Inovação na Economia Criativa

Recentemente tive a oportunidade e o prazer de apresentar no Pixel Show a palestra “Inovação na Economia Criativa”, onde procurei mostrar que o conhecimento e a imaginação possibilitam a criatividade, e que a criatividade, com o ambiente, processo e gestão apropriados pode conduzir à inovação. Apresentei a Economia Criativa como transformadora da criatividade e da arte em negócios inovadores que se destacam no mercado e que transformam a economia e a sociedade. Então, a partir disso, achei relevante escrever este artigo sobre o tema.

Segundo Lala Deheinzelin, em seu livro “Novas Economias Viabilizando Futuros Desejáveis”, na economia criativa, a Arte é o destaque, pois ela sempre estará na raiz de qualquer atividade criativa. Envolvendo a arte, temos as Indústrias Criativas, como  uma visão setorial, que inclui as artes somada a tudo o que produz conteúdo (audiovisual, publicações, mídia) e aos serviços criativos (moda, arquitetura, design, turismo). Numa camada acima temos uma perspectiva mais abrangente, de Territórios Criativos (cidades ou distritos), que trabalham seus diferenciais de experiências culturais a partir de um contexto geográfico. Envolvendo tudo isso, vem a camada Economia Criativa, que inclui não apenas as indústrias e territórios criativos, mas tudo aquilo que gera valor agregado a partir de atributos intangíveis – qualificando, diferenciando e valorizando negócios, indústrias e instituições. E, finalmente, tudo isso está imerso na Cultura, como matriz e DNA de uma sociedade, quem será o norte para escolha de uma determinada linguagem artística, setor criativo, território ou intangível para valor agregado.

Podemos então questionar: Por que Investir em Criatividade?

Ora, em primeiro lugar, porque economia criativa abrange muitas áreas, como: produtos audiovisuais, novas mídias, design, artes cênicas, publicações editoriais, artes visuais, e outras; e cada uma tem sua importância na economia, principalmente na geração de renda, criação de empregos e exportação. Além disso, ela melhora a cultura que é um componente essencial do desenvolvimento sustentável e representa uma fonte de identidade, inovação e criatividade para o indivíduo e a comunidade. Ao mesmo tempo, a criatividade e a cultura têm um valor não monetário significativo que contribui para o desenvolvimento social inclusivo, para o diálogo e a compreensão entre os povos.

“Onde vão nossos filmes, vão nossos produtos, vai nossa forma de viver.” – Franklin Roosevelt, 1930

Outra razão importante para se investir em criatividade é porque o mercado global de bens criativos tem feito muito, muito dinheiro. A criatividade e a inovação, tanto no nível individual quanto no grupo, tornaram-se a verdadeira riqueza das nações no século XXI. As indústrias culturais e criativas devem fazer parte das estratégias de crescimento econômico de qualquer país, de acordo com o relatório da UNESCO sobre cultura e desenvolvimento sustentável.  Estamos vivendo um novo momento, onde o mundo é convidado a abraçar a ideia de que a inovação é essencial para aproveitar o potencial econômico das nações.

Devemos investir em criatividade, também porque no futuro, segundo um estudo da IBM de 2010 com 1.500 CEOs, a criatividade será a habilidade mais importante para os líderes, principalmente porque este será o diferencial humano perante a era de automação que virá da inteligência artificial.

Creativity is the Intelligence Having Fun

Em suma, a criatividade, facilitadora da Inovação, somada ao empreendedorismo pode proporcionar um novo impulso para o crescimento econômico e a criação de empregos, expandindo oportunidades para todos, incluindo mulheres e jovens. E pode fornecer soluções para alguns dos problemas mais urgentes – dos conhecidos Objetivos para Desenvolvimento Sustentável (ODS) – como a erradicação da pobreza e a eliminação da fome.

Da Criatividade para a Inovação

Conforme expliquei com mais detalhes no post A Criatividade e a sua relação com a Inovação, o desbloqueio da criatividade envolve fatores internos: Imaginação, Conhecimento, Atitude; e fatores externos: Recursos, Cultura, Ambiente.

O conhecimento, é a caixa de ferramentas para a  imaginação, que é o catalisador para a transformação do conhecimento em novas ideias. E a atitude fornece a unidade necessária para se avançar em problemas difíceis.

Os ambientes têm um impacto enorme sobre esse processo, e os criativos são profundamente influenciados por espaço, regras, recompensas, recursos e cultura.

Assim, o indivíduo e o ambiente são interdependentes de forma interessante, não óbvia e essencial para a resolução criativa de problemas.

A ideia é apenas um elemento no Processo de Desenvolvimento de algo potencialmente inovador, porque ao final, será o cliente/usuário quem dirá se o produto, ou serviço o encantou a ponto de considerá-lo inovador.

O Design Thinking pode ser utilizado no início deste processo, pois este método tem como objetivo algo desejável pelo cliente/usuário, viável economicamente e praticável tecnicamente. Ele busca o equilíbrio entre o racional e o emocional, com a colaboração dos envolvidos, explorando ideias e fazendo experimentos com protótipos e testes. Para isso ele incluí, em um loop (com diversas iterações) com interações junto ao usuário, etapas como: Empatia (ou de descoberta do problema, reais desejos e/ou necessidades do cliente), Definição (ou de interpretação da descoberta), Ideação (com brainstorming e seleção de ideias), e experimentação com desenvolvimento de Protótipo e Teste.

Mas inovação, principalmente de produtos pelas empresas, vai além disso, pois envolve ainda: Estratégia e Modelo de Negócios, Gestão da Inovação, Produção, Marketing, Distribuição, Lançamento, Vendas e Retorno Positivo do Cliente.

É a Tecnologia que Potencializa a Criatividade

O surgimento do ecossistema criativo-digital – onde a informação, mídia e conteúdo criativo convergem no espaço digital – permitiu que ideias e informações fossem globalizadas rapidamente, liberando o potencial de crescimento para a economia criativa. Quanto mais conectados nos tornamos, maior a demanda por conteúdo de qualidade, bens e serviços criativos. Exemplos:

Xilogravura e Photoshop: O premiado desenhista Fernando Vilela cria em xilogravura e finaliza com softwares digitais (Photoshop/Procreate).

Esculturas modeladas em 3D: O escultor Richard Orlinski usa materiais industriais e sistemas computacionais para modelar sua arte.

Outro exemplo: Jack Storms Collections

A inteligência artificial ajuda a acelerar o processo de criação

PaintSchainer: O Software PaintsChainer faz coloração automática de desenhos graças à inteligência artificial, e está sendo usada para a animação 2D. O artista português Jonny do Lake acredita que o uso da tecnologia é bem vinda para economizar o tempo de produção.

Uma visão de futuro com a realidade mista

Novos recursos tecnológicos, como os da Realidade Virtual e Realidade Aumentada, abrem novas possibilidades para criatividade humana, agregando informações relevantes ao contexto e nos transportando além do tempo e espaço.

Veja este exemplo de Criatividade e Inovação acelerada com o uso desta tecnologia emergente. Vídeo: Envisioning the Future with Windows Mixed Reality

A Tecnologia está aprendendo a Criar para somar Possibilidades

A aprendizagem de máquina virou uma preciosa ferramenta do processo criativo

Magenta: Magenta é um projeto de código aberto da Google, que explora o papel da aprendizagem de máquina como uma ferramenta ao processo criativo.

A inteligência artificial pode criar combinações com base em tudo o que ela analisa que já existe.

As máquinas já estão criando a partir do que elas reconhecem

Games by Angelina: Angelina (criada pelo britânico Michael Cook) é uma inteligência artificial gera milhares de videogames e combina os melhores resultados para formar um novo jogo.

Screenwriter Benjamin: Benjamin é uma IA que parte de uma base de dados de roteiros de ficção científica para produzir novos textos (sinopse de filmes).

Plant Jammer: O App de geração de receitas tem uma IA que ajuda as pessoas a cozinharem receitas com aquilo que possuem na geladeira.

Hey, relaxem! A IA não substituirá (tão cedo) o poder de criação humano

A pesquisadora sênior do Google PAIR (People + AI Research), Fernanda Viégas esclarece que apesar dos avanços, a inteligência artificial está longe de alcançar a sofisticação do cérebro humano. “Conseguimos correr, pular, cantar. A IA ainda não faz tais coisas com competência”.

A tecnologia nos ajudará a criar o futuro que queremos

Maria Pestana, uma das curadoras da exposição “The Future Starts Here” que ocorrem em 2018 no museu Victoria & Albert, em Londres, diz que a história mostra que a insegurança de novas tecnologias não se justifica, mas que é preciso tomar cuidado com a tendência à uniformização de gostos.

Considerações finais

“Criatividade é tudo na Economia Criativa, e a tecnologia pode ser mais do que ferramenta de apoio aos Criativos Humanos em sua arte, é elemento chave para Inovação, transformação econômica e desenvolvimento sustentável.”

Para ver as imagens das artes nos slides clique aqui.

Se gostou, por favor, compartilhe! Abraço, @neigrando

Sobre o autor:

Nei Grando é diretor executivo da STRATEGIUS, teve duas empresas de tecnologia, é mestre em ciências pela FEA-USP com MBA pela FGV, organizador e autor do livro Empreendedorismo Inovador, é mentor de startups e atua como consultor, professor e palestrante sobre estratégia e novos modelos de negócio, inovação, organizações exponenciais, transformação digital e agilidade organizacional.

Detalhes: aqui, Contato: aqui.

Referências:

Veja também:

 

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