Áreas de Aplicação das Tecnologias Smart City

“Cidades mais inteligentes favorecem o desenvolvimento integrado e sustentável tornando-se mais inovadoras, competitivas, atrativas e resilientes, melhorando vidas.”

Recentemente apresentei os conceitos introdutórios sobre Smart City para aplicação em cidades brasileiras no artigo SMART CITY: Por uma Cidade mais Inteligente. Neste artigo apresento soluções práticas para alguns dos problemas urbanos mais comuns em diversas áreas.

Por tecnologias de cidade inteligente entendem-se aquelas relacionadas ao conceito de smart city,  na maioria das vezes são tecnologias digitais e / ou baseadas em dados que são aplicáveis nas condições reais da cidade e contribuem para o enfrentamento dos problemas públicos ou desafios da cidade. Em cidades inteligentes, essas tecnologias são usadas para desenvolver “infraestrutura crítica” nas seguintes áreas: transporte, gestão de água e resíduos, construção, energia, segurança, educação, saúde e gestão urbana. Estas principais áreas de aplicação dessas tecnologias são apresentadas a seguir. Todos elas são conhecidas cumulativamente na maioria das cidades inteligentes ao redor do mundo, que se encontram em diferentes estágios do processo de transformação. Esta lista não representa todas as áreas de aplicação e é apenas uma introdução para uma melhor compreensão da forma e dos motivos da penetração dessas tecnologias.

Transporte Inteligente

  • Veículos autônomos – veículos equipados com sensores e software para funcionar sozinhos; capacidade total de autogerenciamento (nível 4) é alcançada quando não se espera que a intervenção humana assuma o controle em nenhum momento.
  • Compartilhamento de bicicletas – bicicletas para uso público, seja em centros de encaixe ou de uso livre, para fornecer uma alternativa ao uso de bicicleta, transporte público e propriedade privada de bicicletas. Essa opção pode cobrir o segmento da primeira / última milha quando o transporte público não faz uma viagem porta a porta.
  • Compartilhamento de carro – acesso ao uso de carros em curto prazo sem propriedade total; pode ser bidirecional (com base na estação), unidirecional (flutuação livre), ponto a ponto ou parcial.
  • Preços de congestionamento – taxas para usar um carro pessoal em certas áreas, durante o pico de demanda, ou ambos.
  • Micro-trânsito baseado na demanda – compartilhando serviços com rotas fixas, paradas fixas ou ambos, geralmente complementando as rotas de transporte público existentes. Os algoritmos usam uma pesquisa histórica para determinar rotas, tamanho do veículo e frequência de viagem. Pode incluir opções de reserva de assento.
  • Pagamento por transporte público de forma digital – sistemas de pagamento digital e sem contato em transporte público, que permitem pré-pagamento e upload mais rápido. Inclui cartões inteligentes e pagamentos móveis.
  • Chamada eletrônica (privada e combinada) – o pedido em tempo real do transporte ponto a ponto por meio de um dispositivo móvel. O e-ringing unificado envolve a conexão dinâmica de viagens individuais com rotas compatíveis para aumentar a utilização do veículo (ou seja, otimização de busca local em tempo real).
  • Informações multimodais integradas – informações em tempo real sobre preço, horário e disponibilidade de opções de transporte em vários modos.
  • Sinais de trânsito inteligentes – melhorando o tráfego geral ao otimizar dinamicamente os semáforos e os limites de velocidade, levando a velocidades médias mais altas nas estradas e paradas e retornos menos frequentes. Inclui tecnologia de luz preferencial que prioriza veículos de emergência, ônibus públicos ou ambos.
  • Consolidação da carga de encomendas – compatibilização online da procura de insumos com a oferta de capacidade de carga disponível. Aproveitando ao máximo os veículos, menos caminhões fazem mais entregas.
  • Manutenção previsível da infraestrutura de transporte – monitoramento sensorial da condição do transporte público e infraestrutura relacionada (como trilhos, estradas e pontes) para que a manutenção preditiva possa ser realizada antes que acidentes e interrupções ocorram.
  • Informações em tempo real sobre transporte público – informações em tempo real sobre chegadas e partidas de modos de transporte público, incluindo sistemas informais de ônibus.
  • Navegação rodoviária em tempo real – ferramentas de navegação em tempo real para selecionar as rotas de trânsito, com sinais para construção, desvios, congestionamentos e acidentes. Isso é especialmente verdadeiro para quem dirige sozinho ou de carro.
  • Caixas de correio inteligentes – caixas em um local onde as pessoas podem retirar pacotes usando códigos de acesso individuais enviados para seus dispositivos móveis.
  • Estacionamento inteligente – sistemas que direcionam os motoristas diretamente para as vagas disponíveis; pode afetar a demanda por meio de encargos variáveis.

Gestão Inteligente de Água e Resíduos

  • Detecção e controle de vazamentos – monitoramento remoto do estado das tubulações com a ajuda de sensores e controle da pressão da bomba para reduzir ou prevenir vazamentos de água. A identificação precoce de vazamentos pode levar ao acompanhamento por departamentos municipais e concessionárias relevantes.
  • Irrigação inteligente – otimizando a irrigação por meio da análise de informações como clima local, condições do solo, espécies de plantas etc. para eliminar a irrigação desnecessária.
  • Acompanhamento do consumo de água – feedback (através de aplicação móvel, e-mail, texto etc.) sobre o consumo de água do ocupante, de forma a sensibilizar e reduzir o consumo. Os medidores de água inteligentes permitem que as concessionárias meçam o consumo remotamente, reduzindo os custos de mão de obra para a leitura manual do medidor. Também permite preços dinâmicos.
  • Monitoramento da qualidade da água – monitoramento em tempo real da qualidade da água (em redes, rios, oceanos etc.) por meio de sinais entregues ao público por meio de canais como aplicativo móvel, e-mail, texto ou site. Isso alerta a população para evitar o consumo ou contato com a água poluída e fazer com que as cidades e concessionárias acompanhem o problema imediatamente.
  • Rastreamento digital e pagamento pela destinação de resíduos – sistemas de pagamento digital de acordo com o volume de resíduos gerados; inclui feedback (via aplicativo móvel, e-mail, texto etc.) fornecido aos usuários para aumentar a conscientização e reduzir o desperdício.
  • Otimização da rota de coleta de resíduos – utilização de sensores nas embalagens de resíduos para medir o volume de resíduos e direcionar as rotas dos caminhões de resíduos. Este aplicativo restringe o deslocamento de caminhões de lixo para lixeiras com uma pequena quantidade de lixo.

Construção Inteligente

  • Sistemas de automação predial – sistemas que otimizam o uso de energia e água em edifícios comerciais e públicos, usando sensores e análises para eliminar ineficiências manual ou automaticamente. Inclui iluminação otimizada e HVAC, bem como recursos como acesso / controle de segurança e informações de estacionamento.
  • Sistemas de automação de energia doméstica – otimização do consumo de energia da casa usando termostatos inteligentes, dispositivos eletrônicos programáveis e controlados remotamente (casa inteligente) e controle de eletricidade de reserva.
  • Acompanhamento do consumo de energia em casa – acompanhando o consumo de eletricidade em residências com feedback fornecido ao consumidor por meio de um aplicativo móvel, e-mail ou texto para aumentar a conscientização do consumidor e promover sua proteção. Ele também permite que as concessionárias meçam remotamente o uso de eletricidade.

Energia Inteligente

  • Sistemas de automação de fornecimento – vários tipos de tecnologias de rede inteligente, incluindo FDIR, M&D, Volt/Var e automação de subestação, para otimizar a eficiência energética e a estabilidade da rede.
  • Preço dinâmico da eletricidade – ajuste dinâmico dos preços da eletricidade para reduzir o consumo de eletricidade e os custos de geração de eletricidade. Ao reduzir o consumo de pico, as cidades podem reduzir o número de usinas que operam durante os horários de pico.
  • Luzes de rua inteligentes – conectadas e equipadas com sensores de iluminação pública que economizam energia (incluindo LED), que otimizam o brilho e reduzem as necessidades de manutenção. Luzes de rua inteligentes podem ser equipadas com alto-falantes, sensores de disparo e outros recursos para melhorar a funcionalidade

Segurança Inteligente

  • Câmeras corporais – sistemas de gravação de áudio, vídeo ou fotográfico comumente usados ​​por policiais para registrar incidentes e operações policiais.
  • Gestão de multidões – tecnologia para monitorar e, quando necessário, guiar multidões para garantir a segurança.
  • Inspeções de construção baseadas em dados – uso de dados e análise para enfocar as inspeções nos edifícios com os maiores riscos potenciais (por exemplo, priorização de edifícios comerciais para inspeções de código de incêndio e residências para inspeções de chumbo).
  • Sistemas de alerta precoce de desastres – tecnologia projetada para antecipar e mitigar os efeitos de desastres naturais, como furacões, terremotos, inundações e incêndios florestais.
  • Otimização da resposta a emergências – o uso de análises e tecnologias para otimizar o processamento de chamadas de emergência e operações de campo, como a implantação estratégica de veículos de emergência.
  • Detecção de tiro – tecnologia de vigilância acústica que inclui sensores de áudio para detectar, localizar e alertar as agências policiais sobre incidentes de tiro em tempo real.
  • Sistemas de segurança residencial – sistemas de segurança que monitoram residências e alertam usuários, serviços de emergência ou ambos sobre atividades incomuns.
  • Aplicativos de alarme pessoal – aplicativos que alertam sobre uma emergência alertando a Central de Emergências, entes queridos ou ambos. Dispositivos (como equipamentos de proteção individual, detectores de colisão e sistemas de alerta de queda) podem transmitir dados de localização e voz.
  • Controle previsível – o uso de big data e análise (incluindo monitoramento de mídia social) para prever com mais precisão onde e quando os crimes podem ocorrer. Esses sistemas são usados ​​para implantar patrulhas policiais e prevenção de crimes.
  • Mapeamento de crimes em tempo real – uma tecnologia usada por policiais para mapear, visualizar e analisar modelos de incidentes de crime. A coleta de informações e inteligência serve como uma ferramenta de gestão para a alocação eficiente de recursos e prestação de contas entre os funcionários.
  • Vigilância inteligente – monitoramento inteligente para detectar anomalias com base em emissões visuais, incluindo reconhecimento de rosto, sistemas inteligentes de televisão em circuito fechado e reconhecimento de número de registro.

Educação Inteligente

  • Aprendizagem personalizada – o uso de dados de alunos para identificar pessoas que precisam de atenção extra ou recursos; o potencial de adaptação do ambiente de aprendizagem para alunos individuais.
  • Programas de reciclagem online – oportunidades de aprendizagem ao longo da vida fornecidas em formato digital, especialmente para ajudar as pessoas que estão desempregadas ou em risco de ficarem desempregadas a adquirir novas competências.
  • Centros locais de carreira – plataformas online para publicação de vagas em aberto e perfis de candidatos; pode usar algoritmos para combinar candidatos compatíveis com empregos disponíveis.
  • Redução do tempo de procura de emprego e aumento do número de novos empregos.

Saúde Inteligente

  • Intervenções de saúde pública com base em dados de saúde materno-infantil – uso de análises para direcionar intervenções de saúde altamente direcionadas para grupos de risco (neste caso, identificação de grávidas e novas mães para conduzir campanhas educacionais e cuidados pós-natal).
  • Intervenções de saúde pública para melhorar o saneamento e a higiene – uso de análises para direcionar intervenções altamente direcionadas, como a compreensão de onde aumentar a capacidade de absorção de chuva ou coleta de dados sobre sistemas de vazamento de esgoto.
  • Alertas de socorro urgente – tecnologias que alertam os transeuntes treinados para que as vítimas de parada cardíaca recebam atendimento imediato e urgente.
  • Monitoramento de doenças infecciosas – coleta, análise e resposta para prevenir a propagação de doenças infecciosas e epidêmicas. Inclui campanhas de conscientização e vacinação (por exemplo, para HIV/AIDS).
  • Sistemas integrados de gerenciamento de fluxo de pacientes – soluções de hardware e software em tempo real que fornecem visibilidade de onde os pacientes estão no sistema para melhorar as operações do hospital e coordenar o uso na cidade ou em vários locais.
  • Roupas de estilo de vida – dispositivos portáteis que coletam dados sobre indicadores de estilo de vida e atividade e informam o usuário; elas podem promover exercícios ou outros aspectos de um estilo de vida saudável.
  • Busca e planejamento de atendimento online – ferramentas que apoiam a seleção de provedores e provedores com transparência financeira e clínica.
  • Informações em tempo real sobre a qualidade do ar – sensores em tempo real para detectar e monitorar a presença de poluição do ar (externo, interno ou ambos). Os indivíduos podem visualizar as informações online ou em um dispositivo pessoal e decidir mudar seu comportamento de acordo.
  • Monitoramento remoto do paciente – coleta e transmissão de dados do paciente para análise e intervenção do provedor de saúde em outro lugar (por exemplo, monitoramento de sinais vitais ou de açúcar no sangue). Inclui tecnologias de adesão a medicamentos que ajudam os pacientes a tomar os medicamentos recomendados por seu médico.
  • Telemedicina – interação virtual do paciente e do médico por meio da tecnologia audiovisual

Gestão da Cidade Inteligente

  • Obtenção de licenças e autorizações para negócios digitalmente – um processo digitalizado (como um portal online) para as empresas obterem licenças e autorizações para operação.
  • Envio de impostos digitalmente – um canal de negócios para realizar a declaração de impostos online.
  • Obtenção de alvarás de uso de terrenos e edificações por meio digital – digitalização e automação do processo de solicitação de licenciamento de uso de terreno e construção, reduzindo o tempo de homologação e aumentando a transparência.
  • Banco de dados aberto para cadastro – banco de dados completo dos lotes da cidade, aberto ao público; permite um mercado de terrenos mais eficiente, criando transparência nas terrenos disponíveis e reduzindo o custo de registro de lotes.
  • Plataformas de acomodação ponto a ponto – mercados digitais onde proprietários individuais podem listar e alugar propriedades para acomodação de curto prazo.
  • Serviços civis digitais – digitalização dos serviços administrativos do estado voltados para o cidadão, tais como declaração de imposto de renda, registro de automóveis ou solicitação de seguro-desemprego.
  • Aplicações locais de engajamento cívico – engajamento público em questões urbanas por meio de aplicativos digitais. Pode incluir relatar problemas e necessidades de manutenção (por exemplo, relatar lâmpadas quebradas por meio de um aplicativo); fornecer informações sobre decisões políticas; participar de iniciativas urbanas digitais (como hackathons de dados abertos); e interagir com autoridades municipais e departamentos de redes de serviços sociais.
  • Plataformas de comunicação local – sites ou aplicativos móveis que ajudam as pessoas a se conectarem e, potencialmente, encontrar outras pessoas em sua comunidade. Pode ser usado para encontrar pessoas com interesses e hobbies semelhantes, para se conectar com vizinhos etc.

Para existirem cidades mais inteligentes, humanas e sustentáveis, contamos com o apoio de governantes, servidores e cidadãos inteligentes.

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Referência

Este texto foi traduzido e adaptado do original em ingês: Where Are Smart City Technologies Used? Areas Of Application, do blog smartbydesign.eu (2020).

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SMART CITY: Por uma Cidade mais Inteligente

Acredito que toda cidade de alguma forma já é inteligente, pois é composta de governantes, servidores e cidadãos inteligentes, possui infraestrutura, universidades e escolas, empresas e associações com gestores inteligentes.

Porém nesse artigo, abordarei o conceito de Cidade Inteligente (Smart City) com o objetivo de apoiar a transformação digital e urbana necessária para tornar qualquer cidade ainda mais inteligente para todos os interessados.

Em maio de 2021, ministrei uma palestra no HITT com a apresentação do Relatório: “Roadmap de Planejamento Tecnológico para a Cidade Inteligente de Taubaté-SP“.

Meu principal objetivo com esse relatório, de aproximadamente 100 páginas, resultado de pesquisa profunda e customizado para a cidade, foi de alinhar o conceito de Cidades Inteligentes e possibilidades junto a todos os interessados da cidade e do município: governantes, acadêmicos, empresários, participantes de associações, representantes de bairros, …

A principal vantagem que o relatório pode trazer é o engajamento e a participação de todos na construção de uma cidade ainda mais inteligente, humana e sustentável do que é. Isso em termos econômicos, sociais, educacionais, considerando infraestrutura, segurança, ambiente e outros elementos em que a tecnologia digital possa ajudar. Trata-se de uma excelente ferramenta para melhor entendimento e negociação com os fornecedores de soluções tecnológicas e todos os envolvidos do município.

Elementos do planejamento tecnológico para uma cidade mais inteligente

Cidades mais inteligentes favorecem o desenvolvimento integrado e sustentável tornando-se mais inovadoras, competitivas, atrativas e resilientes, melhorando vidas.

Salientando aqui que o conceito de Cidades Inteligentes evoluiu nos seguintes estágios:

  • No primeiro temos as cidades inteligentes 1.0, municípios onde as tomadas de decisão são direcionadas pela tecnologia;
  • No segundo, estão as 2.0, nas quais são as demandas dos cidadãos e os governos que direcionam a tecnologia na busca por soluções urbanas;
  • No terceiro e mais recente, estão as 3.0, pautadas em um viés mais inclusivo de transformação digital urbana, com maior foco no cidadão.
Principais características de uma Cidade inteligente

Transformação Digital e Desenvolvimento Econômico Sustentável

Em 2015 a Assembleia Geral da Nações Unidas (ONU) aprovou a Agenda 2030, que é estruturada em 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Entre eles, está o Objetivo 11 – “Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis”.

Na era digital, o direito a cidades sustentáveis está condicionado ao direito de acesso à internet, porém, muitos fatores prejudicam o pleno direito à conectividade digital, como a distribuição da infraestrutura para inclusão digital, custos, diferentes capacidades de acesso e interação com dispositivos digitais e diferentes capacidades que impactam cada vez mais as desigualdades socioeconômicas e espaciais.

Para a Agenda Brasileira para Cidades Inteligentes, o conceito brasileiro de “Cidades Inteligentes” pode ser complementado pelos conceitos auxiliares de “Transformação Digital Sustentável” e “Desenvolvimento Urbano Sustentável”, descritos como segue:

“Cidades Inteligentes são cidades comprometidas com o desenvolvimento urbano e a transformação digital sustentáveis, em seus aspectos econômico, ambiental e sociocultural, que atuam de forma planejada, inovadora, inclusiva e em rede, promovem o letramento digital, a governança e a gestão colaborativas e utilizam tecnologias para solucionar problemas concretos, criar oportunidades, oferecer serviços com eficiência, reduzir desigualdades, aumentar a resiliência e melhorar a qualidade de vida de todas as pessoas, garantindo o uso seguro e responsável de dados e das tecnologias da informação e comunicação.”

“Transformação Digital Sustentável é o processo de adoção responsável de tecnologias da informação e comunicação, baseado na ética digital e orientado para o bem comum, compreendendo a segurança cibernética e a transparência na utilização de dados, informações, algoritmos e dispositivos, a disponibilização de dados e códigos abertos, acessíveis a todas as pessoas, a proteção geral de dados pessoais, o letramento e a inclusão digitais, de forma adequada e respeitosa em relação às características socioculturais, econômicas, urbanas, ambientais e político-institucionais específicas de cada território, à conservação dos recursos naturais e das condições de saúde das pessoas.”

“Desenvolvimento Urbano Sustentável é o processo de ocupação urbana orientada para o bem comum e para a redução de desigualdades, que equilibra as necessidades sociais, dinamiza a cultura, valoriza e fortalece identidades, utiliza de forma responsável os recursos naturais, tecnológicos, urbanos e financeiros, e promove o desenvolvimento econômico local, impulsionando a criação de oportunidades na diversidade e a inclusão social, produtiva e espacial de todas as pessoas, da presente e das futuras gerações, por meio da distribuição equitativa de infraestrutura, espaços públicos, bens e serviços urbanos e do adequado ordenamento do uso e da ocupação do solo em diferentes contextos e escalas territoriais, com respeito a pactos sociopolíticos estabelecidos em arenas democráticas de governança colaborativa.”

Essas ações de transformação digital e desenvolvimento urbano devem ser realizadas de forma adequada e com respeito às características socioculturais, econômicas, urbanas, ambientais e político-institucionais específicas de cada território. E devem conservar os recursos naturais além de preservar as condições de saúde das pessoas.

A Transformação Digital é um fenômeno histórico de mudança cultural provocada pelo uso disseminado das tecnologias de informação e comunicação (TICs) nas práticas sociais, ambientais, políticas e econômicas. Esta transformação provoca uma grande mudança cultural, inédita, rápida e difícil de entender na sua totalidade. Afeta mentalidades e comportamentos nas organizações, governos, empresas e na sociedade de forma geral.

“Tecnologias da Informação e Comunicação é o conjunto de ferramentas e recursos tecnológicos (hardware, software, rede) que permite às pessoas acessar, armazenar, transmitir e manipular informações.” – (Baseado no conceito da Unesco).

A transformação digital pode gerar impactos positivos ou desafios, dependendo do contexto. A realidade de cada lugar também influencia no potencial de uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). É preciso, portanto, considerar a ampla diversidade e as profundas desigualdades históricas que marcam nosso território ao agir e refletir sobre a transformação digital.

Níveis de maturidade de uma cidade inteligente, adaptado de Cunha (2016).

Finalizando

Para existirem cidades mais inteligentes, humanas e sustentáveis, contamos com o apoio de governantes, servidores e cidadãos inteligentes.

O relatório final é bastante rico em conteúdo, pois além de apresentar características, princípios balizadores, diretrizes norteadoras e informações relevantes obtidas a partir de estudos sobre cidades reais e cidades ideais em termos de maturidade para uma cidade mais inteligente, fornece informações sobre tecnologias usadas, uma análise sobre o posicionamento atual da cidade, um caminho geral para tornar a cidade mais inteligente, e, principalmente, um roteiro de planejamento tecnológico para a transformação da cidade.

Para mais informações sobre um relatório customizado para sua cidade – entre em contato

Sobre mim

Nei Grando – diretor executivo da STRATEGIUS, atua como pesquisador e curador de conteúdo, consultor, professor e palestrante sobre estratégia e novos modelos de negócios, inovação, organizações exponenciais, transformação digital e agilidade organizacional e cidades inteligentes. Teve duas empresas de TI especializada no desenvolvimento de software e soluções de conectividade, onde atuou como gestor e conduziu projetos, sistemas, plataformas de negócios, portais e serviços para o Mercado de Capitais, CRM, GED, Internet-banking, Publicidade Digital, GC, e outros sob demanda. É mestre em Ciências pela FEA-USP (ênfase em inovação) com MBA pela FGV, organizador e autor do livro “Empreendedorismo Inovador: Como criar Startups de Tecnologia no Brasil”, e autor em outros dois. 

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PMEs deveriam pensar mais sobre DADOS

As empresas que tomam suas decisões baseadas em dados são, em média, 5% mais produtivas e 6% mais lucrativas do que seus concorrentes.

Muito se tem falado sobre a quarta revolução industrial e todas as tecnologias que dela emanam, tais como: inteligência artificial, internet das coisas, automação de processos por meio da robótica, big data, entre tantas outras.

Mas na hora de lançar essas tecnologias para Pequenas e Médias Empresas (PMEs), o processo se complica, por isso muitas empresas preferem deixar essas tecnologias de lado sem ver os grandes benefícios que elas podem oferecer.

É pelo exposto que este artigo tem como objetivo mostrar os benefícios que a Ciência de Dados oferece quando faz parte dos processos das empresas, especificamente nas PMEs.

Descrevendo ciência de dados

A ciência de dados é bastante simples, sem ser trivial. Para os cientistas de dados, é a “arte” de combinar, calcular e relatar conhecimento de diferentes fontes e entradas de dados.

Uma empresa com muitos dados pode usar a ciência de dados como uma pequena “mágica” para ajudar a reunir informações e permitir que a tomada de decisões de negócios mais inteligentes e aproveitar ao máximo todos os seus recursos disponíveis.

Data Science é mais do que mágica, é uma ferramenta muito poderosa que acaba se revelando extremamente valiosa para empresas de todos os tipos e portes, pelo simples fato de gerar uma vantagem competitiva sobre as demais.

Empresas em todos os setores podem se beneficiar dos dados de várias maneiras, com análises adequadas que permitem que você se destaque da concorrência. Dos exemplos mais conhecidos estão as empresas de comércio eletrônico, que utilizam os dados para avaliar cuidadosamente o comportamento de navegação de seus usuários, para entender melhor os compradores, seus hábitos e necessidades.

Além disso, essas práticas podem ser usadas para detectar erros potenciais antes que eles ocorram, ou para prevenir fraudes, especialmente no setor financeiro. Portanto, fazendo bom uso dessas informações (dados), as empresas podem maximizar seus lucros.

Por que implementar ciência de dados nas PMEs?

Um estudo do Massachusetts Institute of Technology (MIT) revela que as empresas que tomam decisões com base em dados são, em média, 5% mais produtivas e 6% mais lucrativas do que seus concorrentes.

Portanto, as PMEs precisam estar na vanguarda para enfrentar os desafios que se colocam num mundo cada vez mais complexo e competitivo.

Antes de falar dos benefícios que a Data Science oferece às empresas, é muito importante que elas façam uma análise estratégica para identificar qual é a finalidade dos dados, acompanhada da formulação de um plano e objetivos de longo prazo.

Aqui estão quatro razões pelas quais todas as PMEs devem começar a implementar ciência de dados em seus negócios:

1. Tomar decisões de negócios mais inteligentes e informadas

Ao controlar, visualizar e compreender melhor os dados de negócios, você ajudará a tomar melhores decisões INFORMADAS sobre o futuro de seus negócios. Por meio do conhecimento dos dados, você pode identificar as principais áreas para melhorias de produtividade, crescimento do mercado ou vantagens competitivas.

2. Obter uma vantagem competitiva sobre a concorrência

Um aspecto importante nas pequenas e médias empresas que buscam soluções de dados é que passam a pensar como uma empresa baseada em dados e dessa forma passam a ganhar vantagens sobre seus concorrentes.

3. A ciência de dados economiza tempo e custos!

A ciência de dados não requer um investimento de um milhão de dólares que é impossível para as pequenas e médias empresas. O que podemos dizer é: a ciência de dados é um detector chave de oportunidades de redução de custos porque pode identificar onde há perda de receita e geração de despesas, oportunidades de melhoria do fluxo de trabalho ou identificar quais produtos e serviços geram uma despesa para a empresa em vez de gerar lucro.

4. É uma oportunidade de digitalizar os dados e limpar os arquivos

Você não precisa ter todas as plataformas e integrações para que a ciência de dados funcione. Preparar e configurar os dados da empresa é algo que um fornecedor / consultor pode fazer ao procurar implementar a solução de dados certa para você. Mas o que vale mesmo é ter em digital todo o backup das informações que por muito tempo ficaram armazenadas em arquivos e que também as empresas podem acessar suas informações de qualquer lugar do mundo, bem como visualizá-las e manipulá-las em tempo real.

Por fim, concluímos que é o momento em que as PMEs devem passar a ver os dados como seu grande aliado e um dos principais motores de crescimento do seu negócio, até porque as vantagens obtidas impactam todas as áreas da empresa gerando um benefício que pode diferenciar a resiliência. capacidade das empresas diante de novos desafios como os que o COVID-19 apresentou, sem deixar de lado a seguinte frase de Jhon Owen: “Dados são o que você precisa para fazer a análise. Informação é o que você precisa para fazer negócios.”

Ponto final – uma pitada adicional sobre Dados no século 21

“Dizem que dado é o ouro deste século, eu acrescento que dado é como areia, que contém pepitas de ouro e pedras preciosas escondidos. Assim, para extrair tal riqueza é preciso minerar, selecionar, tratar, e por fim “lapidar” os dados para poder gerar informação e conhecimento à tomada de decisão sábia.”

Business intelligence (BI) combina análise de negócios, mineração de dados, visualização de dados, ferramentas e infraestrutura de dados e melhores práticas para ajudar as organizações a tomarem mais decisões baseadas em dados. Na prática, você sabe que tem inteligência de negócios moderna quando tem uma visão abrangente dos dados de sua organização e usa esses dados para impulsionar mudanças, eliminar ineficiências e se adaptar rapidamente às mudanças de mercado ou de fornecimento.

Os engenheiros de dados são solucionadores de problemas curiosos e habilidosos que amam os dados e a construção de coisas úteis para outras pessoas. De qualquer forma, os engenheiros de dados, juntamente com os cientistas de dados e analistas de negócios, fazem parte do esforço da equipe que transforma os dados brutos de forma a fornecer às suas empresas uma vantagem competitiva.

Os cientistas de dados estão envolvidos em uma interação constante com a infraestrutura de dados que é construída e mantida pelos engenheiros de dados, mas eles não são responsáveis por construir e manter essa infraestrutura. Em vez disso, eles são clientes internos, encarregados de conduzir pesquisas de alto nível de mercado e operações de negócios para identificar tendências e relações – coisas que exigem que eles usem uma variedade de máquinas e métodos sofisticados para interagir e agir com base nos dados.

Em contraste, os engenheiros de dados trabalham para dar suporte a cientistas e analistas de dados, fornecendo infraestrutura e ferramentas que podem ser usadas para fornecer soluções ponta a ponta para problemas de negócios. Os engenheiros de dados criam uma infraestrutura escalonável e de alto desempenho para fornecer percepções comerciais claras a partir de fontes de dados brutos; implementar projetos analíticos complexos com foco na coleta, gerenciamento, análise e visualização de dados; e desenvolver soluções analíticas em lote e em tempo real.

Simplificando, os cientistas de dados dependem de engenheiros de dados. Enquanto os cientistas de dados tendem a se esforçar em ferramentas de análise avançada, como R, SPSS, Hadoop e modelagem estatística avançada, os engenheiros de dados se concentram nos produtos que oferecem suporte a essas ferramentas. Por exemplo, o arsenal de um engenheiro de dados pode incluir SQL, MySQL, NoSQL, Cassandra e outros serviços de organização de dados.

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Referências

Observação: Este artigo trata-se de uma versão traduzida e adaptada dos artigos originais:

  • Why should SMEs think more about data?, do blog entrepreneur.com
  • Data Engineer Vs Data Scientist: What’s The Difference?, do blog panoply.io

Alguns livros interessantes sobre Dados:

  • PROVOST, Foster; FAWCETT, Tom. 2016. Data Sciende para Negócios: o que você precisa saber sobre mineração de dados e pensamento analítico de dados.
  • ROGERS, David L. 2017. Transformação Digital: repensando o seu negócio na era digital.

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