar um mínimo de reflexão e racionalidade por seus próprios atos.

Toda era de transição tecnológica como estamos vivendo (vide ondas da inovação) trouxeram alguns problemas sociais e desempregos (para quem executa alguns tipos de tarefa) inicialmente, mas trouxeram muitas novas oportunidades e empregos em novas atividades profissionais.

Na realidade o que estamos vivendo é um tempo de maior complexidade, como nunca existiu.

Não podemos mais tratar os temas de forma isolada devido a interdependência que existe entre eles.

Assim temos que ampliar nosso raciocínio para além do linear, entender a floresta como um todo e não apenas as árvores isoladamente. E isso exige um certo esforço para mudar nossos próprios modelos mentais, algo que não é nada fácil.

E nesse caminho alguns valores universais continuam válidos, como gentileza, respeito e consideração. E usar de sensibilidade e empatia, pois as pessoas são mais importantes que a tecnologia.

Como profissionais, não podemos apenas destacar problemas, mas sim apresentar e desenvolver soluções centradas no humano, buscar respostas, fazer arte e ciência.

Tenho ciência de que a vida é bela, mas não é justa, principalmente para as classes menos privilegiadas, mas a meu ver, a única forma de melhorar a qualidade geral de todos numa sociedade é via educação e uma melhor gestão governamental.

Viveria a humanidade de forma melhor sem a tecnologia?

Na idade das cavernas, quase não tínhamos tecnologia, sem muitas diferenças sociais (talvez), mas como era a qualidade de vida? Quanto tempo uma pessoa vivia (em anos)?

Cá entre nós, eu e você gostamos de luz e aparelhos domésticos, de algum tipo de veículo para nos levar ao trabalho, de aparelhos celulares sofisticados (smartphone), de notebooks, filmes, jogos, … medicina avançada, …, pois isso tudo é tecnologia nos provendo qualidade de vida e facilitando a conexão entre nós.

50 invenções transformaram o mundo como o conhecemos

As chances são de que, ao ler isso em seu computador, tablet ou telefone, você esteja considerando inúmeras inovações que não existiam 200 anos atrás. Agora, contemple que cerca de 105 bilhões de pessoas andaram pelo planeta, com apenas 5,5% desse número vivo hoje. Pense na quantidade insondável de pessoas que viveram e morreram sem nunca ter usado um banheiro, geladeira ou máquina de lavar. Ou o que dizer da estimativa de que a expectativa de vida na maior parte da história humana foi de apenas 10 anos em média? É porque antibióticos, insulina e cloração da água não existiam há 100 anos.

Confira este infográfico, criado pela Aperion Care, fornecedora de reabilitação de curto prazo, enfermagem qualificada, vida assistida e instalações de vida de longa duração. Ele lista tecnologias que datam de 1850 e inclui inovações atuais e estimativas sobre quantos milhões de pessoas provavelmente viverão mais graças a coisas como inteligência artificial, nanotecnologia e drones.

Perguntas para reflexão

  • Como era a questão do trabalho e do emprego nos tempos em que quase não havia tecnologia? Na idade das cavernas? Na idade antiga? Na idade média?
  • A qualidade de vida melhorou ou piorou com a evolução tecnológica?
  • Seria só ela (a ferramenta) a culpada dos problemas humanos, ou seria a própria estrutura e funcionamento da política, economia e sociedade que tem causado as maiores dores?

Considerações finais

É claro que cabe aos inventores e as empresas refletirem e considerarem as questões éticas, sociais e ambientais relacionados aos produtos desenvolvidos e fornecidos, assim como seus usuários, que podem utilizá-las tanto para o bem quanto para o mal. Cabe também ao poder publico conhecer e regulamentar sempre que necessário.

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Este artigo em inglês: Don’t blame technology for humanity’s problems

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ESG, Tendência ou mais do mesmo?

“Meu objetivo principal aqui é muni-los de informação e não apenas opinião a respeito do tema. A conclusão cabe a você.”

Ultimamente temos ouvido e lido nas midias sociais muita opinião sobre ESG, inclusive com severas criticas negativas e pouco apoio construtivo para esta agenda e caminho comportamental das organizações e demais instituições.

Assim, resolvi compartilhar alguns pontos sobre o tema a partir de anotações de uma palestra que ministrei no início do ano passado. O texto está bem resumido, porém acredito que passará a essência das informações sobre o tema.

Introdução

Não sou defensor de ideias ou modismos, mas sim de práticas de valor que gerem transformação na direção de um planeta e uma a sociedade melhor para todos.

Assim, procuro incentivar quaisquer movimentos que busquem tais melhorias, seja nos conceitos da Nova Economia que engloba a economia Compartilhada, economia Colaborativa, economia Multivalores, economia Circular, economia Digital, …, movimentos como os de um Capitalismo Consciente, Empresas B, Sustentabilidade e agora ESG.

Não devemos esperar algo perfeito como num projeto com início e fim, mas como em um processo de melhoria contínua para todos. ESG é apenas parte disso tudo, principalmente pelos princípios e valores que devem ser seguidos pelas organizações que os praticam.

Existem critérios sérios para que uma empresa atinja um bom nível de qualificação na B3 assim como em outras bolsas mundiais, que demonstram a qualidade com que tratam dos valores ambientais, sociais e de governança na prática. Além disso há demonstrações de que elas acabam ao final gerando melhores resultados financeiros. É isso que atrai investidores aos fundos ESG e a negociação de ações.

Não é modismo, ESG existe há 18 anos, só no Brasil que é novidade, pela adoção recente (2019) em bolsa de valores.

Não se trata de apenas um nome, mas sim de uma nova visão e forma de tratar os intangíveis da sustentabilidade (social e ambiental) com governança apropriada (algo qualitativo via indicadores), o que é diferencial da visão anterior que incluía a sustentabilidade financeira que é tangível e que a contabilidade trata de forma quantitativa (com números).

Sim, sempre existiram os espertalhões especuladores, mas isso não descaracteriza o valor ESG.

ESG não é mais do mesmo, pois é uma evolução que atingirá todas as empresas.

Começarei falando das MEGATENDÊNCIAS que conduzem as tendências tecnológicas, econômicas e sociais, e que por consequência afetam mercados financeiros.

A evolução humana, num mundo capitalista está diretamente ligada aos negócios que afetam a economia e a qualidade de vida.

ESG trata de vida, ambiental e social, governada com princípios e valores humanos.

Pelo menos as empresas de valor, estão tentando fazer o seu papel numa sociedade que vive o caos da complexa e aceleração, e injustiças consequentes pela má governança e gestão. Hoje falam do agronegócio, que no Brasil é de latifúndios voltados à exportação para sustentar o mundo, enquanto ainda temos tantos passando fome aqui mesmo. Precisamos fazer alguma coisa e movimentos como dos das Empresas B, Capitalismo Consciente e ESG trazem princípios e valores, que se respeitados e bem trabalhados podem fazer toda a diferença.

Megatendências e o Contexto Atual

Megatendências vêm mudando a forma como vivemos há séculos. São forças poderosas e transformadoras que podem mudar a economia, os negócios e a sociedade global.

Pense em eletricidade, automóvel, Internet.

1. Mudanças climáticas e escassez de recursos

Quebra de safra, inundações generalizadas, habitats destruídos e escassez de energia
Se as previsões estiverem corretas, em 2100 a temperatura média da superfície do planeta terá aumentado em 5.8 C desde o final do século 19, e os recursos do planeta se tornarão cada vez mais escassos. Fonte: ipcc.ch

2. Demografia e mudança social

Escassez de mão de obra, demanda por saúde e mudanças nas demandas dos consumidores
A população global pode aumentar em mais de 1 Bilhão em 2030 e em 2050, um terço da população de 55 países terá mais de 60 anos. Fonte: un.org

3. Avanço Tecnológico

As máquinas aprenderão mais rápido do que os humanos e os dados pessoais serão uma mercadoria valiosa
Quase dois terços de todas as ocupações (60%) poderão ver um terço ou mais de suas atividades constituintes automatizadas. Fonte: mckinsey.com

4. Urbanização Rápida

Espaço e acomodação se tornarão mais um problema nas grandes cidades.
Dois terços da população mundial viverão em áreas urbanas em 2050 (66%).
Em 1950, apenas 30% viviam em áreas urbanas.
Fonte: Hing, E, Hsiao, C. Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA.

5. Mudança de poder econômico

A China se tornará a nova superpotência, a população da Ásia está crescendo rapidamente, mudando a demografia global
A China pode se tornar a nova superpotência mundial em 2030 e junto com a Índia rivalizando com os EUA em 2050. Fonte: FMI para estimativas de 2016, análise PWC para projetos até 2050.

ESG – Environmental, Social & corporate Governance

ESG - Environment, Social, Governance

ESG – Acrônimo em inglês para Environmental, Social e corporate Governance, ou seja, amplamente utilizado no mundo dos investimentos para se referir a aspectos não financeiros da gestão empresarial

As 5 principais organizações que são líderes no desenvolvimento e padronização de frameworks e standards relacionados aos aspectos ESG — CDP, CDSB, GRI, IIRC e SASB — uniram forças.

O ESG ganhou muita força nos últimos anos e tem origem em dois movimentos separados, que se convergem cada vez mais.

O primeiro é o accountability. Cada vez mais, as pessoas estão interessadas em conhecer o impacto que as empresas têm sobre seus colaboradores, clientes, suas comunidades e sobre o meio ambiente. Portanto, continuamente tentamos quantificar estas estruturas em métricas, as quais agora possuem novas categorias como o social, o ambiental e os aspectos da governança.

De outro lado, temos o movimento do business valuation com o argumento de que as métricas que o mercado tem hoje não conseguem capturar todo o desempenho e valor da empresa, pois não conseguem capturar aspectos intangíveis, tais como capital intelectual, social e humano do negócio. As métricas de ESG podem indicar como mensurar este capital.

Origem do termo ESG

  • Há pelo menos 50 anos, já existia a preocupação com investimento em negócios sustentáveis.
  • Na metade da década de 1970, surgiu a sigla SRI, que, em uma tradução para o português, quer dizer investimento sustentável responsável.
  • A partir dessa época, fatores sociais passaram a contar cada vez mais na hora de escolher qual corporação merecia receber aporte financeiro de investidores.
  • Empresas que apoiavam a política do apartheid na África do Sul ou financiavam a Guerra do Vietnã, por exemplo, passaram a ter seus pedidos de investimento negados em razão das causas que defendiam.
  • Aos poucos, essas preocupações foram se expandindo, focando também nos impactos ambientais, entre outros critérios de responsabilidade corporativa das organizações.
  • A sigla ESG, no entanto, só foi aparecer de fato no presente século, mais precisamente em 2005, com o relatório “Who cares wins” (“Ganha quem se importa”), redigido pela Organização das Nações Unidas (ONU).
  • A iniciativa reuniu 20 instituições financeiras de diferentes países, inclusive o Brasil, para definir diretrizes a respeito da inclusão de temas ambientais, sociais e de governança no gerenciamento de fundos e pesquisas com relação a esses assuntos.
  • Decidiu-se então que a inclusão dessas avaliações no mercado financeiro era benéfica não apenas para as empresas e os investidores, mas também para a sociedade como um todo.

Fonte: FIA

Alguns Números

Segundo relatório da PwC, até 2025, 57% dos ativos de fundos mútuos na Europa estarão em fundos que consideram os critérios ESG, o que representa US$ 8,9 trilhões, em relação a 15,1% no fim do ano anterior. Além disso, 77% dos investidores institucionais pesquisados pela PwC disseram que planejam parar de comprar produtos não ESG nos próximos dois anos. [uma forma consciente de investir]

No Brasil, fundos ESG captaram R$ 2,5 bilhões em 2020. Este levantamento foi feito pela Morningstar e pela Capital Reset. Levantamento anual feito pela Deloitte e pelo Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI), em 2021, mostrou que 74% das empresas com ações em Bolsa planejam aumentar o orçamento destinado a ESG em 2022.

ESG na B3

Como parte de sua estratégia de ampliação do portfólio de índices ESG, a B3 lançou, em setembro de 2020, em parceria com a S&P Dow Jones, índice S&P/B3 Brasil ESG, que utiliza critérios baseados em práticas ambientais, sociais e de governança para selecionar empresas brasileiras para sua carteira. Entre os critérios está a aderência aos Dez Princípios do Pacto Global na área de Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção. Neste sentido, além dos Dez Princípios do Pacto Global, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável servem de guias para que as empresas analisem se suas práticas ESG estão alinhadas aos padrões internacionais e referência.

ESG na Blackrock

A maior gestora da ativos do mundo, a BlackRock, com mais de US$ 6 trilhões em carteira, passou a incluir em 2020 métricas ESG, transversalmente, em todas as suas análises de riscos.

Conheça os princípios do Pacto Global

Direitos humanos

1. empresas devem apoiar e respeitar a proteção de direitos humanos reconhecidos internacionalmente.

2. Assegurar-se de sua não participação em violações destes direitos.

Trabalho

3. As empresas devem apoiar a liberdade de associação e o reconhecimento efetivo do direito à negociação coletiva.

4. A eliminação de todas as formas de trabalho forçado ou compulsório.

5. A abolição efetiva do trabalho infantil.

6. Eliminar a discriminação no emprego.

Meio ambiente

7. As empresas devem apoiar uma abordagem preventiva aos desafios ambientais.

8. Desenvolver iniciativas para promover maior responsabilidade ambiental.

9. Incentivar o desenvolvimento e difusão de tecnologias ambientalmente amigáveis.

Anticorrupção

10. As empresas devem combater a corrupção em todas as suas formas, inclusive extorsão e propina.

Indicadores do Guia para Empresas Listadas na B3

Clique nas imagens abaixo para pode-las visualizá-las melhor.

Indicadores Ambientais

Indicadores Sociais

Indicadores de Governança Corporativa

Considerações finais

Ultimamente temos ouvido muito falar em empresas que fazem o que chamamos de Greenwashing, ou seja, maquiagem marketeira para se mostrar ao mercado e aos clientes como sendo uma empresa exemplar, por cuidar dos interessados (stakeholders) na atuação de sua companhia e não só dos investidores (shareholders), preocupando-se e atuando nos aspectos ambientais, sociais, de governança corporativa, etc. Mas nem todas são assim, temos muitas empresas sérias e como vimos a própria B3 usa de critérios via indicadores para avaliar as empresas listadas como ESG em seu portfolio.

Queremos sim, que além de grandes empresas, empresas médias e pequenas utilizem critérios e indicadores ESG e sejam orientadas pelos objetivos de desenvolvimento sustentável. Chega de Greenwhashing, chega de maquiagem.

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