O maior ecossistema de Agentes de IA para Empresas

A Microsoft construiu, sem muito alarde, o maior ecossistema de agentes de IA voltados para empresas. Mais de 100.000 organizações já criaram ou editaram agentes de IA usando o Copilot Studio desde o lançamento, um marco que posiciona a empresa como líder em um dos setores mais promissores e competitivos da tecnologia empresarial.

“Agentes de IA são sistemas inteligentes autônomos que realizam tarefas específicas sem intervenção humana. Organizações usam agentes de IA para atingir objetivos específicos e tomar decisões, planejar e se adaptar a novas informações em tempo real. Agentes de IA aprendem e aprimoram seu desempenho por meio de feedback, utilizando algoritmos avançados e entradas sensoriais para executar tarefas e se envolver com seus ambientes.”

“Isso aconteceu mais rápido do que imaginávamos e mais rápido do que qualquer outra tecnologia inovadora que lançamos”, disse Charles Lamanna, executivo da Microsoft responsável pela visão de agentes da empresa, em entrevista ao VentureBeat. “Esse crescimento foi o dobro em apenas um trimestre.”

Essa rápida adoção coincide com a expansão significativa dos recursos de agentes da Microsoft. Durante a conferência Ignite, que começa hoje, a empresa anunciou que permitirá às organizações usar qualquer um dos 1.800 modelos de linguagem grande (LLMs) disponíveis no Azure em seus agentes, indo além da dependência exclusiva dos modelos da OpenAI. Também foram apresentados agentes autônomos capazes de atuar de forma independente, identificando eventos e gerenciando fluxos de trabalho complexos com supervisão humana mínima.

Esses agentes de IA, que utilizam IA generativa para executar tarefas comerciais específicas, estão se tornando ferramentas poderosas para automação e produtividade nas empresas. A plataforma da Microsoft possibilita a criação de agentes para uma ampla gama de tarefas, desde atendimento ao cliente até automação de processos complexos, sempre com foco em segurança e governança de nível corporativo.

Uma Base Empresarial Sólida

O sucesso inicial da Microsoft nessa área vem de sua dedicação às necessidades específicas das empresas, muitas vezes negligenciadas no ciclo de hype da IA. Além dos novos agentes autônomos e da flexibilidade dos LLMs apresentados no Ignite, a verdadeira vantagem da empresa está em sua infraestrutura empresarial robusta.

A plataforma se integra a mais de 1.400 sistemas e fontes de dados corporativos, como SAP, ServiceNow e bancos de dados SQL. Isso permite que as empresas criem agentes capazes de acessar e agir sobre informações em seus ecossistemas de TI existentes. Além disso, a Microsoft lançou dez agentes autônomos pré-configurados, voltados para funções comerciais essenciais, como vendas, finanças e cadeias de suprimentos, acelerando sua implementação em casos de uso comuns.

Embora a Microsoft não tenha detalhado os tipos de agentes mais populares entre os clientes, Lamanna destacou duas categorias principais: os agentes criados por equipes de TI para tarefas essenciais e os agentes Copilot desenvolvidos pelos próprios funcionários para compartilhar documentos ou apresentações, permitindo interações e perguntas baseadas no conteúdo.

Os recursos de segurança e governança, muitas vezes negligenciados em implantações de IA, são elementos centrais da arquitetura da Microsoft. O sistema de controle garante que os agentes operem dentro das permissões e políticas de dados corporativos.

“Esperamos que isso seja amplamente adotado”, disse Lamanna, comparando o impacto dessa tecnologia à forma como a internet transformou a conectividade e a arquitetura de sistemas no passado.

Resultados Visíveis para os Primeiros Usuários

Empresas pioneiras já estão colhendo benefícios significativos. A McKinsey, por exemplo, reduziu o tempo de entrada de projetos de 20 dias para apenas 2 dias com agentes automatizados. A Pets at Home implantou agentes antifraude em menos de duas semanas, economizando milhões anualmente. Outras organizações, como Standard Bank, Zurich e Virgin Money, também adotaram o Copilot Studio.

A “Malha do Agente” da Microsoft

No coração da estratégia da Microsoft está a “malha do agente”, um sistema interconectado onde agentes de IA colaboram para resolver problemas complexos. Esses agentes podem coordenar tarefas, compartilhar conhecimento e agir de forma integrada em toda a organização. Por exemplo, um agente de vendas pode solicitar a um agente de inventário que verifique a disponibilidade de um produto, que por sua vez notifica um agente de atendimento ao cliente para atualizar o cliente em tempo real.

Essa abordagem inclui agentes autônomos que detectam eventos e agem automaticamente, uma camada de orquestração para coordenar múltiplos agentes especializados e ferramentas de monitoramento em tempo real para garantir transparência nos fluxos de trabalho.

A Microsoft também está desenvolvendo inovações como o sistema Magnetic-One, baseado na estrutura Autogen, que estabelece uma hierarquia de agentes para gerenciar tarefas abertas e complexas. Essa abordagem visa escalar de centenas para milhões de agentes, mantendo o controle operacional.

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Por fim, o modelo de preços da plataforma reflete essa abordagem empresarial, focando no número de mensagens trocadas em vez de cobrar por processamento bruto, enfatizando os resultados de negócios. Lamanna destacou que as empresas agora buscam exemplos práticos de valor comercial, sinalizando uma mudança significativa no mercado.

A corrida pelos agentes de IA empresarial

Enquanto diversos gigantes da tecnologia investem fortemente no desenvolvimento de agentes de IA, a Microsoft se destaca por sua combinação de recursos voltados ao ambiente corporativo e integrações amplas. Concorrentes como Salesforce, com sua plataforma Agentforce, que já registra 10.000 agentes criados, e a ServiceNow, com os Agents ServiceNow, ainda estão em fases iniciais e não possuem o alcance empresarial da Microsoft, cuja base inclui centenas de milhões de trabalhadores que utilizam seus produtos de produtividade.

Os concorrentes seguem abordagens variadas. A OpenAI, por exemplo, foca no acesso direto à API, mas ainda não estruturou uma solução para implantação empresarial de agentes de IA. Seu modelo mais recente, o o1-preview, oferece avanços em raciocínio, sugerindo um potencial para agentes mais inteligentes no futuro. Empresas emergentes como Crew apresentam estruturas experimentais, mas ainda não possuem escala corporativa. A LangChain, por sua vez, é popular entre desenvolvedores devido à sua modularidade, mas prioriza experimentação em vez de implementações de larga escala. Já a AWS, por meio do SageMaker, e o Google, com suas soluções de IA voltadas a setores específicos, não têm uma estrutura de agentes tão coesa quanto a da Microsoft.

A grande vantagem da Microsoft está na integração de segurança corporativa, ferramentas de baixo código, modelos prontos para uso e SDKs avançados para desenvolvedores. Além disso, a empresa trabalhou para unificar seus diversos bancos de dados analíticos e aplicativos, permitindo que os agentes de IA acessem dados corporativos nativamente, sem depender de chamadas adicionais para fins de geração aumentada de recuperação (RAG). Um exemplo disso é o recente anúncio da integração de bancos de dados transacionais com seus agentes.

Apesar do progresso, a tecnologia de agentes de IA ainda enfrenta desafios. Modelos de linguagem podem gerar respostas incorretas (as chamadas “alucinações”) e exigem configurações cuidadosas para evitar problemas como loops infinitos ou custos excessivos. Alguns clientes têm expressado preocupações com os desafios relacionados ao custo e à implementação do Copilot.

O mercado também tende a permanecer fragmentado. Muitas empresas da Fortune 500 podem adotar abordagens híbridas, combinando os agentes Copilot da Microsoft para produtividade interna com outras plataformas para aplicações críticas e confidenciais.

Conclusão: Rumo à empresa orientada por agentes

A liderança da Microsoft na implantação de agentes de IA empresariais não se deve a um único diferencial, mas a uma abordagem abrangente que combina infraestrutura robusta, integrações extensivas e foco em resultados comerciais tangíveis, em vez de apenas capacidades técnicas.

O próximo ano será decisivo para consolidar essa liderança. Concorrentes estão aprimorando suas plataformas, enquanto as empresas começam a sair da fase de testes para adotar a tecnologia em larga escala. O que é certo é que os agentes de IA estão ultrapassando o estágio de hype e se tornando parte integrante da arquitetura de TI corporativa, trazendo desafios e oportunidades.

Para líderes técnicos, este é o momento de explorar como os agentes de IA podem transformar processos, desde a automação de tarefas rotineiras até a criação de novas formas de colaboração. Comece com projetos menores, priorize resultados mensuráveis e considere agentes pré-configurados para acelerar a implementação.

Para mais detalhes, assista à entrevista completa com Charles Lamanna, onde ele aborda como a Microsoft está liderando essa revolução, a relevância dos agentes de IA na arquitetura empresarial e a evolução de práticas como o ContentOps no contexto corporativo.

Este post foi postado originalmente no LinkedIn em O maior ecossistema de Agentes de IA para Empresas

Fonte: ‘VentureBeat: Microsoft quietly assembles the largest AI agent ecosystem—and no one else is close‘, 19 de novembro de 2024.

Processos Empresariais são fundamentais para a boa execução dos negócios

“Negócios bem sucedidos não são criados por pessoas extraordinárias, mas sim por pessoas comuns que fazem coisas extraordinárias.” –Michael Gerber

Toda organização, de uma forma ou de outra, utiliza-se de pessoas, processos e tecnologia para a execução de seus negócios. As grandes empresas e as Franquias não vivem sem processos. Startups devem usá-los depois das fases de aprendizagem, ou seja, quanto entram em execução buscando escala. Da mesma forma as Pequenas e Médias Empresas (PMEs) e até mesmo as ONGs precisam pensar em processos quando decidem implantar suas Estratégias e Modelos de Negócio.  Tais processos devem ajudar na gestão, operação,  automação e redução de conflitos,  mas não apenas para conseguir alguma certificação ou tornar o negócio “engessado”.

Uma organização funciona como um sistema, ou melhor, um conjunto de processos inter-relacionados que interagem para atingir seus objetivos. Estes processos são executados continuamente pelas pessoas que integram a sua força de trabalho. Os bens ou serviços provenientes de um processo constituem a entrada para outro ou para outros processos até sua chegada ao consumidor para o uso.

Todo processo deve agregar valor na percepção dos seus clientes, e isto significa que a saída do mesmo deve ter maior valor que as suas entradas.  E este valor agregado a cada etapa é que faz o negócio acontecer. 

Mas o que é um processo?

“Um processo é um grupo de tarefas relacionadas que, juntas, geram um resultado que tem um valor para o cliente.” – Michael Hammer

Um processo é um trabalho contínuo e repetitivo, uma série de passos sequenciais adotados por uma organização para produzir um resultado desejável. Exemplos: beneficiamento de café, processo de venda, processos computacionais.

PROCESSO (Entradas, Processamento, Saidas)

Podemos dizer que processo é uma atividade, ou um conjunto de atividades, que usa insumos (inputs) mensuráveis, adiciona-lhes valor e produz uma saída (output) que é o resultado para um cliente – que pode ser interno ou externo à organização. Ou seja, é uma sequência ordenada de ações direcionadas para atender uma demanda específica do cliente.

Na prática, o processo deve prever quem executará cada atividade, quais ferramentas serão usadas, as instruções específicas para sua execução e qual é resultado esperado da atividade.

Se pensarmos no atendimento de uma loja, o processo definirá o passo a passo da interação com o cliente, desde o momento em que ele chega à loja até quando vai embora após ter feito a sua compra, conforme o modelo do negócio. Por exemplo, numa lanchonete do tipo fast food com autosserviço parcial, onde o cliente se dirige ao balcão de atendimento faz seu pedido e depois leva seu lanche para comer numa mesa, o processo de atendimento deve prever como serão tratadas as filas no balcão, a forma como o cliente terá acesso às informações do cardápio, a sequência dos procedimentos para o registro do pedido e recebimento do pagamento, a comunicação do pedido para o pessoal da cozinha, a posição correta como o lanche e o refrigerante devem ser colocados na bandeja, o tempo máximo em que tudo isso deve ser feito, e assim por diante.

O mesmo se aplica para as atividades de compras de mercadorias, controle do estoque, seleção de novos funcionários, controle de receitas e despesas, ações de divulgação para uma nova promoção, limpeza e arrumação da loja, entre outras.

Os processos, quando são bem desenhados, podem reduzir os custos de operação ao usar melhor os recursos do negócio e com maior prevenção do que pode acontecer no dia-a-dia da operação. No final das contas, bons processos operacionais levam ao melhor atendimento, deixando os clientes mais satisfeitos e consequentemente aumentando as vendas.

Levantamento e desenho de processos

Os processos precisam ser formalizados e documentados e para isso é necessário fazer um levantamento das operações desejadas (que precisam ser definidas) ou dos procedimentos existentes, fundamentais ao negócio. Após o levantamento os processos devem ser desenhados, ou seja, descritos formalmente, definindo as atividades e as responsabilidades das pessoas envolvidas e estabelecendo o uso adequado dos recursos disponíveis.  Tanto o levantamento quanto o desenho dos processos são tarefas que devem ser conduzidas com muito cuidado, seguindo uma metodologia adequada e evitando a criação de tarefas e controles desnecessários. A qualidade desse trabalho influenciará diretamente na qualidade da operação do negócio. O bom desenho de processos leva ao melhor uso dos recursos, contribuindo para o sucesso do negócio, enquanto que processos mal desenhados podem gerar maiores custos operacionais, prejudicando a competitividade da empresa no mercado.

O levantamento e desenho dos processos organizacionais são fundamentais para a boa implantação de sistemas de gestão integrados, conhecidos como ERP (Enterprise Resource Planning). Aqui vale lembrar que ferramentas de software não devem ser usadas para resolver problemas, mas sim para implementar soluções.

Quais processos devem ser desenhados?

Considerando o modelo de negócio da empresa, somente os processos críticos devem ser desenhados, ou seja, aqueles relacionados diretamente com o resultado do negócio e com a qualidade dos produtos ou serviços que precisa exercer maior controle. Tal desenho deve otimizar o uso dos recursos e buscar cumprir a missão da empresa, respeitando os seus valores, buscando a satisfação dos clientes e excelentes resultados.

Os processos principais do negócio são os relacionados com a geração dos produtos, bens ou dos serviços – para atender às necessidades e expectativas dos clientes e demais interessados, agregando valor. Os processos de apoio são aqueles que dão suporte aos demais, contribuindo, assim, para o sucesso da organização, no objetivo de agregar valor para as partes interessadas.

Dentre os processos principais do negócio temos:

  • Comercialização de produtos (marketing, vendas e relacionamento com clientes)
  • Inovação e projeto dos produtos.
  • Produção dos produtos.
  • Expedição e entrega de produtos.
  • Pós-venda, por exemplo: assistência técnica.
  • Outros processos, peculiares a cada organização.

Dentre os processos de apoio destacam-se:

  • Gestão financeira e tributária.
  • Recrutamento, seleção, contratação, capacitação e administração de pessoal.
  • Manutenção de equipamentos e instalações.
  • Aquisição de insumos (matérias-primas), peças para manutenção e serviços de terceiros.
  • Tratamento das informações.
  • Serviços gerais, relacionados à segurança patrimonial, limpeza, etc.
  • Outros processos de apoio podem ser necessários, em função da natureza do negócio ou seus produtos/serviços e demandas das suas partes interessadas.

A gestão destes processos visa unir as pessoas da organização em torno de objetivos comuns, criando um ambiente agradável, cooperativo e produtivo, o qual assegura os resultados da organização.

Ao desenhar os processos é necessário fazer um levantamento de informações gerais do mesmo, referentes à origem, destino, clientes, objetivo, interfaces e resultados esperados.  E para cada passo previsto do processo, deve-se definir o quê é tal passo, por que o passo existe, quem deve executá-lo, onde e quando deve ser executado, e como deve ser executado. Comentaremos sobre tipos de desenho e ferramentas em um outro post.

Conclusão 

“O importante não é o seu processo, o importante é o seu processo para melhorar o seu processo”. – Henrik Kniberg

Quando bem elaborados e utilizados os processos reduzem custos e melhoram a produtividade e os resultados. Mas devemos lembrar que as pessoas e os relacionamentos devem estar sempre em primeiro lugar.

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Alguns Mapas Mentais

Um exemplo simples de desenho de processo empresarial

Pensamento Visual - Diagrama de Processo BPMN - Divulgação de Vaga