Apoiando o Empreendedor de Startups em sua jornada

Empreendedorismo Inovador – Como Criar Startups de Tecnologia no Brasil

Fico feliz em ver o Brasil como uma possível nação empreendedora e inovadora,  podendo contar com “o apoio do governo”,  a base de conhecimento de universidades, presença de empresas de capital de risco  e investimento anjo, eventos focados, prêmios e muito mais. Ano após ano, o número de empreendedores que decidem criar negócios de tecnologia no Brasil aumenta. Vemos alguns com muita coragem e paixão, outros detentores de profundo conhecimento da tecnologia do produto e do serviço que pretendem levar ao mercado. Porém, poucos entendem dos fundamentos para criar um negócio de inovação tecnológica.

Neste artigo quero apresentar o primeiro livro de empreendedorismo de base tecnológica escrito por 25 autores brasileiros com sólidos conhecimentos, muitos com ampla experiência em startups de tecnologia. Além de empreendedores, entre esses profissionais estão presentes consultores em inovação e negócios, acadêmicos e investidores envolvidos com capital de risco que procuraram oferecer o melhor de si para esta obra de excelente conteúdo, diversidade de estilos e qualidade.

Empreendedorismo Inovador – Como criar Startups de Tecnologia no Brasil

Nosso público-alvo abrange tanto jovens quanto veteranos que desejam empreender, capitalistas de risco (investidores-anjos e venture capitalists – seed money), executivos e gestores. É possível também adotar a obra como leitura complementar em disciplinas de estratégia empresarial, gestão de projetos, empreendedorismo e negócios.

A partir de diversos encontros de empreendedores e investidores de capital de risco, como os da BR New Tech, Geeks on a Plane, Dia da Inovação da Cietec, Startup Weekend, participando e atuando como mentor, confirmei que muitos desses jovens iniciantes em startups de tecnologia gostariam de ter um livro como este, desenvolvido para ajudá-los em seus empreendimentos.

No início do projeto, eu, Nei, e Eduardo, publisher da Editora Évora, conversamos com cada um dos autores, fornecendo recomendações para a construção dos capítulos de forma a deixá-los com estrutura similar e que fosse empregado um estilo livre e próprio, por meio de histórias e exemplos, abordando os assuntos mediante uma linguagem acessível.

Pelo fato de ser um livro colaborativo, que conta com fundamentos, conhecimentos e experiências práticas dos autores, temos muitas vantagens a considerar. A primeira é a diversidade obtida por diferentes experiências e formas de pensar dos autores, suas competências e suas ricas histórias. Devemos lembrar que o jovem empreendedor nem sempre tem muito tempo disponível para ler, e um livro com tanta informação como este pode se tornar cansativo e até mesmo desmotivador. Como cada autor usa um estilo próprio para transmitir as informações, cada capítulo tem algo novo e diferente para acrescentar ao leitor, um incentivo à continuidade da leitura. Outra vantagem foi a rapidez no desenvolvimento do livro de 582 páginas, o que seria praticamente impossível se apenas um autor o tivesse escrito, uma vez que um único escritor dificilmente dominaria tantas áreas do conhecimento.

Costumamos comparar uma empresa a um organismo vivo, pois, se um dos órgãos não funciona devidamente, o organismo sofre, adoece e, se não for bem tratado, até mesmo morre. Assim como o corpo humano é um sistema complexo, uma empresa também o é. Por isso, precisamos ter uma visão sistêmica da empresa e do negócio, além de conhecermos de maneira ampla todos os seus órgãos (suas partes) e a relação entre eles.

Temos visto que a maioria dos investidores procura identificar três elementos principais nos negócios que lhes são apresentados como oportunidades: o mercado, a equipe e o produto, nessa ordem.

O segmento de mercado para atuação deve ser grande o suficiente para viabilizar o negócio. O custo de aquisição do cliente tem que ser bem menor do que a receita prevista para o fornecimento de produtos e/ou serviços a ele ao longo do tempo.

Os empreendedores esperam que a equipe seja ótima, multidisciplinar, atuando de forma proativa, complementar, sinérgica e orientada pelo foco de cada atividade. O ideal é trabalhar o cliente simultaneamente ao produto, e para isso é preciso pelo menos dois sócios-fundadores.

Os investidores querem também, preferencialmente, um produto inovador, ou melhor, uma proposição de valor diferenciada da concorrência, que requeira baixo investimento inicial e proporcione boa margem de lucro, sobretudo para venda em escala. Querem que a oferta seja difícil de ser imitada e/ou copiada, que seja fácil de distribuir e/ou vender  e que possibilite receitas recorrentes.

Os especialistas dizem, e nós concordamos plenamente, que o principal objetivo de uma startup em sua fase inicial, que tem como foco o aprendizado e a experimentação, é a busca pelo ajuste do produto ao mercado. Só depois disso, ela passa à fase de execução com estruturação e escala. Isso não é nada fácil, assim afirmamos a necessidade de paixão, coragem e determinação ao empreender, somados, é claro, a um bom preparo. E é disso que se trata este livro, fornecer informações de apoio à capacitação do empreendedor.

O livro inicia com a apresentação do contexto do empreendedorismo no Brasil (Capítulo 1) e do mercado para empresas de tecnologia (Capítulo 2). Em seguida, aborda a carreira empreendedora e por que vale a pena empreender (Capítulo 3). Apresenta vantagens e desvantagens de se ter sócios, fornecendo sugestões e dicas que podem ser muito úteis na escolha de sócios (Capítulo 4).

Explica-nos por que o empreendedor deve conhecer os fundamentos de gestão e modelagem de negócios (Capítulo 5) e depois detalha tais preceitos, esclarecendo o que o empreendedor precisa saber sobre: estratégia (Capítulo 6), marketing (Capítulo 7), vendas (Capítulo 8), pessoas (Capítulo 9), finanças (Capítulo 10), criatividade e inovação (Capítulo 11), networking (Capítulo 12) e tecnologia (Capítulo 13).

Empreendedorismo Inovador nos informa ainda sobre o nascimento da ideia e de como transformá-la em um plano (Capítulo 14), mostrando como a prototipagem pode ajudar a avaliar se a sua ideia resultará em um produto ou serviço com potencial de mercado (Capítulo 15).

Para ajudá-lo na modelagem de seu negócio, consideramos os elementos de criação de valor (Capítulo 16), entrega de valor (Capítulo 17) e captura de valor (Capítulo 18).

Na sequência, no que diz respeito à busca e aquisição de investimento, consideramos os recursos financeiros próprios (Capítulo 19), com dicas de como encontrar e abordar um investidor-anjo (Capítulo 20), como apresentar o seu projeto a um investidor (Capítulo 21) e se vale a pena recorrer a uma incubadora (Capítulo 22).

Para concluir, consideramos por que o empreendedor deve buscar conselheiros e mentores experientes em gestão e negócios (Capítulo 23), além de como e onde obter educação e treinamento formal para empreender (Capítulo 24).

No anexo 1 é apresentado e descrito sumariamente a Estrutura Básica de um Plano de Negócios que visa complementar o Modelo de Negócios. No início deste anexo são fornecidas algumas dicas para o uso apropriado deste documento no caso de Startups.

No anexo 2 são apresentadas algumas Fontes de Recursos Financeiros.

É possível ler cada capítulo de maneira independente, conforme a necessidade ou preferência de cada um, bem como ler a obra como um todo, o que é mais enriquecedor.

De coração, esperamos que este livro seja de grande ajuda para seu sucesso e de seu empreendimento.

Observação: Os autores cederam seus direitos sobre a parte correspondente da receita do livro para a Aliança Empreendedora, uma organização que apoia o empreendedorismo social no Brasil.

Lista dos co-autores em ordem alfabética:

  • Ana Maria Magni Coelho
  • Bob Wollheim
  • Carlos Eduardo Guillaume
  • Cassio A. Spina
  • Cezar Taurion
  • Diego Remus
  • Edson Mackeenzy
  • Felipe Matos
  • Joel Weisz
  • John Lemos Forman
  • Leo Kuba
  • Marcel Malczewski
  • Marcelo Amorim
  • Marcelo Nakagawa
  • Martha Terenzzo
  • Nathalie Trutmann
  • Nei Grando
  • Pedro Mello
  • Renato Fonseca de Andrade
  • Robert Edwin Binder
  • Rodrigo Brito
  • Rogério Chér
  • Ronald Jean Degen
  • Rose Mary Almeida Lopes
  • Sérgio W. Risola

E com a contribuição especial de:

  • Prof. Sérgio Cavalcante, com um depoimento na orelha do livro.
  • Empreendedora Bel Pesce,  com um belo texto de abertura que aparece antes do sumário.
  • Prof. Claudio D´Ipolitto, com um excelente texto de Prefácio.

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O Processo Criativo individual e coletivo

Introdução

No artigo anterior “falei” sobre “A Criatividade e a sua relação com a Inovação”, e aqui, dando sequência ao assunto, descrevo algumas etapas que ocorrem no processo criativo pessoal, bem como o uso dos hemisférios esquerdo e direito do nosso cérebro que se destaca em cada etapa. Depois disso, forneço algumas dicas de como podemos levar a vida de forma mais criativa. E ao final comento sobre alguns processos criativos em equipe usados para inovação nas organizações.

O processo criativo individual

O processo criativo é criação e nascimento, e também transformação e renascimento. E a nossa jornada pessoal é um processo criativo guiado por uma dinâmica transformativa.

Quando a pessoa criativa busca algo no fundo de seu ser e disso resulta um produto autêntico, forma-se uma ponte entre pessoas e/ou o indivíduo e o Criador. Os momentos mais significativos e decisivos em nossas vidas exigiram de nós criatividade e assim, podem ser considerados como uma obra de arte, pois em cada uma destas conjunturas somos impelidos para um contexto maior. Mesmo quando tal experiência parece levar-nos de volta a uma realidade menor, acontece com frequência uma expansão interior.

Ao longo dos últimos cem anos, os pesquisadores chegaram a um grau surpreendente de consenso sobre os estágios previsíveis de pensamento criativo.  Em geral, no contexto da criatividade individual, reconhece-se a existência de cinco etapas para a criação de alguma coisa: preparação, frustração, incubação, inspiração e elaboração. E ao final devemos complementar estas etapas com a comunicação:

1. Preparação, onde identificamos um problema, um conjunto de desafios. É a etapa da coleta de dados, quando todas as soluções possíveis se espalham diante de nós, de maneira aparentemente desconexa.

2. Frustração e saturação, que geralmente ocorre o resultado da visão de todas essas alternativas. Às vezes o processo criativo é dolorido, incluindo longos períodos de confusão, caos, tensão e, mais que tudo, ambiguidade – que não só pode ser saudável como absolutamente essencial para o processo criativo. Ocorre uma intensa atividade do hemisfério esquerdo do cérebro absorvendo de si mesmo o que é conhecido.

3. Incubação, aqui o problema é encarado com serena atenção, mesmo que o tempo para resolvê-lo seja longo. Deixamos os dados simplesmente flutuarem ao redor da questão principal, de maneira livre e sem estrutura. Deixamos a questão afundar-se nas camadas mais profundas do inconsciente. Vivemos o mistério da questão, confiantes de que, no momento apropriado, o discernimento brotará. E isso pode levar horas, dias, semanas ou até mesmo meses. Esta atividade normalmente começa quando nos afastamos de um problema, porque o nosso hemisfério esquerdo do cérebro parece não conseguir resolvê-lo. Um exercício físico intenso pode ser uma ótima maneira de mudar para hemisfério direito, a fim de acessar novas idéias e soluções. Um escritor, depois de escrever por cerca de 90 minutos, por exemplo, pode parar e caminhar ou correr, algo que é muito útil ao cérebro.

4. Inspiração ou iluminação, vem quando surge a resposta tão esperada, Heureca!  Ah! Ah! O mistério dá lugar ao discernimento.  A pintura produz efeitos! . Onde você está quando surgem suas melhores ideias?  Suponho que não é quando você está sentado em sua mesa, conscientemente tentando pensar criativamente. Pelo contrário, é quando você deu ao seu hemisfério esquerdo do cérebro um descanso, e geralmente está fazendo outra coisa, se exercitando, tomando banho, dirigindo ou até mesmo dormindo.

5. Elaboração, que consiste de muita transpiração envolve o hemisfério esquerdo do cérebro, com modo de pensar analítico. Aqui está o trabalho árduo do fazer acontecer. Esta etapa é de desafio e teste do avanço criativo que você teve. Cientistas fazem isso em um laboratório. Pintores fazem em uma tela. Escritores fazem, traduzindo uma visão em palavras.

A comunicação complementa o processo criativo acima. O poema que não é lido pela pessoa amada fica incompleto. A pintura vista apenas pelo artista ou a canção ouvida apenas pelo cantor são obras de arte incompletas.

Uma forma de nutrir intencionalmente a nossa criatividade é entender como ela funciona, aprendendo a envolver o cérebro inteiro, alternando intencionalmente as atividades do hemisfério direito e esquerdo do cérebro com esforço e descanso, e deixar fluir. Muitas vezes os estágios de criação se desdobram em sequência imprevisível, e um envolve o outro. Ainda assim, mantê-los em mente nos permite saber onde estamos no processo criativo e como chegar aonde precisamos/queremos.

Devemos lembrar que os introvertidos se sentem confortáveis ​​trabalhando sozinhos e que muitas vezes a solidão é um catalisador para a inovação. Muito inventores e engenheiros são como Steve Wozniak, da Apple, que escreveu o livro iWoz, onde comenta que eles são como artistas, tímidos e que vivem em suas cabeças. E em geral os artistas trabalham melhor sozinhos, preferencialmente fora dos ambientes corporativos, onde podem controlar o projeto de uma invenção sem outras pessoas interferindo.

Como podemos levar uma vida criativa?

“A criatividade é simplesmente conectar coisas.” – Steve Jobs

Veja a seguir algumas dicas que podem ajudar a desenvolver o pensamento criativo pessoal:

  • Aceite a si mesmo e procure se conhecer melhor.
  • Cultive a mentalidade de principiante. Aprenda sempre, em especial no campo no qual se sinta mais competente.
  • Seja um observador perspicaz. Procure semelhanças, diferenças e características peculiares em tudo o que cruzar o seu caminho. Ao fazer isso, exercitará ambos os lados do cérebro, o racional e o intuitivo. Também aceirará sua responsabilidade para ser tudo o que puder ser, ficando o mais alerta possível tanto à sua sabedoria interior quanto ao seu ambiente. Tente muitas combinações diferentes de associação e relacionamento.
  • Seja curioso, não pare de questionar as coisas, faça muitas perguntas.
  • Aonde quer que vá, leve um caderno. Anote nele seus pressentimentos, pensamentos estranhos, perguntas “tolas” e inspirações, antes que sumam da mente.
  • Desenvolva uma disciplina de criatividade meditativa. Fazer coisas com as mãos desenvolve o amor próprio e, fazendo-as com compreensão, aumenta o autoconhecimento e a compaixão, além da criatividade.
  • Encontre meios de ensinar aos outros o que você sabe ou está aprendendo. Ensinar é o melhor meio de aprender.
  • Ria. O humor alivia a tensão, ajuda a colocar os problemas em perspectiva e prepara o terreno para a atitude alegre, na qual a criatividade começa a fluir.
  • Leia muitos assuntos diferentes de seu campo de interesse e procure relacionar o que aprendeu com o que já sabe.
  • Seja valente. O medo é o maior empecilho à criatividade, contudo inerente ao novo desconhecido. Combata seu medo, mas repeite-o.
  • Evite padrões estabelecidos com severidade e maneiras inflexíveis de agir. Esteja disposto a experimentar coisas novas, correr riscos e fracassar. Seja flexível o bastante para abandonar uma idéia em favor de outra.
  • Aprenda a viver com ambiguidade. Ambos os avanços, criativo e espiritual, nascem desse desconforto.
  • Busque o que é simples e óbvio. Enxergar soluções simples que ninguém vê também é importante.

“O óbvio é aquilo que nunca é visto até que alguém o manifeste com simplicidade.” – Kahlil Gibran

À medida que você crescer neste caminho você ficará mais flexível, mais capaz de passar do método analítico para o poético, e de novo para o analítico.

O processo criativo em equipe

“Pensar com um designer pode transformar a forma como você desenvolve produtos, serviços, processos – e mesmo estratégia.” – Tim Brown

Cada vez mais as empresas reconhecem o valor do trabalho em equipe, da colaboração e da necessidade e a importância de se compartilhar o conhecimento.

A criatividade coletiva, surge geralmente da interação de um grupo com o seu exterior ou de interações dentro do próprio grupo e tem como objetivo principal otimizar ou criar de forma mais rápida produtos, serviços, processos e modelos de negócio.

Recentemente escrevi um artigo que descreve resumidamente, como um pequeno guia, a metodologia Design Thinking  – uma abordagem para inovação centrada no ser humano que inclui pessoas, protótipos, histórias e cultura.  No artigo apresento o processo que é utilizado para auxiliar na busca por Inovação nas organizações, onde são descritos os passos: Descoberta, Interpretação, Ideação, Experimentação e Evolução, que incluem técnicas de brainstorming e prototipação.

“O design thinking é uma abordagem para enfrentar problemas baseada em três pilares: empatia, colaboração e experimentação.” – Tennyson Pinheiro

Usar o Design Thinking  é buscar observar o mundo sob o ponto de vista dos outros, ou seja, empregando-se a empatia. Esta metodologia incentiva a criatividade pessoal e a coletiva, a experimentação intelectual e prática e a colaboração interdisciplinar.

Na geração de idéias, por exemplo, são considerados três critérios sobrepostos:

  • Praticabilidade (técnica) – o que é funcionalmente possível num futuro próximo;
  • Viabilidade (econômica / financeira) – o que provavelmente se tornará parte de um modelo de negócio sustentável; e
  • Desejabilidade – o que faz sentido para as pessoas.

Leia o artigo: Usando o Design Thinking para Criar e Inovar nos Negócios para mais informações sobre esta metodologia.

Existem outros processos propostos para trabalhar inovação, entre eles temos o do livro “A Bíblia da Inovação” de Fernando Trías de Bes e Philip Kotler para grandes organizações – que apresenta como etapas do processo: Objetivos > Pesquisa > Idéias > Avaliação > Desenvolvimento > Lançamento. Este processo usa o modelo A-F com uma lista de funções básicas que devem ser atribuídas a indivíduos específicos, que a partir de objetivos, recursos e prazos devem interagir livremente para criar os próprios processos.  Os autores dizem que o processo de inovação não é algo linear, mas algo que avança, porém com muitos recuos e desvios.  Resumindo as funções (A-F) dos colaboradores neste processo temos:

  • Ativadores – pessoas que iniciam o processo de inovação;
  • Buscadores – são os especialistas em encontrar informações;
  • Criadores – são os que produzem idéias, concebendo novos conceitos e possibilidades e buscando por soluções;
  • Desenvolvedores – são os inventores, que transformam idéias em produtos e serviços;
  • Executores – cuidam de tudo relacionado com implementação e execução – são eles que levam a invenção ao mercado;
  • Facilitadores – são os que aprovam os novos itens de despesa e o investimento necessário, a medida que o processo de inovação avança.

Todos trabalhando juntos e interagindo uns com os outros.

Os autores propõe três fases para facilitar a criatividade:

1) Escolha do Foco –  algo em particular para se concentrar. Pode até ser algo concreto e bem definido, como um problema, objetivo ou coisas físicas. Por exemplo: Aumentar a motivação da equipe de vendas; Melhorar a forma com que os produtos são embalados; Atrair novos clientes; Aumentar a presença no mercado de consumidores com mais de 60 anos; Melhorar a qualidade de serviços sem aumentar os custos; Ter tampa e rótulo novos e mais modernos; aprimorar o sistema de freio hidráulico.

2) Deslocamento – provocar ou perturbar a lógica. Propor uma “impossibilidade”, um paradoxo, com o intuito deliberado de estimular novas conexões. Utilizar pensamento lateral e outras técnicas. Alex Osborn concluiu que a maioria das técnicas e jogos criativos se baseiam em sete operações, das quais seis os autores deram o acrônimo de SECRET, a saber: Substitir partes do foco; Eliminar partes do foco; Combinar elementos do foco com alguns outros; Reorganizar os elementos do foco; Exagerar aspectos ou qualidades do foco; e Transpor elementos do foco.

3) Conexão – que significa considerar o deslocamento ou paradoxo e tentar decifrá-lo, encontrar uma explicação.

Concluindo

Quando vejo uma obra de arte que me impressiona, admiro o artista que a criou. Quando vejo a beleza da natureza fico encantado. Quando olho para uma flor, tão simples e tão bela, procuro apenas apreciá-la, mas bem sei que ela é extremamente complexa, e que, cada um com seu próprio conhecimento e experiência pode vê-la com perspectivas muito diferentes. Imagine como um poeta vê e descreve uma flor, e como seria o olhar e descrição da flor por alguém que pinta, fotografa, vende ou ainda é especialista em biologia, física ou química. Agora imagine algo que ainda não existe, é possível? E ai, que tal exercitar a imaginação para criar, seja só ou em equipe.

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A Criatividade e a sua relação com a Inovação

“A aventura da criatividade é uma aventura de alegria e amor. Vivemos pelo simples prazer de existir, e desse prazer se desdobram milhares de formas de arte e todas as ramificações do aprendizado e da solidariedade. A imaginação é nosso verdadeiro ser, é na verdade um deus vivo e criador que existe em nós.” – Stephen Nachmanovitch

O conceito

A imaginação é a fonte da criatividade, e nos permite trazer à mente tudo o que não está diretamente presente no mundo que nos cerca. Com a imaginação podemos reviver o passado, antecipar possibilidades do futuro, colocar a nós mesmos em outro tempo e lugar e participar do cenário. Quase tudo que nos rodeia e é identificado como algo feito pelo homem, surgiu da imaginação. A criatividade é que põe a imaginação para trabalhar.

Uma definição mais formal diz que criatividade é o processo de geração de ideias originais com valor. Você pode ser criativo com matemática, música, arte, gestão, etc. A inovação, por sua vez, consiste em colocar as ideias na prática, gerando novos produtos, melhorando processos ou criando novos modelos de negócio que levam ofertas de valor ao mercado com sucesso.

Muitas empresas estão interessadas em inovação, mas isto não acontece do dia para noite, porque antes é necessário haver um processo de criatividade que requer o uso da imaginação e, além disso, é preciso de um ambiente e uma cultura que incentive a imaginação e as ideias, sem condenar o erro, que faz parte do processo e do aprendizado. A falha das organizações e dos indivíduos está em parar de nutrir a criatividade.

Da criatividade para Inovação

A criatividade pode surgir através de um processo aplicado e pode existir em qualquer área. Empresas diferentes às vezes usam processos diferentes.  Devemos lembrar também que a criatividade não surge só de indivíduos que atuam isoladamente, mas também através de colaboração e combinação de ideias de equipes.

As pessoas precisam de tempo para criar, e às vezes é importante sair do contexto do dia a dia para ter melhores ideias. Equipes cujos membros têm competências distintas e complementares são mais criativas. Em muitos casos, muitas vezes é necessário dar tempo para que as ideias evoluam. Por exemplo, se você estiver tentando lembrar o nome de alguém, a melhor coisa a fazer é não pensar mais sobre isto e em aproximadamente trinta minutos, de repente o nome surge na mente.  Existe o pensamento deliberativo, mas também existem conexões inconscientes, onde muitas ideias criativas são formadas.

A importância do Conhecimento, Atitude, Ambiente e outros elementos ao processo criativo

“Nós todos temos a criatividade dentro de nós e há infinitas oportunidades de usá-la” – Tina Seelig

No livro “inGenius”,  Tina Seelig professora da universidade americana de Stanford e também diretora do Programa de Empreendedorismo em Tecnologia desta instituição, apresenta um curso intensivo sobre criatividade.

A autora nos diz que é terrivelmente frustrante ouvir as pessoas se descrevem como não criativas, pois podemos considerar que cada frase que proferimos é um ato criativo. Nós precisamos olhar para cada problema, cada produto e cada momento em nossas vidas como uma oportunidade para a criatividade. O mundo está cheio de desafios. Com maior criatividade, nós podemos olhar para os problemas como oportunidades.

A abordagem que ela apresenta para desbloquear a criatividade é holística. Seu “Motor da Inovação” tem seis partes: três que vêm de dentro da sua mente e que se sobrepõem (imaginação, conhecimento e atitude) e três que são gerados pelo ambiente em que se vive (recursos, cultura e ambiente). E esses fatores não são isolados. Você tem que olhar para eles em conjunto.

Abordagem holística para desbloquear a Criatividade

Conhecimento, diz ela, é a caixa de ferramentas para a sua imaginação, que é o catalisador para a transformação de seu conhecimento em novas idéias. E sua atitude fornece a unidade necessária para você avançar em problemas difíceis.

Os nossos ambientes tem um impacto enorme sobre esse processo, e estamos profundamente influenciados por espaço, regras, recompensas, recursos e cultura.

Assim, o indivíduo e o ambiente são interdependentes de forma interessante, não óbvia e essencial para a resolução criativa de problemas.

Ambiente, por exemplo, está fora da imaginação e paralela a ele. Por quê? Porque o nosso ambiente é a exteriorização da imaginação. Não podemos construir ambientes que estimulam a imaginação, a menos que os imaginemos primeiro. Por sua vez, o ambiente afeta a forma como pensamos. Ou seja, a forma como pensamos afeta os tipos de ambientes que nós construímos, assim como os espaços e a organização afetam a nossa imaginação. E isso é verdade também para o conhecimento e os recursos.

O conhecimento é paralelo aos recursos no modelo, porque quanto mais você sabe, mais você pode desbloquear recursos. O tipo de recursos em seu ambiente também determina o que você sabe. Alguém no Vale do Silício provavelmente conhece sobre capital de risco, e quanto mais ele ou ela sabe sobre capital de risco, maior a probabilidade de obter financiamento.

As crianças são inovadoras desinibidas, cheias de curiosidade. Elas usam sua criatividade natural durante todo o dia, buscando formas de fazer sentido ao mundo complicado em torno delas. Elas também gastam tempo em ambientes estimulantes, incluindo pré-escolas cheias de brinquedos. Mas à medida que crescemos, nós desistimos de jogar e focamos na produção, e negociamos em nossa imaginação a fim de nos concentrar na implementação. Mudamos nossa atitude e cerceamos nossa criatividade conforme aprendemos a julgar e rejeitar idéias novas.

Tina apresenta um experimento na sala de aula para demonstrar que tudo que nos cerca é propício para a inovação. No primeiro dia de aula, ela pede aos alunos para redesenharem um crachá. Identificadores atuais são difíceis de ler, não têm informação relevante e, muitas vezes ficam sem jeito, para baixo, em torno do cinto de quem usa. Assim, ela pede aos alunos para pensarem sobre o problema de forma diferente. E questiona: Por que usar identificadores de nome em tudo?

Após uma discussão em que os alunos percebem que as etiquetas de nome (crachás) abordam um conjunto de problemas sociais complexos, eles são convidados a conceber um novo “dispositivo de introdução”.

Os alunos entrevistam uns aos outros para saber como eles querem se envolver com novas pessoas e como elas querem que os outros se envolvam com elas. Essas entrevistas fornecem insights que levam a novas soluções. Uma equipe projetou camisetas com um mix de informações sobre o usuário em palavras e imagens. Outra equipe criou pulseiras que comunicam como cada pessoa está se sentindo.

Concluindo

 “Criar é afetar a realidade, é participar na atribuição de significado à existência, e também desfrutar da existência percebendo ou participando de seu significado.” – Paul Tillich

Podemos atuar criativamente participando na mudança e melhorando quase tudo que nos cerca, mesmo em porções muito pequenas. Além disso, criar ajuda a dar sentido às experiências cotidianas junto à família, as amizades e no trabalho.

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